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Actas del XI Coloquio Internacional de Geocrítica

LA PLANIFICACIÓN TERRITORIAL Y EL URBANISMO DESDE EL DIÁLOGO Y LA PARTICIPACIÓN

Buenos Aires, 2 - 7 de mayo de 2010
Universidad de Buenos Aires

 

O Divino e a festa popular em meio ao processo de urbanização de Mogi das Cruzes (SP)

 

Neusa de Fátima Mariano

Prof. Adjunto - UFSCar-Campus de Sorocaba

neusa@ufscar.br


O divino e a festa popular em meio ao processo de urbanização de Mogi das Cruzes (SP) (Resumo)

Em Mogi das Cruzes, município pertencente à Região Metropolitana de São Paulo, a Festa do Divino Espírito Santo é realizada há quase duzentos anos, segundo os documentos consultados no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo. Em vários momentos, a tradição quase sucumbiu. A partir da década de 1990, com a criação da Associação Pró-Festa do Divino, a Festa tem se mantido, graças a um novo formato de arrecadação de recursos, como por exemplo, o patrocínio de grandes empresas. Neste sentido, a Festa do Divino foi se configurando também como mercadoria. Apesar da crescente espetacularização, acompanhada, inevitavelmente, de uma crescente racionalização na preparação e na realização da Festa, acredita-se haver momentos e elementos que não são cooptados por este processo, revelando-a ainda como manifestação da cultura popular. Esta é a questão maior que a pesquisa se propôs a elucidar, sob a luz do romantismo revolucionário.

Palavras-chave: festa, Divino Espírito Santo, espetáculo, cultura popular.


The divine and the popular party in the urbanization process of Mogi das Cruzes (SP) (Abstract)

In Mogi das Cruzes, a city from the metropolitan area of Sao Paulo, the Divine Holy Ghost Party has happened for almost two hundred years, according to the documents consulted in the archives of the Cúria Metropolitana de São Paulo. For many moments, the tradition almost succumbed. From the 1990's, with the creation of the Pro Divine Party Association, the festivity keeps happening thanks to a new way of raising funds, like the sponsorship of big companies. In this way, the Divine Holy Ghost Party has also been set as a merchandise. Despite of the festivity be seen increasingly as a show and that it's been followed by a increasingly rationalization in the prepare and execution of the event, it's believed that there are moments and elements non coopted by this process, showing it yet as a manifestation of popular culture. This is the main question that the research has proposed to make it clear, under the light of the revolutionary romantism.

Key-words: party, Divine Holy Ghost, spectacle, popular culture.


Melhor do que a criatura,

Fez o criador a criação.

A criatura é limitada.

O tempo, o espaço,

Normas e costumes.

Erros e acertos.

A criação é ilimitada.

Excede o tempo e o meio.

Projeta-se no Cosmos.

(Considerações de Aninha. Cora Coralina)

 

Introdução

Mogi das Cruzes é município cuja formação remete ao tempo do Brasil colonial. Seu território foi também palco da colonização paulista, abrigou bandeirantes, índios e religiosos (jesuítas, carmelitas, entre outros) e com eles, o conflito gerado na disputa pelo poder local. Houve, portanto, um encontro cultural cujo resultado nos leva hoje, a questões de ordem social e, sobretudo, espacial.

Espacial porque entendemos que o espaço não é um palco meramente, sobre o qual a vida acontece; ele é formado, construído, produzido pela sociedade. O espaço, portanto, é espaço social, constituído por forma e conteúdo, numa relação dialética entre a sua produção e a sociedade. O espaço possui história, memória, contradições e está em constante transformação. Para Henri Lefebvre (1974), a produção e a reprodução do espaço (social) resultam da práxis social, ao mesmo tempo em que a determinam, ou seja, o espaço social é produto e condição da práxis.

Neste sentido, a formação sócio-espacial de Mogi das Cruzes, pode-se dizer, foi uma continuidade do processo de ocupação territorial ocorrida em São Paulo, no contexto da colonização. Vila em 1611, Mogi das Cruzes transformou-se em cidade sessenta anos mais tarde, e muito tempo depois, na segunda metade do século XX, passou a pertencer oficialmente ao grande complexo metropolitano de São Paulo.

