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Actas del XI Coloquio Internacional de Geocrítica

LA PLANIFICACIÓN TERRITORIAL Y EL URBANISMO DESDE EL DIÁLOGO Y LA PARTICIPACIÓN

Buenos Aires, 2 - 7 de mayo de 2010
Universidad de Buenos Aires

 

 

REDES, COESÃO E FRAGMENTAÇÃO DO TERRITÓRIO METROPOLITANO

 

Sandra Lencioni

Departamento de Geografia/FFÇCH/Universidade de São Paulo- Brasil

slencion@usp.br

 


 

Redes, coesão e fragmentação do território metropolitano (Resumo)

 

Na sociedade contemporânea a produção do espaço urbano se constitui como o novo centro da acumulação e tem a capacidade de proporcionar sobrevida às relações capitalistas. Por isso, a questão do espaço emerge com grande ênfase. A contribuição de Léfèbvre, no que diz respeito ao espaço, é destacada e precedida da pergunta: por que Léfèbvre fascina os geógrafos? Atenção especial é dada à tríade proposta por Léfèbvre para a compreensão do espaço na sociedade moderna, onde o espaço é homogêneo, fragmentado e hierarquizado. Discute-se, também, as redes vistas como mediações, mas também como momentos da produção e produtoras de um novo espaço. Por meio delas se garante a continuidade na descontinuidade, a unidade, na fragmentação.

 

Palavras chaves:  espaço - fragmentação - homogeneidade - hierarquia  -  redes

 


 

Networks, cohesion and fragmentation of the metropolitan territory. (Abstract)

 

In contemporary society the production of urban space have become the new center of accumulation and has the ability to provide survival capitalist relations. Therefore, the question of space emerges with great emphasis. The contribution of Lefebvre, with respect to space, is highlighted and preceded by the question: why Lefèbvre fascinated geographers? Special attention is given to the triad proposed by Lefebvre to the understanding of space in the modern society, where space is homogeneous, fragmented and hierarchical. Discusses also the networks seen as mediation, but also moments of production and producing a new space. Through them ensures continuity in discontinuity, unity in the fragmentation.

 

Keywords:  space - fragmatation - homogeneity  - hierarchy - networks

 


 

Introdução

 

A transformação dos arredores da cidade pela expansão urbana não se constitui num privilégio das metrópoles se fazendo presente em várias cidades, em especial nas maiores, mas, é importante observar que esse tipo de expansão não é exclusiva delas. Encontramos cidades com milhões ou mesmo milhares de habitantes que vêm expandindo sua área urbana, em grande parte relacionada à produção de moradias, mas também ao desenvolvimento de novas localizações para abrigar as atividades econômicas, tais como indústrias, shoppings-centers, comércio e serviços. Essa expansão pode ou não vir acompanhada de novas centralidades e denunciam a importância que vem assumindo a dispersão territorial das atividades econômicas relativas ao processo de reestruturação sócio-espacial que vão imprimindo opacidade aos limites territoriais das cidades.  

 

Essas alterações são próprias da transição que estamos vivendo, como reestruturação mundial das relações sociais, quer seja ela denominada de pós-modernidade, pós-fordismo, modernidade líquida, sociedade pós-industrial... Nesse momento de transição emerge o espaço e a própria produção do espaço urbano como o novo centro da acumulação que tem a capacidade de oferecer sobrevida às relações capitalistas que passam a ter na valorização imobiliária uma das principais estratégias para a produção e concentração da riqueza social. Por isso é que na contemporaneidade se torna fugidio o espaço social da vida cotidiana, uma vez que se impõem, com força desmedida, o espaço-mercadoria, privatizado e instrumentalizado pela valorização do capital.

 

