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Actas del XI Coloquio Internacional de Geocrítica

LA PLANIFICACIÓN TERRITORIAL Y EL URBANISMO DESDE EL DIÁLOGO Y LA PARTICIPACIÓN

Buenos Aires, 2 - 7 de mayo de 2010
Universidad de Buenos Aires

 

PRODUÇÃO/APROPRIAÇÃO DE LOTEAMENTOS FECHADOS: UMA LEITURA A PARTIR DOS IMAGINÁRIOS URBANOS

 

Maria Angélica de Oliveira

Universidade Estadual Paulista - UNESP Presidente Prudente

angelicoliveira@yahoo.com.br

 


Produção/apropriação de loteamentos fechados: uma leitura a partir dos imaginários urbanos (Resumo)

O fechamento de certas parcelas da cidade, por meio de barreiras físicas e simbólicas que permitem o controle e a limitação do acesso, e assim, uma pretensa segurança, é um dos conteúdos que compõem o processo de urbanização contemporâneo. Os loteamentos fechados representam a modalidade residencial desses novos espaços, que vêm sendo produzidos a partir de diferentes tipos e disseminados em cidades de tamanhos e papéis distintos. Os loteamentos fechados ribeirinhos, espaços destinados ao lazer em contato com a Natureza, são um desses novos habitats. Sua produção/apropriação combina, em suas diversas fases, aspectos materiais e simbólicos, mostrando que, além da dimensão material, devem ser considerados para sua compreensão, também, os aspectos subjetivos ligados ao imaginário social.

Palavras-chave: Loteamentos Fechados, Imaginários Urbanos, Segurança Urbana, Natureza.


Creation/appropriation of gated communities: urban imaginaries as an starting point in the approach (Abstract)

The enclosing of some parts of the city by using physical and symbolical barriers that permit surveillance and limit access (then a supposed security) is a content, amongst others, that belongs to the contemporary urbanisation. The gated communities represent a residential expression of these new spaces that have been produced and disseminated in cities of different roles and size. The riverside gated communities are spaces for amusement and contact with nature. The production and appropriation of these spaces combine, in their different stages, material and symbolical aspects. Although, it is important to show that the subjective aspects linked to social imaginary must be considered as well as the material ones.

Keywords: gated communities, urban imaginaries, urban security, nature.


Com a crescente difusão de empreendimentos residenciais fechados, de diversos tipos, em cidades de diferentes dimensões e papéis, em países que apresentam conjunturas socioespaciais específicas, torna-se necessária a observação das nuances distintas presentes nos processos de idealização, implantação e consumo desses produtos imobiliários, nos diferentes contextos em que aparecem.

Um dos tipos de empreendimentos residenciais fechados que estão sendo implantados nas cidades brasileiras são os loteamentos fechados ribeirinhos, objeto da presente análise. Esses espaços apresentam acesso controlado, são destinados ao lazer em contato com a Natureza, localizados nas margens de rios e próximos a áreas com presença de vegetação, seja ela nativa ou resultado de reflorestamento. São espaços prioritariamente utilizados como segunda residência, nos períodos de férias, feriados e finais de semana. O público alvo desses empreendimentos são os segmentos de renda média a alta.

Esse artigo refere-se ao estudo de loteamentos fechados ribeirinhos localizados em três cidades pequenas pertencentes à região noroeste do Estado de São Paulo - Buritama, Penápolis e Zacarias. Dessa maneira, podem-se observar as especificidades da implantação e da apropriação de empreendimentos residenciais fechados em cidades de pequeno porte, associando esses processos com as dinâmicas referentes às cidades médias, visto que a maior parte dos consumidores dos espaços fechados estudados é oriunda dessas cidades. Portanto, verifica-se que a proliferação dos loteamentos fechados, em número e em variedade de tipos, não está restrita apenas às metrópoles ou grandes cidades. 

A abordagem utilizada para o desenvolvimento do estudo acerca dos loteamentos fechados ribeirinhos é pautada na interdependência dos aspectos materiais e simbólicos que se unem dialeticamente na produção/apropriação desses espaços. De acordo com Castoriadis (1982), tudo o que nos é apresentado, no mundo social-histórico, está indissociavelmente entrelaçado com a dimensão simbólica. Assim, todos os atos "reais", individuais ou coletivos, como o trabalho, o consumo, a guerra, e os inumeráveis produtos materiais sem os quais nenhuma sociedade poderia viver, são impossíveis de serem compreendidos fora de uma rede simbólica, embora não se resumam a ela.

Sendo assim, ao analisar, por exemplo, a produção/apropriação dos espaços urbanos, não se pode considerar apenas os fatores objetivos que compõem as diferentes variáveis presentes nesses processos, visto que diversos aspectos subjetivos participam efetivamente de suas constituições.

Uma das formas de apreender o papel dos aspectos subjetivos na produção/apropriação do espaço é a partir da análise dos imaginários urbanos. Segundo Silva (2001) o imaginário não é apenas um reflexo da realidade, mas sim, uma parte integrante e constitutiva da sociedade, a partir da qual as pessoas fixam, histórica e culturalmente, estruturas de significação e assim, dão forma e sentido a suas vidas e suas ações. Desse modo, o imaginário é entendido não como uma forma estática e estéril de subjetivação da realidade, visto que é a partir dele que vão sendo encadeadas as diferentes escolhas e ações que vão tecendo o cotidiano das pessoas.