A Igreja católica, assim como em todo o Brasil, exerceu sua função com a catequização indígena, com o controle sobre a vida cotidiana, impondo uma ordem moral que atendia a seus interesses, firmando o seu poder. A construção de várias igrejas e a formação, com o passar do tempo, das várias irmandades ajudavam a manter essa ordem religiosa e a alimentar o catolicismo popular[1]. Ao longo de quatro séculos, as práticas e as relações sociais mudaram, mas houve a manutenção de determinados costumes e tradições. Algumas formas tradicionais de sociabilidade, ao que tudo indica, são mantidas hoje, no espaço urbano, apesar (e talvez por causa) da rapidez com que o setor tecnológico e informacional avança. Ou seja, o processo de modernização pode se apresentar de forma a sucumbir elementos populares mais profundamente arraigados, como também fortalecê-los ao passo em que os reivindica como mercadoria (espetáculo). Tais elementos populares podem aparecer como forma de resistência.

Em Mogi das Cruzes destacamos, entre as várias manifestações do popular, a Festa do Divino Espírito Santo, cujos registros mais antigos de existência remetem ao século XIX, conforme acervo constante no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo. Os registros referem-se às homenagens ao Espírito Santo devidamente autorizadas pela Igreja. Entretanto, não mostram o formato das mesmas: festa, procissão, missa. Somente aos poucos, com o passar do tempo, os registros vão ficando mais detalhados, indicando as características dos rituais.

Hoje, a Festa do Divino pode ser considerada um grande ícone para Mogi das Cruzes, caracterizada pela representação de aspectos mais antigos das homenagens, pela sua tradição, que remete a Portugal Medieval, pelo seu significado para a população, e também pela sua beleza estética e seu formato espetacular, veiculado pela mídia.

As transformações espaciais no processo urbano-industrial

Quando falamos em campo e cidade, ou em meio rural e urbano, nós não estamos falando de coisas extremamente opostas, embora, num primeiro momento, possa parecer. Trata-se de uma unidade contraditória.

Raymond Williams (1989) demonstra, de maneira clara a relação entre cidade e campo, através de suas pesquisas sobre a história e a literatura inglesas. Por meio de contos, narrativas e poesias por ele analisados, evidencia as transformações do modo de vida rural que, aos poucos se torna urbano. O autor chama a atenção para a separação que, comumente, se faz entre o campo e a cidade. Neste sentido, faz referências a um bucolismo que, em tempos atuais, surge como melancólico e saudoso; esse bucolismo sugere, conforme análises de Williams (1989), que o tempo passado, o do predomínio do campo, seria o melhor para se viver, como se não existissem problemas com a posse da terra e os meios de produção, desde o feudalismo. Parece que fica apenas a relação cordial entre homem e natureza e se esquece facilmente das relações de poder, muito mais aparente na cidade, nas fábricas que proliferavam na Inglaterra pós revolução industrial, como observa o autor.

Desta forma, o campo sempre aparece relacionado à paz, à inocência, à pureza e a cidade ao seu inverso, mas também, ao lugar da produção do conhecimento, da ciência e do trabalho. A cidade é colocada em oposição ao atraso, à ignorância e à indolência, que têm lugar, segundo o senso comum, no meio rural.

A cidade e o campo se mesclam e o rural e o urbano também, numa relação muito profunda, em que há o entrelaçamento das relações próximas e distantes, da moral urbana e da camponesa, em que a ruralidade se manifesta no urbano e em que o processo de urbanização tende a fragmentar o cotidiano.

Segundo Martins (2002: 221), o rural, por meio da cultura, pode permanecer durante muito tempo fora da economia agrícola, pois

"Pode subsistir na visão de mundo, como nostalgia criativa e autodefensiva, como moralidade em ambientes moralmente degradados das grandes cidades, como criatividade e estratégia de vida numa situação de transição que já não se cumpre conforme as profecias dos sociólogos. Essa transição é antes inconclusa passagem, um transitório que permanece, uma promessa de bem-estar que não se confirma, uma espécie de agonia sem fim."