A produção do espaço urbano é também produção das condições urbanas.  Se anteriormente essas condições tinham sua produção e gestão em grande parte assumida pelo Estado, como dispêndios de fundo público, no momento atual constituem uma esfera privilegiada de investimentos de capital. Por isso é que a produção imobiliária, por exemplo, de moradias, de instalações industriais ou de edifícios comerciais em áreas até então não incorporadas ao tecido urbano se faz associada ao investimento de capital privado na produção de condições urbanas - arruamento, pavimentação, instalação de redes (água, esgoto, eletricidade, gás, telefone, transporte, fibra ótica...). Cada uma dessas condições representa negócio e possibilidade de se aferir ganhos, quer por meio da realização de arrendamentos ou pelo direto fornecimento de serviços. Isso não significa dizer que a produção dessas condições urbanas não se constituía em possibilidade de negócio quando eram realizadas predominantemente por dispêndios de fundo público, o que era distinto é que elas expressavam uma socialização dos custos dessas condições de reprodução social, tanto do trabalho como do capital. Sempre foram possibilidade de negócio e fonte de ganho, mas a diferença é que como investimento privado de capital é a racionalidade capitalista que é determinante, imperando sobre tudo e submetendo a produção das condições urbanas aos interesses exclusivos da reprodução do capital.

 

Essas transformações na produção do espaço urbano, não importando os países em que aconteçam, ocorrem em cidades de diferentes tamanhos; o que menos importa é o porte da cidade e o que mais importa é a possibilidade da acumulação por meio da produção do espaço urbano. Nesse texto tomaremos como referência a metrópole de São Paulo que vem se espraiando de forma desmesurada, cabendo-lhe muito bem o uso das novas terminologias: metapólis, metrópole-região, cidade-região, exopólis... Sem entrar na seara dessa discussão, que pode ser neutralizada para o campo de reflexão que se segue, usaremos o termo cidade-região concebido por Scott, Agnew, Soja e Stopper (2001) Essa escolha deriva da necessidade de afirmarmos a idéia de que aí se vive mais numa região (numa área mais ampla, no sentido geométrico do termo) do que numa cidade (num ponto mais determinado, igualmente no sentido geométrico do termo).

 

Iniciamos a discussão a partir da concepção lefebvriana sobre o espaço, no qual esse é (nas sociedades modernas avançadas) homogêneo, fragmentado e hierarquizado. (Léfèbvre: 1980; 135-178) Por meio dessa tríade buscaremos compreender a produção do espaço contemporâneo e, por conseguinte, da chamada cidade-região.

 

Na medida em que essa cidade-região é por excelência um espaço de fluxos intensos devido a dimensão e complexidade de redes materiais e imateriais que a constitui, daremos ênfase à discussão das redes, entendidas não só como mediações, mas também como um momento da produção, aspecto que algumas vezes é negligenciado no tratamento do tema.

 

Por último, nos debruçaremos sobre a questão da unidade numa metrópole dispersa, numa metrópole expandida territorialmente, numa cidade-região. Delimitá-la é quase impossível, pois seus limites difusos são fluídos e fugidios, no entanto, procuraremos indicar como a magnitude dos movimentos pendulares, que dizem respeito ao movimento cotidiano das pessoas entre morar e trabalhar ou estudar em cidades distintas -  que na língua inglesa é denominado de commuting - se constitui num um dado significativo para capturar o sentido de unidade presente nesse vasto território em transição.

 

O espaço é homogêneo, fragmentado e hierarquizado

 

Por que o pensamento de Léfèbvre fascina os geógrafos, mais precisamente os geógrafos de formação marxista? A resposta a essa pergunta talvez seja porque ao enfatizar a práxis espacial como um elemento de reestruturação das relações sociais, Léfèbvre coloca a revolução urbana e o enfoque do espaço no centro da superação da sociedade moderna. Talvez, ainda, porque a perspectiva da produção social do espaço deixa claro que o "espaço é ao mesmo tempo o local geográfico da ação e a possibilidade social de engajar-se na ação" (Gottidiener: 1993; 227) É nessa possibilidade da ação social transformadora não estar dissociada do espaço, que parece residir o fascínio do pensamento de Léfèbvre, não só para os geógrafos, mas para todos que consideram a dimensão espacial em suas análises sobre o eal. 

 

Segundo esse pensamento não há progresso no projeto marxista se não se problematizar o espaço, isto é, se não introduzirmos as questões e a dimensão espacial diretamente nas categorias marxistas do pensamento.

 

Martins diz que:

 

"Léfèbvre trouxe Marx para o nosso tempo criticamente como era próprio do pensamento marxiano. Não foi um vulgarizador de conceitos, essa verdadeira praga que abateu o pensamento marxista reduzindo-o a uma coleção de ineficientes fórmulas feitas. Léfèbvre retomou o que de mais importante havia em Marx -  seu método e sua concepção de que a relação entre a teoria e a prática, entre o pensar e o viver, é uma relação vital (e datada) na grande aventura de fazer do homem protagonista de sua própria história".(Martins: 1996; 9)

 

Trazer criticamente Marx para o nosso tempo e atualizar o seu pensamento significou uma vida dedicada à compreender a trajetória constitutiva do pensamento de Marx e, ao mesmo tempo, a da sociedade moderna. Ao afirmar sempre que não existe pensamento sem utopia, Léfèbvre era crítico, propositivo e desafiador.