Nesse sentido, como procedimento metodológico utilizado para a captação dos imaginários associados aos loteamentos fechados ribeirinhos foram realizadas entrevistas, com roteiros semi-estruturados, com diferentes agentes envolvidos no processo de produção/apropriação desses espaços, considerando pessoas de diferentes segmentos sociais, dentro e fora dos muros desses empreendimentos. Foram realizadas também, observações em campo com o intuito de verificar como as informações obtidas eram materializadas objetivamente.

A produção dos espaços residenciais fechados não pode ser isolada do processo de idealização que os promotores imobiliários realizam acerca desses empreendimentos, com o objetivo de aumentar a aceitação desses espaços e, conseqüentemente, ampliar o mercado consumidor para esse tipo de produto imobiliário.

Portanto, ao escolher comprar uma residência num empreendimento fechado, a pessoa não está comprando apenas uma casa, está comprando um conjunto simbólico produzido para distinguir esse tipo de espaço dos demais. Ao selecionar o empreendimento que se mostrou objetiva e subjetivamente mais atraente, as pessoas estão escolhendo um conjunto de símbolos, que irá representá-las e diferenciá-las das demais, indicando seus gostos, suas posições sociais e seus estilos de vida.  

De acordo com Castoriadis (1982, p. 155), o imaginário utiliza o simbólico para se exprimir e para existir, para poder passar do virtual a qualquer coisa a mais. As imagens utilizadas na construção do imaginário são revestidas de valor simbólico e o simbolismo, por sua vez, pressupõe uma capacidade imaginária, ou seja, a capacidade de ver em uma coisa aquilo que ela não é, de vê-la diferente do que é. Isso porque o simbolismo supõe a capacidade de estabelecer um vínculo permanente entre dois termos, de maneira que um "representa" o outro.

Para Bourdieu (1989, p. 10), os símbolos são os instrumentos por excelência da integração social, porque enquanto instrumentos de conhecimento e de comunicação, eles tornam possível o consenso acerca do sentido do mundo social, contribuindo para a reprodução dessa ordem. Sendo assim, cada sociedade possui seu conjunto de símbolos e significados, que só podem ser entendidos dentro de cada contexto histórico-cultural. O mesmo símbolo pode ter significados diferentes para pessoas que pertencem a períodos históricos e a realidades socioespaciais distintos. Isso porque para a percepção do significado de cada símbolo, precisamos de um conjunto de elementos cognitivos pré-existentes.

Como resultado da análise dos imaginários acerca dos loteamentos fechados ribeirinhos, foram identificados três símbolos principais associados a esses espaços, com base nos quais esse artigo será pautado. Esses símbolos referem-se ao contato harmonioso com a Natureza, à busca de uma segurança total e à constituição de uma "comunidade de iguais".

 

Loteamentos fechados ribeirinhos: "pedaços do paraíso" denotadores de distinção social

 

A partir das entrevistas realizadas com proprietários e não proprietários de casas nesses empreendimentos, assim como das análises dos materiais publicitários utilizados para vender lotes nesses espaços, constatou-se uma intensa idealização que associa os loteamentos ribeirinhos à espaços de refúgio, ao paraíso, à recantos de Natureza, cantinhos de sossego, como podemos observar nos depoimentos a seguir.

 

"O meu rancho aqui no condomínio é meu paraíso. É o único lugar onde eu posso vir e ter sossego. Aqui é uma delícia, tem o rio, as quadras, o barulho dos passarinhos quando a gente acorda. Além disso, é um lugar super seguro, a gente pode dormir com a porta aberta" (52 anos, comerciante, proprietário de lote no loteamento Belvedere, em Penápolis).

 

"Olha só a paisagem desse lugar! Quer coisa melhor! É muito bom passar os fins de semana aqui, pescar, nadar, jogar bola, beber uma cerveja. É um lugar de descontração, festa, mesmo. Não é exagero se eu falar que minha vida mudou depois que eu comprei esse rancho aqui" (38 anos, escrevente judiciário, proprietário de lote no loteamento Portal da Praia, Buritama).

 

"Sem dúvida são lugares bons, agradáveis, que oferecem um contato com a Natureza, tranqüilidade, vigilância, controle. Então é para quem gosta de sossego mesmo. Ir para lá e fazer um jardim, tratar dos passarinhos, sei, lá! Desestressar mesmo. Pode ser considerado como o cantinho do sossego" (41 anos, contador, não proprietário, residente na cidade de Buritama)

 

Outro aspecto presente no imaginário acerca dos loteamentos fechados ribeirinhos é a questão da distinção social. Esses empreendimentos são percebidos, tanto pelos proprietários, quanto por aqueles que ficam fora de seus muros, como espaços portadores de status, capazes de indicar estilo de vida e posição socioeconômica.

A presença dos muros não é a única barreira existente entre os "de dentro" e os "de fora". Os segmentos de menor poder aquisitivo reconhecem que os loteamentos fechados ribeirinhos não são espaços destinados a eles e sim, para os "mais ricos". Desse modo, além da distância objetiva que os muros e cercas geram entre os diferentes segmentos sociais, existem paredes simbólicas que demarcam subjetivamente os limites entre eles, como se observa nos depoimentos abaixo.

"É uma forma de vida diferente, para quem tem dinheiro. Não é para pobre não. Mas deve ser bom, para quem pode pagar. (...) Deve ser bom passar os fins de semana lá, nadar no rio, andar de barco, fazer churrasco, caminhar de tardinha. Deve ser bom também, ter só vizinho rico, olha que beleza! Parece que você se sente até melhor, é chic!" (51 anos, frentista, não proprietário, residente na cidade de Penápolis).