Ao nos remetermos à Festa do Divino de Mogi das Cruzes - a festa popular - podemos entendê-la como uma manifestação rural-urbana uma vez que se realiza no espaço urbano, e traz elementos e representações do espaço rural (do presente e do passado). Mas também porque segue não só espacialmente no urbano, e sim, porque se apresenta urbanizada, com elementos trazidos pelo processo de urbanização. O tempo linear seria um bom exemplo, uma vez que estabelecido, sobretudo, a partir da industrialização.

O tempo cíclico de outrora está cada vez mais ausente. No entanto, ele é representado na festa da religiosidade popular. A fartura de alimentos, sempre presente nestas festas populares, representa este ciclo da vida e da reprodução da vida, ainda que submetido ao tempo da produção e do mercado.

O elo entre o urbano e o rural em Mogi das Cruzes ainda não foi rompido por completo, pois, conforme Martins (2002), o mundo rural é o que resta de uma urbanização e modernização aceleradas, transformando a vida cotidiana da cidade, expandida pela ocupação do espaço antes rural, e fragmentada neste processo. Desta forma, o descompasso de tempos permite-nos enxergar esse mundo rural fortemente "protegido" por uma população que sente e vive tais vínculos e os fazem emergir durante uma festividade tradicional de cunho religioso popular, por exemplo.

Entendemos que a existência de tais elementos se dá também pelo interesse de reprodução e expansão do capital, a partir do momento em que há uma apropriação das manifestações populares por grandes empresas e pelo poder público que as reivindicam como espetáculo.

Mogi das Cruzes, hoje pertencente à metrópole paulistana, começou a sentir os primeiros momentos de um processo de transformação do espaço que fragmentaria o cotidiano, somente após o desenvolvimento urbano-industrial da cidade de São Paulo[2], com a economia cafeeira e a industrialização, bem como com a abertura de vias de transporte e circulação de mercadorias.

A necessidade econômica de atrair indústrias para Mogi das Cruzes fez do município, uma "continuidade" de São Paulo, pela instauração de um modo de vida urbano e pela valorização do espaço urbano que se expande cada vez mais, na forma de novos bairros, alguns de alto padrão. No entanto, há algumas peculiaridades tanto na paisagem urbana[3] quanto no cotidiano, que nos fazem pensar mais atentamente sobre o processo de modernização de Mogi das Cruzes, sugerindo que elementos do mundo rural ainda estejam presentes em um espaço que é, hoje, considerado urbano.

Ao entendemos que a cidade pode ser vivida na sua plenitude, no seu cotidiano, na sua formação social, portanto, na sua criação, podemos visualizá-la fragmentada no espaço urbano. O processo de industrialização que trouxe como conseqüência, segundo Lefebvre (1972), a urbanização, tem como característica provocar rupturas espaciais e sociais. A industrialização nega a cidade como obra na medida em que há a imposição de um novo cotidiano, regido pela produção e pelo capital. Segundo Lefebvre, a indústria, uma vez implantada nas cidades, provoca

"[...] seu crescimento desmedido, mas com uma ruptura de suas características antigas (fenômeno de implosão-explosão). Com a indústria foi a generalização da troca e do mundo da mercadoria que se produziu; o uso e o valor de uso desapareceram quase completamente só persistindo como exigência do consumo das mercadorias, o lado qualitativo do uso desaparecendo quase inteiramente" (Lefebvre, 1972: 204-205).

A industrialização traz a racionalidade da produção, a divisão do trabalho, a regulação do tempo, por isso, entendemos que ela traz consigo a negação da cidade uma vez que este processo tende à segregação e à fragmentação do cotidiano. Provoca um crescimento desordenado da cidade, uma tendência à homogeneização dos elementos do cotidiano e, por fim provoca a sua explosão. O urbano, produzido pela sociedade capitalista, nasce com a explosão da cidade, com os problemas e a deterioração da vida na cidade (Lefebvre, 1986), mas ele "[...] permite reconsiderar e mesmo compreender alguns aspectos da cidade que passaram despercebidos por muito tempo: a centralidade, o espaço como lugar do encontro, a monumentalidade, etc."(Lefebvre, 1972: 205).