 

Na sua obra Une Pensée Devenue Monde. Fault-il abandonner Marx? Léfèbvre faz uma reflexão sobre a dinâmica do pensamento de Marx e, no capítulo denominado Le Schéma Général discute o trabalho social que se constitui no centro da teoria de Marx. (Léfèbvre: 1980; 135-178) A discussão empreendida não é sobre a formação e transformação do trabalho ao longo da história, mas do seu sentido na contemporaneidade. O enfoque dado por ele busca compreender o trabalho que se apresentava naqueles idos do final do século XX. Sua abordagem vai apreendendo da leitura de Marx uma tríade presente no trabalho, qual seja: o trabalho como sendo homogêneo e quantificável, a fragmentação infinita do trabalho e um terceiro aspecto do trabalho, a hierarquia, uma vez que tanto os trabalhos, as atividades e os próprios trabalhadores são hierarquizados. 

 

Essa mesma tríade: homogeneização, fragmentação e hierarquia vai ser considerada ao falar do espaço. Em primeiro lugar, convém advertir que Léfèbvre fala em espaço social e não em espaço geográfico, ressaltando que o espaço (social) é político. Diz ele que em Marx não se encontra um exposição sistemática sobre o espaço social. Acrescenta que o tema (espaço) se apresenta para Marx, mas que este não se dedica ele. Se pergunta por que dessa omissão e responde dizendo que é porque o capitalismo (empresas, redes de comunicações e trocas) se instalava no espaço natural, no espaço geográfico, aquele da primeira natureza. Fala, ainda, que para Marx o "espaço se apresenta como a soma dos lugares de produção, como território dos diversos mercados" (Léfèbvre: 1980; 149). Essas colocações revelam, em primeiro lugar, que para Léfèbvre o espaço geográfico é equivalente à primeira natureza e, em segundo, que o espaço natural e geográfico são equivalentes.

 

Há uma preocupação em Léfèbvre ao colocar entre parênteses a palavra social  -  (social) quando escreve a palavra espaço, logo no início da discussão. Tanto quanto de colocar essa mesma palavra logo no início das considerações sobre o trabalho, enfatizando que está se referindo estritamente ao trabalho humano e não, por exemplo, ao trabalho das abelhas, e negando qualquer idéia de trabalho em geral tomado abstratamente. O que se deve ter em mente é que para Léfèbvre a idéia de espaço geográfico é diversa da de espaço, que ele considera ser sempre social e político, daí a anotação da palavra 'social', entre parênteses, em alguns momentos do texto.

 

Isso posto vale pensar no primeiro elemento dessa tríade: a homogeneidade do espaço que é muito evidente e perceptível ao olhar. As cidades e edifícios se assemelham cada dia mais e quando se viaja para outras terras a surpresa aparece não só na percepção do diferente, mas na apreensão do semelhante, do quanto são parecidas. Centros comerciais, edifícios que espelham o entorno, amplas avenidas, a presença de áreas degradadas e os esforços para sua renovação, especialmente nas áreas centrais, dentre tantos exemplos que poderíamos citar, atestam as equivalências, o mesmo. É devido a essa equivalência que o espaço se apresenta homogêneo. No dizer de Léfèbvre  os elementos da paisagem urbana são facilmente conhecidos e reconhecidos. (Léfèbvre: 1980; 151).

 

Todavia, essa homogeneidade se fragmenta infinitamente. Mas, convém advertir, a

 

"separação dos elementos e componentes é ficticia, porque, de um lado, não se pode completamente separar as funções, os 'equipamentos' .... e, de outro, [ela] é real (pois todo fragmento do espaço com suas funções, divididas como os trabalhos nas empresas, obtém e guardam uma autonomia)" (Léfèbvre: 1980; 154)

 

Os espaços de moradia, de lazer, o fracionamento da terra para atender ao mercado imobiliário, as favelas, os condomínios privados, por exemplo, são expressivos testemunhos dessa fragmentação.