 

"Olha, as casas são muito bonitas. Imagina só as casas dessas pessoas na cidade. Eu acho que essas pessoas são privilegiadas, porque ter casas nesses condomínios não é pra qualquer um. A gente vê que eles têm mais dinheiro, mais condições. Vai a gente querer uma casa lá! A gente nem entra na portaria" (43 anos, tratorista, não proprietário, residente na cidade de Zacarias).

 

"Se eu tivesse condições financeiras, dinheiro sobrando, é lógico que eu ia querer ter um rancho dentro de um condomínio na beira do rio. Parece que é diferente, não sei. Quando você fala condomínio, já dá um ar diferente, parece que é coisa importante. Dá mais destaque do que se você falar que tem um rancho comum. Então se eu pudesse escolher, é claro que eu ia preferir ter um rancho dentro de um condomínio" (56 anos, comerciante, não proprietário, residente na cidade de Buritama).

 

Mas a questão da distinção social não aparece apenas entre aqueles que possuem casas nos loteamentos fechados ribeirinhos e aqueles não possuem poder aquisitivo para comprá-las. Verifica-se também, que a distinção é feita a partir de diferenciações nos níveis de status que os empreendimentos podem oferecer. Nesse sentido, tanto os entrevistados do grupo de pessoas que possuem casas nos loteamentos fechados ribeirinhos, quanto os do grupo dos não proprietários, percebem que alguns empreendimentos são mais exclusivos e destinados às pessoas de maior padrão econômico e que outros são mais acessíveis também para os segmentos de médio poder aquisitivo. É o que podemos verificar nos depoimentos que se seguem.

 

"Quando a gente foi comprar o rancho aqui, nós fizemos muita pesquisa, visitamos outros condomínios, aqui mesmo em Buritama e também em outras cidades. Nós decidimos por esse, porque a gente percebeu que aqui, o controle das pessoas que compram os lotes é maior, as construções são mais homogêneas. Na verdade, o que a gente encontra aqui são pessoas com um poder aquisitivo melhor e isso mantém o nível do empreendimento. A gente visitou alguns condomínios que eram muito desiguais, com nível mais baixo" (48 anos, empresária, proprietária de casa no loteamento ribeirinho Orla Um, em Buritama).

 

"A gente não pode falar que os loteamentos são todos iguais. Têm aqueles que são mais para os ricos, como o Orla Um e o Lago Azul. Ali só quem tem dinheiro é que pode construir. Os terrenos são mais caros, as casas são verdadeiras mansões. Aqui não, até eu pude comprar um lote e fazer meu ranchinho. E a gente sabe que tem muita gente aqui que compra um lote em sociedade, junta com uns amigos e compra, constrói um quiosque e pronto. Nesses outros, não. As pessoas constroem mansões mesmo" (50 anos, comerciante, proprietário de lote no loteamento Portal da Praia).

 

"Quando a gente passa ali pela estrada, a gente percebe as diferenças. O Portal [da Praia] vamos dizer que é mais democrático, mais para o povo. Agora é que começou a ter umas ‘casonas' lá. Mas tem casas mais simples também. No Orla [Um] não, lá a coisa é mais chique, a gente percebe pelas casas. Os donos de lá devem ser mais ricos" (64 anos, aposentado, não proprietário, residente na cidade de Buritama)

 

"Olha, condomínio bom mesmo eu considero o Marina Bonita aqui em Zacarias. Um dia eu fui lá ajudar um amigo meu que é eletricista e foi fazer um serviço lá. Aquilo nem parece que é em Zacarias, uma cidadezinha tão pequena, que não tem nada! Lá é coisa fina. Agora o Itaparica, por exemplo, eu tenho um amigo meu que tem um rancho lá. É bonito também, gostoso. Num domingo a gente foi almoçar lá. Mas não é igual, imagina se ele ia poder comprar um lote lá no Marina!" (43 anos, tratorista, residente na cidade de Zacarias).

 

Percebemos, dessa maneira, que alguns loteamentos fechados ribeirinhos possuem mais prestígio, pois são considerados como sendo exclusivos para pessoas com altos rendimentos. Os outros são considerados mais "normais", porque pessoas com rendimentos mais baixos também conseguem ter acesso à compra de lotes neles.

É interessante destacar que essa exclusividade presente nos loteamentos fechados para pessoas de alto poder aquisitivo é muito valorizada pelos proprietários e também pelos incorporadores, responsáveis pela venda de lotes nesses empreendimentos. Eles consideram que a presença de segmentos de menor nível de renda dentro dos loteamentos acaba "estragando" o empreendimento, visto que mesmo que consigam pagar o lote, não terão capacidade financeira para construir casas nos padrões arquitetônicos definidos pelo loteamento. Sobre isso, é relevante analisar o depoimento a seguir.