Desta forma, temos a multiplicação e a dispersão de centros na cidade, novos centros de comércio, de produção, de decisão política, de poder. O espaço urbano se apresenta fragmentado, e a cidade como obra tende a se perder sob o domínio crescente da troca e do valor. A sociedade é submetida a um ritmo de vida acelerado e a uma organização do tempo diário que tende esfacelar a espontaneidade e o processo de criação.

A festa popular que, embora possa se apresentar como ruptura desse cotidiano regulado pelo tempo da produção e da mercadoria, é parte integrante deste. Está no meio desse processo, acontecendo ciclicamente, ano após ano, mantendo a tradição que aponta para a esperança de uma efetiva ruptura com o tempo linear.

A Festa do Divino de Mogi das Cruzes acompanha o seu tempo, o tempo moderno, a informatização, a logística eficaz que controla os acessos às ruas tomadas pelas procissões; o patrocínio e o marketing tornaram-se indispensáveis para a sua realização espetacular. No entanto, a Festa ainda pode ser um forte momento que compõe a totalidade da vida de muitas pessoas em Mogi das Cruzes, ou seja, ela pode ter um sentido muito mais intenso para o cotidiano do que sua crescente transformação em espetáculo poderia fazer supor.

A Festa do Divino como potencialidade de resistência da cultura popular

Sob as leituras do marxismo romântico, buscamos compreender a Festa do Divino como representação da esperança e da utopia, com base nas obras de Henri Lefebvre e Ernest Bloch. Nesta perspectiva, a esperança é renovada a cada ano numa manifestação que reúne, nos dias festivos, músicas de adoração ao Divino, passeatas, procissões, missas e quermesse, atos solidários, doações (de alimentos, sobretudo), criatividade e entusiasmo popular, alegria e sacrifício. Vale observar a antiguidade da Festa e a permanência de seus significados essenciais.

A Rainha de Portugal Dona Isabel (séculos XIII-XIV) teria sido a grande responsável pela popularização de festas em homenagem ao Espírito Santo. Conta a lenda que o Espírito Santo teria descido em Portugal em tempos de crise, a pedido e por causa da devoção da Rainha. Para agradecer a ordem restabelecida em Portugal, e para lembrar o governo do Espírito Santo, as homenagens eram regadas a muita comida e bebida, ou seja, era farta de alimentos e de alegria. Por aquela época, era comum a prática dos "vodos", que se constituía na doação de alimentos ao povo, sobretudo em dias festivos, por parte da realeza. Desta forma, a religiosidade popular era intensificada, apesar de conter muitos elementos de rituais pagãos de reverência à natureza, à colheita, à fartura, entre outros. Tais elementos se mantiveram por serem considerados inofensivos à Igreja, tornando-se conhecidos como folclóricos, como nos esclarece Thompson (1998, p. 51):

"Em geral, o clero que exerce suas funções pastorais com desvelo sempre encontra maneiras de coexistir com as superstições pagãs e heréticas de seu rebanho. Por mais deploráveis que essas soluções de compromisso pareçam aos teólogos, o padre aprende que muitas das crenças e práticas do "folclore" são inofensivas. Se anexados ao calendário religioso anual, podem ser assim cristianizadas, servindo para reforçar a autoridade da Igreja. [...] O mais importante é que a Igreja devia, nos seus rituais, controlar os ritos de passagem da vida pessoal e anexar os festivais populares a seu próprio calendário."

Já no século XII, o abade italiano Joaquim de Fiore (1145-1202), pregava a chegada da Era do Espírito Santo, e com ela todas as promessas de alegria, amor, caridade, justiça, saúde, seriam cumpridas. Para Fiore, o mundo estaria dividido em três Eras, sendo a primeira a do Pai, descrita no Antigo Testamento, e a segunda, a do Filho, registrado no Novo Testamento. (Lefebvre, 1980; Brandão, 1978; Martins, 2007). A terceira Era, ou seja, o Tempo do Espírito Santo, segundo Martins (2007: C-11): "[...] seria a antecipação utópica do reino da plenitude do homem na história, o tempo da sua libertação, o tempo do nascimento histórico dos contrários, em que o bem nasceria das ruínas do mal."