 

Alguns desses fragmentos, a nosso ver, não devem ser interpretados como enclaves urbanos, porque o sentido de enclave é de algo encravado em alguma coisa. Não se trata disso, de territórios distintos mas, sim de um mesmo território que só aparentemente parece ser dois ou mais territórios independentes uns dos outros. Dizendo de outra maneira, a idéia de fragmentação e de descontínuo não absolve a idéia de unidade, pois o fragmento se constitui num pedaço de alguma coisa e o descontínuo na interrupção de algo. Temos sérias dúvidas quanto ao uso do termo 'urbanização em arquipélago', porque arquipélago significa agrupamento, um conjunto de ilhas. Por ser cada ilha uma individualidade (unicidade de algo) e sendo o arquipélago um conjunto de unidades, o uso da expressão 'cidade-arquipélago' ou 'arquipélago urbano' remete à idéia de várias unidades, quando o contrário é que é nosso entendimento. A nosso ver há apenas uma unidade fragmentada em partes que se apresenta descontínua, onde as redes são importantes instrumentos de ligação. Essa visão torna compreensível que ao mesmo tempo em o território se torna mais fragmentado e descontínuo, ao mesmo tempo os fluxos se impõem aos lugares.

 

Para Viard a crescente fragmentação do espaço associada à descontinuidade crescente da mancha urbana desurbaniza as formas antigas de desurbanização. (Viard: 1994; 31e 65). Essa fragmentação, vista como fragmentação do urbano ou segregação sócio-espacial, são expressões da negação do urbano. Hidalgo, Borsdorf & Zunino (2008) cunhoaram o termo 'privatopólis imobiliária' para exprimir o crescimento urbano relacionado aos grandes conjuntos privados, marcados por barreiras para controlar o acesso a esses espaços e por elementos relacionados à segurança, como guaritas e video-câmaras. Essa privatopólis imobiliária, nada mais é do que a expressão da produção da anti-cidade, no dizer de Léfèbvre (1972).

 

Esses espaços fragmentados se hierarquizam. Tanto quanto o trabalho e as atividades são hierarquizadas, tanto o espaço o é, também. Isso significa que no seio da equivalência, do homogêneo, emerge a diferença que se hierarquiza. A nosso ver a hierarquização permite o domínio do poder, do domínio, do comando que são instrumentais para garantir a totalidade do conjunto.

A utilidade dessa tríade é nítida quando se examina a metrópole de São Paulo e seu entorno de grandes extensões territoriais, que alcançam cerca de 150 quilômetros, em várias direções a partir do centro metropolitano. Esse conjunto territorial tem cerca de 30 km2 e responde por quase 1/4 do PIB brasileiro. Aí o processo de homogeneização do espaço pelo capital se apresenta forte, se apoderando da natureza e anulando diferenças no espaço e no tempo, tornando tudo tão homogêneo e tão semelhante a tantas outras metrópoles. Não é por acaso que alguns cartões postais dessa metrópole são iguais ao de outras cidades dos quatro cantos do mundo e podem nos confundir quando buscamos indentifícá-los.

 

Mas, ao mesmo tempo esse espaço é fragmentado, cindido social e territorialmente, onde os diferentes estratos de renda dos que aí vivem se apartam da convivência de uns com os outros. A diferença fragmentadora, promovida pelo mercado de terras e de edifícios, tanto quanto pelas funções urbanas, atomiza, ou seja, pulveriza em múltiplos negócios a cidade e eterniza o estranhamento que nega a aproximação dos diferentes. Ao mesmo tempo as diferenças do/no espaço se hierarquizam, uma vez que a hierarquia sócio-espacial só pode se instalar quando se tem a diferença. Ela significa ordem, subordinação e dominação uma espacialização hierárquica do poder da economia e da política.

 

O espaço capitalista - por excelência, homogêneo, fragmentado e hierarquizado - mantém sua unidade, se constituindo num espaço coeso por meio das redes de relações sociais que aí se produzem. Quanto mais homogêneo, fragmentado e hierarquizado for o espaço - produto e produtor -, maior a necessidade de redes, pois é por meio delas que, cada vez mais, se garante a continuidade na descontinuidade, a unidade, na fragmentação. Não é de se estranhar, então, que é na metrópole dispersa, na metrópole expandida territorialmente, na cidade-região que vamos encontrar a maior densidade de redes. De um lado, que ligam esse território à economia global; de outro, que a ligam com o restante do país e, em particular, consigo mesma, no sentido de manter unificado o espaço que na contemporaneidade está bastante disperso e fragmentado.