"Eu sei de um caso que aconteceu no loteamento Lago Azul. Há alguns anos atrás, um policial de Araçatuba que trabalhava aqui em Buritama e tinha um lote lá, foi meio que expulso do loteamento. Ele tinha feito só uma casinha pequena, com quarto, banheiro e cozinha e os outros donos do loteamento acharam que a casa dele estava destoando das outras. Aí eles começaram a pressionar o cara, para ele construir uma casa melhor, nos padrões do condomínio, para não desvalorizar o investimento deles. Isso foi parar até na justiça. Mas no final, o que aconteceu é que os dois vizinhos do lote dele começaram a oferecer um preço muito alto pela casa dele, e aí ele acabou vendendo. Depois as pessoas que compraram derrubaram a casinha e colocaram o lote à venda de novo. Eles só queriam que o cara saísse do condomínio" (36 anos, comerciante, proprietário de lote no loteamento Riviera Santa Bárbara, Buritama)

 

Podemos perceber assim, que a estética arquitetônica do empreendimento é de extrema importância, visto que a aparência das casas vai denotar o poder aquisitivo de seus consumidores e, consequentemente, o status daqueles espaços, fato que serve para valorizar o loteamento.  De acordo com Bourdieu (1996, 22), o consumo é uma forma de estabelecimento de distinção. Nesse sentido, ao consumirem espaços ligados a símbolos de status, bom gosto, exclusividade e homogeneidade social, as pessoas estão demarcando seu lugar no "espaço social", distinguindo-se das outras.

Para Bourdieu (1974, p. 16), as diferenças estritamente econômicas podem ser duplicadas pelas distinções simbólicas na maneira de consumir certos produtos e por meio do consumo simbólico, ou ostentatório, que transmuta os bens em signos, as diferenças em distinções. 

Dessa maneira, os proprietários de lotes nos empreendimentos fechados ribeirinhos de alto padrão, desejam manter e ressaltar, material e simbolicamente, as diferenças que distinguem seus espaços de lazer e eles próprios, das pessoas e dos espaços dos demais segmentos sociais. O consumo desses empreendimentos torna visível, espacialmente, as marcas de distinção concebidas no plano simbólico.

Sendo assim, esses empreendimentos apresentam uma função simbólica que extrapola as funções materiais e objetivas dos possíveis usos que podem ser realizados nesses espaços. Nesse sentido, a imagem desses loteamentos é valorizada. Não basta consumir objetos e espaços destinados a pessoas mais ricas. Esses espaços e objetos devem exprimir as "qualidades" de seus consumidores. Portanto, qualquer quebra da estética, considerada como ideal, nesses loteamentos fechados, significa uma ruptura na função distintiva que lhes é simbolicamente atribuída. 

No entanto, essa valorização da homogeneidade paisagística e social, como fator de distinção e exposição de status e estilo de vida, não é exclusiva das pessoas que possuem casas nos loteamentos de mais alto padrão. Alguns entrevistados dos loteamentos considerados como destinados a pessoas de médio poder aquisitivo também se ressentem da presença de pessoas com menor nível econômico dentro dos empreendimentos e, também, consideram que as construções mais modestas desvalorizam o empreendimento, num processo de degradação simbólica.

Dessa forma, a busca pela distinção social por meio do consumo dos loteamentos fechados ribeirinhos, espaços produzidos material e simbolicamente para serem diferenciados e diferenciadores, está presente, tanto nos segmentos de alto poder aquisitivo, quanto naqueles de poder aquisitivo médio e até baixo. A partir das entrevistas realizadas com não proprietários de casas nesses empreendimentos fechados, que apresentavam menor poder aquisitivo, pode-se verificar que existe uma vontade, também desses setores, de adquirir lotes e construir casas nesses loteamentos ribeirinhos, fato que não é consumado devido aos limites impostos pela baixa disponibilidade monetária.

Essa ubiqüidade do sentimento de demarcação social, nos diferentes segmentos da sociedade, possibilita o entendimento da produção de empreendimentos fechados para setores sociais diferenciados, visto que, na realidade estudada, existem loteamentos fechados para as elites e também para os segmentos de renda média e média baixa. Dessa maneira, pode-se constatar uma tendência à "massificação" do consumo desses espaços, ao passo que os segmentos de menor rendimento vêm adotando, guardadas as especificidades, as estratégias socioespaciais dos segmentos de alta renda. Sendo assim, o que surge num intuito de personalização, passa a ser incorporado nas práticas daqueles de quem se desejava separar.

Outro aspecto relevante, no que diz respeito ao imaginário de distinção social associado aos loteamentos fechados ribeirinhos, é o fato de que a diferenciação não é buscada apenas em relação à segmentos de poder aquisitivo diferentes. No interior dos mesmos segmentos também existe essa necessidade de mostrar a superioridade de gostos e de poder econômico. É nesse sentido que constatamos o desejo dos entrevistados de se diferenciarem dos demais proprietários, por meio das casas, dos jardins, das piscinas, enfim, a partir da ostentação dos bens materiais condizentes a seus poderes aquisitivos. Para exemplificar esse aspecto, os depoimentos a seguir são emblemáticos:

"Aqui dentro parece uma competição. Se um faz uma coisa, o outro vai lá e copia, ai o outro já não quer mais aquilo, porque o outro tem igual, faz outra coisa, modifica. É assim. Tem um homem aqui que já pintou a casa dele uma três vezes esse ano. Parece que ele quer ter sempre a casa mais bonita, o jardim mais arrumado, melhor. Ano passado ele mudou todo o jardim, plantou tudo de novo. Então, eu sinto isso. Às vezes, as pessoas nem fazem as coisas para elas mesmas, é mais para se mostrar para os outros. Mostrar que pode mais" (48 anos, empresária, residente na cidade de São José do Rio Preto, proprietária de casa no loteamento Orla Um, em Buritama).