Esta é a utopia que garante a continuidade da tradição de homenagear o Espírito Santo: dias melhores na nova Era, cuja espera possui vivacidade e é renovada a cada ano, ciclicamente, festejando a colheita e reivindicando-a também. A fartura do alimento brotado da terra tem fortes vínculos com a festa pagã do passado, trazida para o presente na manifestação que se torna tradicional por visar um futuro promissor.

As festividades em homenagem ao Espírito Santo chegaram ao Brasil durante o processo de colonização e domínio português. Sob o poder da Igreja Católica, elementos pagãos aos rituais cristãos se misturavam, dando às festas as suas especificidades, conforme a localidade, porém mantendo sempre algumas figuras importantes, tais como: o Imperador e a Imperatriz de Portugal - Dom Diniz e Dona Isabel - representados geralmente por crianças; o cetro e a coroa que remetem ao reinado do Espírito Santo no período de crise em Portugal, conforme já relatado; a fartura de alimentos; a coletividade na organização da Festa, entre outras.

Em Mogi das Cruzes, no início do século XX, conforme relatos, as homenagens ao Espírito Santo não estavam restritas somente àquelas oficiais da Igreja, com autorizações registradas. A Festa também acontecia no meio rural, longe da centralidade do município, longe da igreja matriz, longe de um padre. Afinal, a colheita acontecia nos sítios, eram os camponeses seus protagonistas, religiosos, tementes a Deus. A Festa representava a comunhão nos bairros rurais, envolvendo muita comida e bebida, música e dança, trabalho coletivo, encontro, alegria, e também as orações que elevam aos céus as súplicas e os agradecimentos. Podemos chamar esta manifestação religiosa extra-oficial de catolicismo rústico[4], sem ostentações, tudo muito simples, e realizado sob o signo da mesma utopia.

Oficialmente, para acontecer a Festa na cidade, na sua centralidade, era preciso pedir permissão e efetuar um pagamento em dinheiro à Arquidiocese de São Paulo. Por conta deste fato, foi possível encontrar registros da Festa do Divino, sendo que o documento mais antigo refere-se a uma Provisão encaminhada pela Paróquia de Santana de Mogi das Cruzes, com data de 1822[5]. Cabe observar que as primeiras Provisões encontradas, relativas à Festa do Divino Espírito Santo, são de procissão e exposição "para Mogy do Imperador do Espírito Santo", ou "para a festividade do Imperador"[6], fazendo referências também à Imperatriz, como o documento de 1832. Somente a partir da República, as denominações "Imperador" e "Imperatriz" deram lugar para a de "Festeiros", os organizadores oficiais da Festa do Divino, devidamente autorizados e documentados pela Igreja.

Neste contexto, a realização da festa é parte de um ciclo que fortalece a utopia de Fiore, fortalece a terra e apazigua a fúria da natureza - esta, agora mediada pela Igreja.

Acreditando nisso, devotos se organizavam para angariar prendas para a Festa, como é o caso do bandeireiro, personagem que hoje não existe mais em Mogi das Cruzes. Ainda no início do século XX, ele saía pelos bairros rurais para a empreitada, meses antes da Festa[7]. Realizava sozinho o papel da Folia do Divino (grupo formado por vários instrumentistas e um bandeireiro), e carregava consigo uma Bandeira do Divino[8], o que garantiria a bênção sobre a família que o recebia em sua casa e, às vezes, o acolhia dando-lhe comida e pouso.

A forma de angariar prendas para a Festa hoje, é muito diversificada. A Folia do Divino, cujos membros são trabalhadores operários e pequenos sitiantes, não podem se ausentar por muito tempo de seus afazeres, para a peregrinação em busca de donativos. A Folia apenas participa da Festa em alguns momentos específicos desta: a alvorada e a passeata das bandeiras[9].