 

As redes são  materiais e imateriais: produtos sociais e produtoras de espaço 

 

As redes são mediações, mas também momentos da produção, produtoras de um novo espaço. Podem ser materiais, como uma estrada ou imateriais como as redes virtuais. Atualmente, essas tendem a crescer, a se diversificarem e a se tornarem mais complexas porque correspondem a necessidades e estratégias contemporâneas da reprodução do capital. Um simples exemplo pode tornar essa afirmação mais clara. O pagamento com cartão automático, com débito imediato ou o pagamento antecipado de um bem, a exemplo de uma compra de créditos para uso de telefone celular, são formas cada vez mais comuns e expressam formas avançadas de consumo, que requerem a existência de redes. No primeiro caso o débito é instantâneo; no segundo, é antecipado.

 

Essas formas de pagamento tendem a ser cada vez mais generalizadas, pois expressam estratégias que buscam satisfazer a necessidade crescente que o capital tem de abreviar o tempo de circulação para que se torne menor o tempo total de rotação do capital. A instantaneidade e a antecipação se constituem em estratégias para agilizar o tempo de reprodução do capital, de comprimir o tempo de circulação que se constitui num tempo de desvalorização.

 

A lógica da reprodução do capital impõe a necessidade de se arquitetar estratégias que contrariam a desvalorização relativa que o espaço tende a provocar ao capital, por gerar custos de circulação. As redes são, antes de tudo, expressão dessas estratégias de redução de custos e de diminuição do tempo de circulação -  os chamados faux frais, tais como os custos de transporte.

 

As redes podem ser de diferentes natureza, densidade, tamanho e forma. Uma simples classificação, entre redes materiais e imateriais pode auxiliar na compreensão do que significa a dinâmica espacial para o capital: nada as distingue além da materialidade, porque ambas são funcionais ao capital no mesmo sentido de contra-restar a tendência à desvalorização; ou seja, de superar qualquer obstáculo espacial à valorização.

 

Tendo como referência a relação espaço/tempo, podemos classificar as redes em dois tipos: redes de proximidade absoluta, que obedece a uma lógica topográfica e  redes de proximidade relativa, cuja lógica é topológica, nome inspirado na informática e relativo à topologia das redes, que descreve, por meio do tráfego de informações, o layout de uma rede de computadores. Ao primeiro tipo, as redes de proximidade absoluta, correspondem as redes materiais, ao segundo, às imateriais.

 

A rede de proximidade territorial diz respeito às redes viárias e, por isso, obedecem a uma lógica topográfica, relativa à distância entre dois lugares, percebida em termos da superfície do terreno e tempo despedido. Precisamente, a distância corresponde a um intervalo de espaço e de tempo entre dois lugares e dois instantes, medido em termos de superfície e de tempo de percurso. Entre uma cidade e uma outra temos uma distância, por exemplo, de 10 quilômetros, num percurso de 15 minutos.  O que importa nessa lógica topográfica é a capacidade de fluidez da rede e a medida que essa fluidez permite conexões rápidas os nós da rende tendem a diminuir. Por isso é que na rede urbana há uma correlação positiva entre fluidez e centralidade; por assim dizer, entre crescimento da fluidez e afirmação de determinadas centralidades, pois ao se garantir maior fluidez da rede é possível acentuar a centralidade de alguns nós, alterando profundamente a relação entre as cidades e modificando a hierarquia urbana. Por meio dessas redes viárias é que é possível o movimento cotidiano das pessoas entre morar e trabalhar ou estudar em cidades distintas, movimento esse denominado de movimento pendular.

 

A rede de proximidade relativa diz respeito às redes imateriais, como a rede de fluxos de informação e comunicação, que, não se pode esquecer, requere infra-estrutura material, como os cabos de fibra ótica implantados sob o solo. Essa rede permite que o que está territorialmente distante fique próximo e, nesse sentido, a rede proporciona uma aproximação. Essa rede não estrutura o território, como  as redes viárias, mas tem a capacidade de reforçar alguns pontos e, mesmo, de desestruturar essas redes, na medida e, no limite, claro, podem tornar obsoletas as relações tecidas por meio das redes viárias.