 

"Existem mesmo pessoas que exageram. A gente ficou sabendo que teve uma mulher aqui no condomínio que contratou uma decoradora para decorar a casa, dizem que ela gastou muito dinheiro. Eu acho exagero, fazer isso em um rancho. Mas tem gente que não sabe onde gastar o dinheiro, não é? Eu já não gosto de muita ostentação, não. Você pode perceber que a minha casa é mais simples, sem muita frescura. Justamente porque eu acho que a gente vem para cá para ficar sossegado, tranqüilo. Não precisa ficar mostrando, se tem dinheiro ou não tem. Mas a maior parte das pessoas daqui não pensa assim, um quer ter a piscina melhor que o outro, um coloca aquecimento, o outro coloca tobogã, um coloca cascata e assim vai"(43 anos, dentista, residente na cidade de Birigui, proprietário de casa no loteamento Marina Bonita, em Zacarias).

 

Constata-se, assim, que os loteamentos fechados ribeirinhos são como vitrines, onde as pessoas demonstram seu poder aquisitivo, seus gostos e estilos de vida, perante seus diferentes, mas também, em relação a seus iguais. A estética da paisagem, com casas bonitas, bem decoradas, com jardins bem cuidados, serve para diferenciar e valorizar o empreendimento, visto que ao conter esses atributos, podem ser considerados como espaços exclusivos, considerando o fato de que quanto mais o empreendimento reunir elementos diferenciadores, mais status proporcionará aos seus consumidores.

 

Os imaginários da Natureza nos loteamentos fechados ribeirinhos: Natureza ideal, Natureza ajardinada e Natureza selvagem

 

De acordo com Gonçalves (1998, p.23), o conceito de Natureza é resultado de uma construção social, ou seja, é um conceito criado pelo homem. Segundo ele, toda sociedade e toda cultura cria e institui uma determinada idéia de Natureza que vai influenciar na sua forma de agir sobre ela. Em nossa sociedade, a Natureza se define por tudo aquilo que se opõe à cultura, tomada como algo superior, capaz de controlar e dominar os elementos naturais.

A análise das concepções de Natureza que perpassam a produção/apropriação dos loteamentos fechados ribeirinhos é fundamental, pois ela é o principal diferencial vendido nesses empreendimentos. A partir das entrevistas e das observações em campo foi possível identificar que o imaginário acerca da Natureza nos espaços estudados é marcado por três visões contraditórias que se complementam, marcando os tipos de relações que os proprietários de casas nesses loteamentos estabelecem com os elementos naturais.

A primeira concepção de Natureza identificada nos loteamentos ribeirinhos é a ideal. Ao longo do processo histórico os elementos naturais foram relegados a segundo plano na constituição dos espaços urbanos. Quando o processo de urbanização tomou impulso, a partir da industrialização da sociedade, houve um esforço no intuito de associar as lógicas urbanas à modernidade e ao progresso. Consequentemente, a Natureza, tida como elemento constitutivo dos espaços rurais, foi sendo deixada de lado nos projetos urbanos, como se fosse uma dimensão a ser superada. O resultado disso é que a presença da Natureza nos espaços urbanos passa a ocorrer de forma residual, fruto do fetichismo criado em torno de tal conceito. A Natureza é vista apenas pelo seu potencial como recurso e como elemento de valorização estética. Assim, a Natureza "natural" se distancia e dá lugar à segunda Natureza, como destaca Lefebvre (1969). Nas cidades, os elementos naturais são arranjados paisagisticamente, no intuito de criar um cenário mais agradável para as práticas cotidianas, valorizando os empreendimentos imobiliários.  

A Natureza, dessa maneira, entra para o circuito das raridades (Lefebvre, 1969). Como raridade, passa, no âmbito do sistema capitalista de produção, a ter um valor de troca maior.  Os elementos naturais tornam-se assim, mercadorias e o acesso a eles fica restrito àqueles que tiverem condições financeiras que possibilitem sua apropriação, em espaços como os loteamentos fechados ribeirinhos, tidos como redutos onde se pode ter um contato harmonioso com a Natureza.

A seguir, são apresentados alguns depoimentos que representam a maneira idealizada pela qual a Natureza é percebida pelos proprietários de casas nos loteamentos ribeirinhos. A visão de que os elementos naturais presentes nas cidades são apenas resquícios que não representam a Natureza "real", justifica a busca por espaços específicos, onde o ideal de Natureza "natural" é trabalhado e vendido como um diferencial.

"Natureza, eu penso assim, que são as coisas que não foram construídas pelo homem. Então, as árvores, as plantas, os bichos, tudo isso é Natureza.(...) Na cidade a gente tem um pouco de Natureza, mais é diferente do campo. Aqui [no loteamento] a gente tem a Natureza mesmo, é uma Natureza mais espontânea, mais do jeito que ela é mesmo" (46 anos, professora, residente na cidade de Birigui, proprietária de casa no loteamento Portal da Praia, em Buritama).

 

"Olha, Natureza é bicho, planta, rio, terra, tudo isso é coisa da Natureza. (...) ah, na cidade eu acho que tem pouca Natureza. É mais difícil de encontrar. Por exemplo, aqui em Penápolis tem o córrego Maria Chica. Mas é feio, está canalizado, cai esgoto. Então que prazer que dá olhar aquilo? Nenhum. Então Natureza é mais bonita, mais... livre, eu acho. (...) no rancho é diferente, aqui é a própria Natureza. A gente comprou o lote aqui por causa disso, na cidade não tem Natureza e a gente gosta de ter contato com essas coisas, relaxa a gente. Lá tem passarinho, peixe, rio, ar puro, árvores, é muito bonito, sossegado" (48 anos, dona de casa, residente na cidade de Penápolis e proprietária de casa no Condomínio Belvedere, na mesma cidade).