A doação de prendas e dinheiro para a Festa, bem como financiamentos, ficam hoje, sob a organização de uma associação de ex-Festeiros - Associação Pró-Festa do Divino Espírito Santo de Mogi das Cruzes, formada no início da década de 1990. Diante do crescente processo de modernização e da fragmentação do cotidiano, em que o tempo do trabalho sobressalta ao tempo livre, a referida Associação, em direção oposta, começou a ter respaldo de agentes políticos e empresariais na busca em manter a tradição da Festa do Divino.

O avanço da urbanização provocou a racionalização e a profissionalização da Festa, redefinindo o seu formato. Um exemplo bastante significativo diz respeito à Entrada dos Palmitos, considerada o "ponto alto" da Festa pela sua grandiosidade e caráter espetacular. A Entrada dos Palmitos consiste em um desfile com todos os envolvidos na Festa: seus organizadores, grupos de congada e moçambique[10], grupos de catequese e várias paróquias, ex-Festeiros e Festeiros atuais, carros de bois e charretes, escolas, bandas, etc. O cortejo é uma representação do passado (início do século XX), quando a população rural chegava na cidade, para a Festa, às vésperas de Pentecostes. Vinham em carros de bois enfeitados com palmeiras e carregados com os alimentos que cultivavam. O objetivo era contribuir para a Festa do Divino, além de realizar as trocas nas vendas da cidade com sal, querosene e outros produtos indisponíveis no meio rural. Eram recebidos pelos Festeiros (os organizadores da Festa) com um prato de "afogado", espécie de ensopado de carne que se tornou comida típica da Festa[11], abençoada pelo Espírito Santo. Hoje são distribuídos cerca de cinco mil pratos de "afogado" à população, após o desfile da Entrada dos Palmitos.

Atualmente, a disciplina presente na Entrada dos Palmitos é evidente. Ela é montada, articulada minuciosamente com antecedência, com toda a infra-estrutura necessária, pois, vale ressaltar, trata-se de uma representação. Toda a sociedade é mobilizada: prefeitura, empresas de serviços de limpeza das ruas, segurança, trânsito, serviço móvel de saúde, etc. Ao término do desfile, os carros de limpeza já estão prontos para efetuar a higienização das ruas e abri-las para que o trânsito de automóveis possa fluir. A mesma infra-estrutura é colocada no dia de Pentecostes, para a realização da Procissão que percorre as ruas centrais da cidade, terminando na Catedral de Santana.

A Festa do Divino de Mogi das Cruzes desdobra-se em duas centralidades. A primordial é a Catedral de Santana, localizada no centro da cidade, onde também se encontra montado o Império do Divino (lugar que abriga o altar da Pomba Branca - representação do Espírito Santo). A quermesse, devido ao crescimento da cidade e da própria Festa, é realizada no Centro de Integração Profissional (CIP), localizado próximo à sede da Associação Pró-Festa do Divino, porém distante da Catedral, configurando-se, assim, numa outra centralidade. Este espaço abriga as barracas de doces e salgados, de bingo e outras, além do palco para apresentação de artistas famosos e locais. Neste sentido, pode-se considerar uma fragmentação espacial da Festa, caracterizando o espaço sagrado (Catedral de Santana e entorno) e o profano (quermesse).

Os colaboradores da Festa que assinavam o "Livro de Ouro"[12], da década de 1930 até por volta dos anos 1980 foram redefinindo o seu perfil. De pequenos comerciantes que doavam prendas, passou-se a ter grandes empresários que encontram na Festa do Divino, uma forma de investimento, de divulgação. Há, portanto, uma venda de quotas, conforme relatos da diretoria da Associação Pró-Divino, que é encarada como mais uma forma de conseguir recursos para a realização da Festa, ou seja, para a manutenção da tradição considerada a mais importante da cidade.