 

Segundo Castells  é devido ao acelerado crescimento e à complexidade crescente das redes virtuais, que se produz um espaço de fluxos onde emerge a força do tempo simultâneo. (Castells: 1999; 435). Como dissemos, essa rede imaterial obedece a uma lógica topológica, a uma lógica onde a distância entre dois pontos é medida apenas em intervalo de tempo dos fluxos imateriais, que, em extremo, pode chegar à instantaneidade, anulando-se o intervalo e, conseqüentemente, a própria distância.

Cabe observar que, por exemplo, a pouca distância territorial entre duas cidades pode ser uma grande distância em termos virtuais se uma delas não tiver uma infra-estrutura de informação e comunicação que possa se comunicar com a cidade vizinha. Por outro lado, a longa distância, medida em quilômetros de superfície entre duas cidades, pode, na lógica topológica, ser praticamente anulada dada a capacidade virtual que as cidades apresentam.

 

Pumain (2003) interroga se as novas tecnologias de informação e de comunicação não estariam conduzindo a uma geografia sem escala. E, Buzenot diz que "daqui em diante, as interações espaciais não se farão mais unicamente segundo as regras de um espaço topográfico onde as distanciais são os fatores de diferenciação, mas segundo as regras de um espaço topológico onde a capacidade de estar conectado ou vinculado torna-se fator de diferenciação e gerador de desigualdades". (Buzenot: 2007)

 

A propriedade que as redes têm de conectividade pode ser ao mesmo tempo elemento que une o que está separado, mas que também distingue e separa o que tem capacidade de se conectar daquele que não o tem. É união e separação. Em geral, só se percebe a combinação, os laços de ligação, que se realizam pela equivalência (por exemplo, dois pontos apresentam condições de conectividade), mas há o seu contrário também, a diferenciação, que é importante de ser percebida porque se constitui num elemento da fragmentação do espaço. 

 

Para Borja & Castells, as:

 

"redes constituem a nova morfologia social de nossas sociedades e a difusão da lógica das redes modifica de forma substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e d experiência, poder e cultura... A presença da rede ou a ausência dela e a dinâmica de cada rede em relação às outras são fontes cruciais de dominação e transformação de nossa sociedade: uma sociedade em rede.... (Borja & Castells:1999; 487).

 

Essa sociedade em rede é quem edifica a cidade global, que para ele não é:

 

 "Nova Iorque, Londres ou Tóquio, ainda que sejam os centros direcionais mais importantes do sistema. A cidade global é uma rede de nós urbanos de distintos níveis e com distintas funções que se estende por todo o planeta e que funciona como centro nervoso de uma nova economia, em um sistema interativo de geometria variável ao qual deve constantemente se adaptar de forma flexível, as empresas e cidades. O sistema urbano global é uma rede, não uma pirâmide. (grifo nosso) (Borja & Castells: 1997; 42, 43) 

 

Tanto quanto as redes definem o novo sistema urbano global, segundo expressão de Castells, definem também um novo espaço que estamos nos referindo como metrópole dispersa ou metrópole expandida territorialmente, que em São Paulo constitui claramente uma cidade-região deixando transparecer nitidamente que estamos diante de um território em rede, onde, segundo Mogin, no cotidiano desse novo espaço se "valorizam as ‘relações horizontais' e sua ligação pólo a pólo a expensas das relações verticais e piramidais, pólo-hinterlância". (Mongin: 2006; 226)

 

O mesmo diz Caravaca Barroso:

 

 "as relaciones de pólo a pólo, as relaciones horizontais, descrevem melhor a realidade atual que as relaciones verticais, hierárquicas entre o pólo e sua hinterlândia. O espaço organizado segundo a distância é continuo e hierarquizado. O espaço organizado em redes é descontínuo e fragmentado". (Caravaca Barroso:1998; 10)

 

Estamos, portanto, diante de uma grande transformação, uma vez que as relações verticais entre uma cidade e sua hinterlândia e as tradicionais relações de hierarquia entre cidades cederam lugar para relações mais horizontais que reestruturam a hierarquia entre as cidades.

 

Como dissemos as redes são, antes de tudo, estratégicas para a reprodução do capital e a intensidade das transformações pelas quais elas vêm passando advém da necessidade permanente de adequá-las à nova lógica da reprodução do capital.