 

Nos materiais publicitários, encontram-se frases que indicam a possibilidade de um contato diferenciado com a Natureza, nos loteamentos ribeirinhos: "Deixe a natureza fazer parte do seu dia-a-dia", "Lago Azul e você, a natureza completa", "A harmonia entre homem e natureza", "Venha para esse verdadeiro paraíso natural", "No Marina Bonita a natureza e a boa vida te esperam". Pode-se observar também, que as imagens utilizadas para caracterizar os empreendimentos são de paisagens que mostram uma Natureza exuberante, sem a interferência de elementos culturais.

Essa Natureza idealizada, presente nos loteamentos fechados ribeirinhos é associada com a geração de percepções como a de tranquilidade, qualidade de vida, união familiar, diversão e da volta de um tipo de relacionamento com uma Natureza primitiva que havia sido perdido.

No entanto, o que encontramos nesses empreendimentos esta longe de ser essa Natureza "natural" idealizada pelos empreendedores imobiliários e presente no imaginário dos proprietários de casas nesses espaços. A Natureza real, encontrada nos loteamentos ribeirinhos é composta por elementos naturais organizados paisagisticamente e combinados com infra-estruturas urbanas que permitem que os proprietários consumam a Natureza de uma forma confortável. Dessa maneira, a Natureza ideal dá lugar a uma Natureza ajardinada, melhorada, controlada e organizada, para que os consumidores desses espaços possam tirar o máximo proveito de suas qualidades cênicas. Portanto, é uma Natureza tecnificada e humanizada, que não é tão "natural" quanto querem lhe representar. Como exemplo de manipulação dos elementos naturais nesses empreendimentos, pode-se citar a introdução de espécies ornamentais em detrimento da vegetação nativa, o plantio de árvores em linha reta, contrariando os movimentos sinuosos e assimétricos característicos da Natureza "natural", a presença de plantas podadas em formas geométricas, a colocação de areia branca na margem dos rios, entre outras ações no intuito de conferir aos elementos naturais um caráter paisagístico mais condizente com o gosto dos citadinos.

Outra concepção de Natureza presente no imaginário dos proprietários de casas nos loteamentos fechados ribeirinhos, diz respeito à Natureza selvagem. No entender dos entrevistados, existem alguns parâmetros que devem basear a apropriação dos elementos naturais, sendo que quando esses parâmetros não são atingidos, a Natureza deve ser combatida. Dessa maneira, os depoimentos mostram que não há interesse por parte dos entrevistados em ter contato com a Natureza selvagem e descontrolada. Buscam a Natureza mediada e domada.

Nesse sentido, os entrevistados fizeram referências constantes aos espaços mal cuidados, que acabam deixando os loteamentos "feios", gerando uma desvalorização do empreendimento. A preocupação com a estética dentro desses espaços fechados não se refere apenas às construções, mas também ao controle da Natureza, para que sua face mais selvagem não apareça e "estrague a paisagem do loteamento". Assim, por exemplo, o mato que toma conta de alguns terrenos é visto como fator de desvalorização dos empreendimentos, como causa da proliferação demasiada de insetos e cobras, como elemento de quebra na estética paisagística dos loteamentos. A seguir, destacamos dois depoimentos acerca desse incômodo causado pelo mato que encobre alguns terrenos dentro dos loteamentos fechados ribeirinhos:

"Eu não acho que só porque a gente escolheu ter um pouco mais de contato com a Natureza, nós temos que passar nossos finais de semana no meio do mato. Acho que todos saem ganhando quando as pessoas cuidam de seus jardins, carpem o mato de seus terrenos. É tudo uma questão de qualidade de vida. Todos sabem que o mato gera insetos, que podem causar doenças para as pessoas. Além disso, não é agradável você ficar vendo do lado do seu rancho, um lote com mato alto, dá uma impressão de descuido, de sujeira. (...) Então eu acho que o loteamento deveria aumentar o valor da multa pra quem não deixar seu rancho ou seu terreno em ordem" (55 anos, aposentada, residente na cidade de Birigui, proprietária de casa no loteamento Portal da Praia).

 

"Com certeza, quando a gente fala de Natureza, não estamos falando desse matagal que algumas pessoas deixam nos seus terrenos. Tem gente que não está nem aí. Mas eu acho que isso deveria ser mais controlado. Se a pessoa não tem dinheiro para construir sua casa, que plantem pelo menos grama no terreno. Porque grama é melhor que o mato. É tão mais bonito ver tudo certinho" (36 anos, comerciante, residente na cidade de Araçatuba, proprietário de casa no loteamento Riviera Santa Bárbara).

 

Além do mato, outros elementos naturais causam incômodo aos entrevistados, como a poeira e o barro resultantes das ruas sem asfaltamento, os cachorros soltos pelo loteamento, os insetos, entre outros. Dessa forma, fica evidente que o que se quer não é um relacionamento mais direto com a Natureza e, sim, desfrutar os símbolos que o contato com a Natureza carrega: harmonia, tranqüilidade, bem-estar, qualidade de vida.

Todas essas concepções de Natureza vão culminar nos usos realizados nos espaços dos loteamentos ribeirinhos. Pode-se verificar que há uma dissociação visível entre o desejo de um contato mais direto e harmônico com a Natureza expresso na construção simbólica desses empreendimentos e as ações de apropriação que ali se realizam.