Desde meados da década de 1980, algumas mulheres começaram a visitar residências, levando a imagem do Divino (Pomba Branca) para rezar a chamada "Coroa do Divino", uma espécie de terço. Essas mulheres são conhecidas como Rezadeiras, e uma vez em número grande (cerca de cinqüenta) passaram a ser organizadas pela Associação Pró-Divino. Elas visitam, já no início do ano até as vésperas da Festa, residências previamente agendadas. Durante a visita, recebem alguma doação em dinheiro para a realização da Festa, como também pedidos e agradecimentos ao Espírito Santo, escritos em pequenos pedaços de papel. No último dia da Festa, à noite, esses pedidos são queimados e levados, pela fumaça, ao Espírito Santo. Pode-se dizer que as Rezadeiras têm feito um pouco o papel da Folia do Divino, levando o Espírito Santo nas casas de devotos e recebendo doações para a Festa.

Encontramos na Festa, a contradição entre o tradicional e o moderno, pois em função da manutenção da tradição os recursos modernos que tendem a destruí-la são utilizados, contribuindo para a sua reprodução, embora de forma também espetacular, ou seja, no processo de transformação da Festa em mercadoria. A contradição estaria na tendência - esta causada pelo processo urbano-industrial que provoca a fragmentação das relações sociais, entre outras - a transformá-la em espetáculo, fazendo sucumbir a sua espontaneidade. Assim, pode haver uma transformação da festa em mercadoria, e isso se dá de forma catastrófica quando a sua realização fica irremediavelmente subordinada ao capital (patrocinadores, por exemplo). Então o popular daria lugar unicamente ao espetáculo, o que parece não ocorrer com o nosso objeto de estudo.

A Festa do Divino de Mogi revela-se, ao mesmo tempo, como uma representação da Festa do passado, e também a apresentação da Festa do presente. Ou seja, há uma forte tendência em manter alguns momentos da Festa que eram espontâneos, sob aquilo que se chama de tradição. Entretanto, o formato organizacional-administrativo (anteriormente e durante a festa) segue a lógica espaço-temporal do momento presente.

Entendemos que há um irredutível da festa, aquilo que não a deixa ceder (e não me refiro aqui, especificamente à festa do Divino de Mogi das Cruzes, mas à festa popular como um todo), o seu resíduo. Para Henri Lefebvre (1967), o resíduo não é simplesmente o que resta, o que ficou, mas sim o que permanece com potencial transformador, portanto, revolucionário. Segundo Lefebvre, o resíduo é, ele próprio, criação, a esperança da transformação, pois "[...] o resíduo manifestado torna-se [...] o essencial, mais bem percebido e valorizado após a sua redução [...]. A diversidade dos resíduos e seu caráter residual só tem sentido nos e pelos sistemas que tentam reabsorvê-los." (Lefebvre, 1967: 373).

A festa pode representar a força revolucionária porque traz no seu resíduo a possibilidade da transformação: da repetição (mimèsis), o resíduo é a criação (poièsis), para lembrar Lefebvre em Metafilosofia (1967); da festa tradicional, cíclica, repetitiva na sua forma e no seu conteúdo, há o potencial criador, de transformação.

Considerações

A festa é aqui compreendida como momento de encontro, de alegria, de partilha, de comunhão, de energia, de abundância, também de embriaguez e de esperdício, de quebra de regras e de limites. Festa é o momento da manifestação da espontaneidade e da explosão de energia acumulada no cotidiano, dele não se separando. (Lefebvre, 1958).

Seguindo a linha do marxismo romântico, há neste processo de transformação da festa da religiosidade popular em espetáculo, resíduos que, uma vez reunidos, têm potencial revolucionário, inclusive de restituir a plenitude da vida, unindo seus fragmentos. Estes resíduos encontram-se manifestados na festividade, porém sem que haja consciência de seu potencial; e são traduzidos pela esperança de caridade, justiça, fartura, amor, trazidos pela utopia da vinda do Espírito Santo - a Sua Era - conforme pregava o abade italiano do século XIII Joaquim de Fiore.

Uma vez que se entende a cultura como processo e a cultura popular que tem como características fundamentais a tradição e a espontaneidade, é preciso considerar o dinamismo, a contemporaneidade, e os "ajustes" no tempo e no espaço. Não há necessidade de "congelamento" da cultura popular para conservá-la, pois ela é a cultura que o povo faz, cria e recria no seu cotidiano, conforme suas condições, numa dinâmica impossível de ser estagnada. Enquanto houver povo, haverá cultura popular, ou seja, ela não morre, pois a tradição também é móvel, é plástica e aceita inovações trazidas pela modernidade, numa relação contraditória. (Bosi, 1987).