 

"Com a mundialização das trocas... com o papel crescente dos grandes mercados, dos centros de impulsão e de decisões, com a urbanização rápida do planeta, é o mundo inteiro que participa da vida  urbana. Há, então, uma passagem da escala das redes urbanas locais, regionais, quer nacionais, para a que é referida, muitas vezes, como sistema-mundo. Essa passagem, essa imbricação parcial não são fundamentalmente coisas novas. O que é novo é a aceleração do fenômeno". (Bruyelle: 1994; 3).  

 

Essa idéia de aceleração é importante, porque muito do que é dito como novo aparece como novo devido a intensa velocidade com que se apresenta. Redes sempre existiram, mas a incrível velocidade da fluidez, até chegar à instantaneidade, é que é a novidade. Como dissemos, essa estratégia em acelerar os fluxos advém da necessidade constantemente reduzir o tempo de rotação do capital e, conseqüentemente, de sua reprodução. 

 

Nesse sentido, as redes constituem forças produtivas e condições gerais de produção. Constituem forças produtivas, tanto quanto as máquinas e matérias primas e são condições gerais de produção porque possibilitam estabelecer a relação entre o processo imediato de produção com o conjunto geral da produção e circulação do capital. As redes ao se constituírem como condições gerais de produção viabilizam não apenas um capital em particular, mas o capital em geral; por isso simultaneamente separam e reúnem diferentes processos de produção, a circulação e o consumo. Essa simultaneidade configura a concentração e a dispersão territorial das atividades e altera a vida cotidiana, a organização funcional e os limites territoriais das cidades. A importância que assume a versatilidade das redes, sua inédita dimensão e complexidade, não parecer ser o fim das cidades, mas certamente é a configuração de algo novo.

 

Viver numa metrópole dispersa como São Paulo é viver numa região

 

São Paulo, essa grande metrópole dispersa, essa metrópole expandida territorialmente, essa cidade-região, onde cerca de 700 mil pessoas se deslocam diariamente do seu município de moradia para irem trabalhar ou estudar no centro desse conjunto territorial, a cidade de São Paulo, exemplifica um dos aspectos da negação da vida na cidade em favor da região? Os shopping-centers ao longo das principais rodovias buscando servir a mais de uma cidade e o mercado de terras e edifícios com seus anúncios que remetem diretamente aos eixos viários e a possibilidade de acesso a esse mercado a partir de várias cidades não revelam, também, um aspecto da negação da vida na cidade em favor da região?

 

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As redes viárias, sua fluidez, são estruturantes na constituição dessa metrópole dispersa. Esse sentido de viver numa região, mais que numa cidade, revela a idéia de conjunto territorial. Habitat, emprego e atividades estão integrados no funcionamento cotidiano dessa região. Integrados graças ao descompasso que se faz presente entre o emprego - os postos de trabalho -  e a população ativa de uma cidade. Ou entre a possibilidade de educação formal (instrução) em relação à população. Integrados, também, devido a um aspecto específico da fragmentação do espaço, o mercado imobiliário, que segrega territorialmente a população. 

 

No Brasil, é nessa metrópole dispersa, nessa metrópole expandida territorialmente, que vamos encontrar o exemplo máximo de movimentos pendulares. Segundo Moura, Castello Branco & Firkowski, estão relacionados à pendularidade a "dinâmica do mercado de terras no município-pólo dos aglomerados; a alteração do perfil econômico e a desconcentração da indústria para municípios que não o pólo ou distritos industriais consagrados; o acesso diferenciado ao mercado de trabalho e/ou oportunidades de estudo; os custos e a qualidade do transporte disponível e o tempo de deslocamento. Esses fatores, aliados à "transparência" dos limites municipais, contribuem definitivamente para a extensão territorial das cidades. E, em algumas delas, para o reforço do processo de configuração de aglomerações ou da metropolização. Nesse sentido, a intensificação dos movimentos pendulares remete às considerações feitas por Geddes (1994) quanto à irrelevância dos limites administrativos na vida cotidiana metropolitana e a necessidade de sua superação, sob pena de se continuar intervindo no espaço metropolitano de forma fragmentada e não considerando a totalidade". (Moura, Castello Branco & Firkowski: 2005; 132)

 