Sendo assim, ao observar as atividades que as pessoas realizam, nos loteamentos fechados ribeirinhos, constatamos que, muitas vezes, os entrevistados que revelaram o desejo de ter um contato mais próximo com a Natureza, na verdade, não costumam desfrutar dos elementos naturais desses empreendimentos. Os depoimentos mostram que muitos entrevistados nunca tinham ido caminhar nas trilhas ecológicas e que não gostavam muito de nadar no rio, visto que preferiam as piscinas construídas em seus ranchos. Evidentemente, alguns entrevistados atestaram realizar atividades em que estabeleciam contato com a Natureza. No entanto, o que chama a atenção é que, diante da ênfase dada, tanto nos materiais publicitários, quanto nos discursos dos entrevistados, à busca pela Natureza, as atividades realizadas em contato com os elementos naturais tenham aparecido em segundo plano, quando os entrevistados descreveram suas rotinas nesses empreendimentos.

A centralidade do lazer empreendido nos loteamentos fechados ribeirinhos não é representada pelos esportes ou atividades que utilizam diretamente a Natureza e que assim realizam uma reaproximação, mesmo que incompleta e mediada por símbolos, com os elementos naturais. O foco das atividades de lazer desenvolvidas nos loteamentos fechados ribeirinhos recai em atividades que poderiam ser realizadas nas cidades. A escolha dos loteamentos fechados ribeirinhos como espaço ideal para a realização dessas atividades, dá-se a partir da construção simbólica realizada em torno do conceito de Natureza, como se a simples presença dos elementos naturais fosse capaz de gerar a tranqüilidade, o sossego e o bem estar que as pessoas buscam em seus momentos de lazer.

A insegurança no imaginário acerca das cidades: busca de uma segurança total e das "comunidades de iguais"

 

As mudanças que vêm ocorrendo nas cidades contemporâneas referentes ao fechamento de espaços por barreiras físicas ou simbólicas, levando à produção de espaços de sociabilidade segmentada, trazem para a discussão a questão da (in)segurança urbana. As análises já realizadas sobre essa problemática indicam que, para justificar as práticas segregacionistas, é utilizado o argumento de que as cidades estão mais inseguras, necessitando assim, de novas estratégias socioespaciais que garantam a segurança das pessoas que nelas habitam.

Assim, uma das características mais marcantes da sociedade atual é sua crescente preocupação com a segurança. Não que as sociedades anteriores não tivessem suas inquietações acerca da segurança, mas, na sociedade atual, ela se tornou um elemento central, passando a ser um quesito norteador das escolhas que influenciam as relações entre os diferentes tipos de pessoas e, também, as relações das pessoas com os diversos tipos de espaços.

De acordo com Le Goff (1998, p.72), as cidades da Idade Média eram espaços em que a preocupação com a segurança era constante e que seus habitantes fechavam suas casas à chave e reprimiam severamente o roubo, com muito mais rigor do que atualmente. A segurança nessas cidades constituía "uma obsessão urbana, muito consciente e muito viva".

Na atualidade, o que temos de diferente é a dimensão que a insegurança adquiriu na vida social. A produção do espaço, sobretudo do espaço urbano, está em profunda ligação com os aspectos que perpassam a segurança. Os espaços passam a ser classificados e hierarquizados de acordo com suas possibilidades de oferecer uma sensação de segurança, seja ela objetiva ou subjetiva.

Os diferentes segmentos sociais possuem percepções e estratégias socioespaciais que se distinguem entre si em relação à insegurança urbana, sendo que cada segmento vai desenvolvendo suas práticas espaciais e estabelecendo suas relações sociais a partir do tipo de concepção que fazem da insegurança. De qualquer maneira, embora existam diferenças entre a percepção dos segmentos mais privilegiados e a dos segmentos menos privilegiados, a insegurança é um fator importante na produção e na apropriação das cidades contemporâneas.

As entrevistas realizadas apontam o fato de que o imaginário das cidades como espaços inseguros não é exclusividade das metrópoles e grandes cidades, onde os problemas com a violência são mais evidentes. Os entrevistados, habitantes de cidades médias e pequenas, alegaram ter percebido um aumento da insegurança nas cidades de forma geral, mesmo não sendo considerável o número de pessoas entrevistadas que tiveram alguma experiência pessoal com atos tidos como violentos. Segundo uma entrevistada:

"A situação das cidades piorou muito. Hoje em dia ninguém pode mais ficar tranqüilo. Não é mais como antigamente, que a gente podia levar uma vida mais calma, sem preocupação. Hoje a gente tem que estar sempre prestando atenção, não pode bobear, porque senão pode acontecer alguma coisa. A gente acaba vivendo sempre com medo. Eu, por exemplo, não tenho mais coragem de sair sozinha à noite. Antigamente não era assim, dava pra confiar mais" (aposentada, 55 anos, proprietária de casa no Loteamento Portal da Praia, residente na cidade de Birigui).

 

Pode-se observar na fala dessa entrevistada que ela faz uma contraposição do período atual, ao passado, em que se podia levar uma vida calma, sem preocupações. Ao ser questionada se ela ou alguém da família já tinha vivido alguma experiência de violência, a resposta foi negativa.