Neste sentido, a festa vai se transformando na sua forma, moldando ao contexto social ao qual se insere, demonstrando o seu movimento. A festa popular permanece nos dias atuais justamente pela capacidade do popular em transitar em temporalidades diferentes no mesmo tempo e espaço.

Para Löwi (1999) uma concepção moderna do novo romantismo busca, na tradição mais antiga e profunda do mundo agrário, elementos residuais propiciadores de uma transformação radical da sociedade moderna, sem que isso signifique um retorno ao passado. Pelo contrário, o romantismo revolucionário direciona a sua visão para um futuro utópico, para o devir. Neste sentido, Bloch, também considerado marxista romântico, apresenta-nos o "princípio esperança". Ao tratar da festa, do lazer, do passa-tempo ou ainda, do lúdico, Bloch (2006: 459) considera que há uma parte do homem que não deixa morrer vestígios de lazeres "mais plenamente realizados, datando dos tempos antigos, da época pré-capitalista", dificilmente incorporados ao capitalismo. Nestes vestígios reside a esperança de um futuro melhor. Portanto, a esperança está na parte do homem que ainda não foi completamente vendida (capturada) - reflexão que nos auxilia na compreensão da concepção de resíduo, de Henri Lefebvre.

No que diz respeito à Festa do Divino de Mogi das Cruzes, mesmo que ela se torne produto ou espetáculo, comporta também momentos de plenitude e espontaneidade, tendo em vista os resíduos, a sociabilidade propiciadora do encontro e da contestação. (Lefebvre, 1958).

Notas



[1] Vale lembrar: há muito tempo existente em Portugal.

[2] O município de Mogi das Cruzes, com área de 731 Km2, está localizado a 60 Km do centro da cidade de São Paulo no sentido Leste, sendo rota de acesso ao litoral norte do estado de São Paulo.

[3] O centro de Mogi das Cruzes não é verticalizado, pois ainda é possível se guiar pelas ruas da cidade, através das torres das principais igrejas. A horizontalidade predomina.

[4] Sem a presença de um padre, geralmente as missas e demais orientações litúrgicas eram ministradas por um capelão.

[5] ACMSP - Registro de Provisões 1818-1827.

[6] ACMSP - Registro de Provisões 1818-1827.

[7] Conforme entrevistas com antigos moradores de Mogi das Cruzes, realizadas em 2006.

[8] A Bandeira do Divino é vermelha e possui ao centro, uma pomba branca, que representa o Espírito Santo.

[9] A alvorada é uma procissão que tem início às cinco horas da manhã e percorre as ruas centrais de Mogi das Cruzes. A alvorada é realizada durante nove madrugadas. A passeata das bandeiras tem início à noite, logo após a missa da novena. Consiste em uma peregrinação, visitando algumas residências e estabelecimentos comerciais previamente agendados, com o objetivo de levar a Bandeira do Divino para abençoar a todos. Na ocasião, quem recebe a Folia do Divino, oferece algo para comer e beber. A Folia do Divino tem a missão de tocar e cantar no local visitado, bem como rezar junto aos devotos. Geralmente visitam cerca de cinco locais por noite, durante nove noites.

[10] Os grupos de congada e moçambique consistem em danças cuja origem está nos rituais africanos, trazidos pelos escravos que, uma vez possibilitados de participar da vida religiosa, realizavam seus batuques após as procissões no adro das igrejas. Cantam reverenciando um santo padroeiro, sendo que em alguns lugares, realizam os autos, contando as conversões dos mouros ao cristianismo. (MORAES, 1995. CASCUDO, 2001).

[11] Conforme entrevistas realizadas em 2006, com organizadores e demais participantes da Festa do Divino de Mogi das Cruzes.

[12] Livro de registro de doações em dinheiro ou espécie, para a Festa.

 

Bibliografia

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Arquivo Histórico e Pedagógico de Mogi das Cruzes

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Referencia bibliográfica

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