Para Gilly (2005), que analisou os deslocamentos entre o domicílio e o trabalho na Bacia Parisiense, esses deslocamentos são essenciais na estruturação do espaço, trazendo luz para a  compreensão da interação entre as cidades. E, como bem assinalou Derruaux, os estudos entre o domicílio e o local de trabalho devem ser considerados para o que ele chamou de "estudo da geografia das cidades e arredores". (Derruaux: 1964; 67)  

 

Os movimentos pendulares em direção à cidade de São Paulo chegam a 673 mil; ou seja, vêem diariamente à capital, como dissemos, cerca de 700.000 pessoas para trabalhar ou estudar. Desse total, 82 mil procedem de municípios dos arredores da região metropolitana, dos municípios exteriores à região metropolitana de São Paulo, sendo que 42 mil vêem: das regiões de Santos, Campinas, Jundiaí e Sorocaba. Acresce-se a esse último dado os que vêem da região de São José dos Campos e demais municípios do estado (25,3 mil).[4]

 

O fluxo dos movimentos pendulares da cidade de São Paulo para outras cidades é bem menor, de 95 mil pessoas.[5] Segundo estimativas da Fundação SEADE, está previsto, para 2010, um aumento de 20% nesses deslocamentos a indicar a intensificação da rede de relações entre as cidades.

 

Em suma, há um grande movimento cotidiano de ir e vir, nessa metrópole dispersa que pode ser percebido pelos movimentos pendulares como um indicativo de unidade desse conjunto territorial.

 

As redes viárias, por onde se realizam os movimentos pendulares, além das virtuais, imprimem coesão na dispersão.

 

Considerações Finais

 

A produção do espaço urbano assume o centro do processo de acumulação capitalista, emergindo da condição secundária para a de protagonista principal. Isso se deve porque na sociedade moderna a produção da riqueza tem na valorização imobiliária uma estratégia que dá novo fôlego à reprodução do capital. Não é à toa, portanto, que qualquer abalo nesse setor estremece o mundo. Produzir a cidade, convém destacar, é também, produzir as condições urbanas e reproduzir as relações sociais.

 

O espaço produzido caracteriza-se por ser ao mesmo tempo homogêneo, fragmentado e hierarquizado, segundo proposição de Léfèbvre. A homogeneização torna os espaços semelhantes, porém essa homogeneização se fragmenta e é ai que reside um dos aspectos da desurbanização, a negação do urbano. Fragmenta-se o espaço e devido às diferenças que se apresentam, se edificam hierarquias e se reestruturam as relações de subordinação e dominação.

 

Não resta dúvida que a perspectiva lefebvriana, que coloca o espaço como central para se compreender a sociedade contemporânea (como também para superá-la) se torna, mais e mais atual, como buscamos mostrar nesse texto. Como foi comentado, a partir da discussão do trabalho social na obra de Marx, Léfèbvre tece considerações acerca do espaço e propõe essa tríade teórica e metodológica para se compreender o espaço.

 

A contribuição de Castells se junta a de Léfèbvre no que diz respeito à compreensão da sociedade atual como sendo uma sociedade em rede. As distâncias teórico-metodológicas entre ambos os autores não significa a impossibilidade de complementaridades. A ênfase dada, por Castells, às redes, destacando-se aí, as virtuais, desvenda aspectos importantes para se compreender a produção social do espaço nos dias atuais, uma vez que a sociedade atual se constitui como uma sociedade em rede.

 

Importante frisar, terminando a discussão, que o que acabamos de dizer não significa a proposição de uma mescla teórica e metodológica, que seria de grande incorreção, mas a de pinçar aspectos importantes que se apresentam dispersos em vários autores, que permitem melhor interpretar o real que se apresenta.

 

 

Notas



[1] Disponível em <http://www.quebarato.com.br/classificados/terreno-jacarei-5-min-da-dutra-lindo-4-000m2-de-89-por- 56-000__1448772.html> Acesso em 23 de fevereiro de 2010.

[2] Disponível em <http://74.125.45.132/search?q=cache:http://www.arujahills3.com.br/asp/loc.asp>. Acesso em 23 de fevereiro de 2010.

[3] Disponível em <http://www.setenascentes.com.br/condominio_no_interior.php>. Acesso em 23 de fevereiro de 2010

[4] Fonte IBGE: 2000

[5] Idem

 

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