 

"Hoje a gente não precisa viver a violência para saber que ela está presente. A gente vê em todo lugar, todo mundo comenta. As coisas chegaram numa situação que todo mundo já sabe que ficou perigoso. Não dá para esperar acontecer, para depois ter medo. A gente sabe, não vai arriscar"

 

A partir dessa declaração, percebe-se que o sentimento de insegurança faz com que as pessoas ajam por antecipação. Elas não estão dispostas a esperar a violência se aproximar objetivamente delas, para se defenderem. Dessa forma, suas ações contra situações de insegurança, muitas vezes imaginadas, vão servir para engrossar o discurso do aumento da insegurança e as práticas socioespaciais dele decorrentes.

 

Outros entrevistados destacam o fato de que a insegurança já chegou às cidades médias e pequenas, como nos depoimentos abaixo:

 

"A segurança não é mais uma preocupação só de quem mora em cidade grande. Não tem mais essa divisão. A violência está em toda parte. É claro que em menor grau, mas ela existe também nas cidades menores. Não tem mais essa coisa de falar que cidade pequena é melhor pra morar porque é mais segura. A gente tá cansado de ver que a violência já chegou aqui também. Pode ser melhor [viver em cidades menores] por outros motivos, mas por causa da segurança não. Tá complicado. Não tem mais para onde correr" 42 anos, dentista, proprietária de casa no loteamento Orla Um, residente na cidade de São José do Rio Preto).

 

"Eu acho que a situação hoje está difícil em todo lugar. A gente liga a televisão e só vê coisa ruim acontecendo. É gente matando, roubando, parece que as pessoas perderam um pouco da sua humanidade. E pelo que a gente percebe, essa é uma situação generalizada. A gente vê casos acontecendo aqui no interior também. Não é só em São Paulo que as coisas estão perigosas, não. As coisas começaram a mudar também por aqui" (41 anos, funcionária pública, proprietária de casa no loteamento Portal da Praia).

 

"Parece até mentira, mas é verdade sim. A violência aumentou aqui também. É uma situação generalizada. A bandidagem atualmente circula de um lugar para o outro. Aí, vai espalhando a insegurança em todas as partes. A gente não se sente mais seguro, fica sempre desconfiado, achando que pode acontecer alguma coisa. Então, a insegurança aumentou aqui também" (52 anos, aposentada, residente na cidade de Zacarias).

 

Além de constituir o imaginário dos entrevistados residentes em cidades, a insegurança está presente nas percepções dos entrevistados residentes nas áreas rurais, que relataram que sentiam que a insegurança havia aumentado tanto nas cidades, quanto no campo.

 

"É uma coisa preocupante, porque a maldade humana está em todos os lugares. Tanto nas cidades grandes como nas pequenas. Então, a gente percebe que, hoje em dia, as cidades estão mais perigosas. Antigamente a gente não ouvia falar em tanta maldade como a gente vê hoje. Tá ficando cada vez mais perigoso. Até aqui no sítio a gente já anda ficando com mais medo das coisas. A gente não deixa mais o sítio sozinho, quando a gente vai pra cidade fazer compras. (...) Então, eu acho sim, que houve um aumento da insegurança, mas não é só nas cidades, é em todos os lugares" (51 anos, residente em Buritama, próximo ao loteamento ribeirinho Riviera Santa Bárbara).

 

"Com certeza, as coisas estão diferentes. Acho que é em geral. A gente vê no Rio de Janeiro, as balas perdidas, a gente vê as coisas nas cidades grandes. Mas não é só lá que a cidade está ficando mais perigosa. Aqui também, a gente assiste no jornal da região, e todo dia tem algum crime que aconteceu, algum roubo. Então as pessoas acabam ficando com mais medo, nas cidades pequenas igual às cidades grandes. E posso falar até que não é só nas cidades, na roça também. Porque ninguém tá livre de que alguma coisa ruim vá acontecer" (53 anos, residente na cidade de Zacarias, próximo ao loteamento ribeirinho Marina Bonita).

 

Dessa forma, as cidades menores, antes consideradas como redutos de tranqüilidade e segurança, passam a perder, mesmo que simbolicamente, essa qualidade, a partir da disseminação da idéia de que a insegurança generalizou-se nos espaços urbanos. Um dos sujeitos que atuam na amplificação do discurso acerca da insegurança nas cidades é a mídia, que, além dos jornais e programas sensacionalistas, tem apresentado aspectos da violência em novelas, séries e filmes, fazendo com que o cotidiano e o imaginário sejam permeados por eles. 

Para diversos agentes a insegurança urbana é uma oportunidade de auferir grandes vantagens financeiras como para a mídia, que vende a violência; os empreendedores imobiliários, que criam novos produtos, vendidos como mais seguros; as empresas de segurança privada, que oferecem seus serviços para conter o avanço da violência; os políticos, que acabam utilizando o discurso da segurança como moeda de troca. Enfim, existe uma verdadeira plêiade de agentes e de interesses que se alimenta da propagação do sentimento de insegurança urbana.

Sendo assim, deve-se levar em conta que o imaginário da insegurança urbana é formado a partir de uma violência real, pautada em ocorrências efetivas de atos violentos, e de uma violência imaginada, resultado da construção de discursos que reforçam e difundem a percepção de insegurança, mesmo em espaços em que os dados objetivos não a justifica. No caso estudado, observa-se que os índices de ocorrências de atos violentos não justificam, sozinhos, a implantação de empreendimentos residenciais fechados. Constatou-se que a produção/apropriação desses espaços está intimamente ligada às questões simbólicas que associam esses loteamentos fechados com espaços próprios das elites, onde os segmentos mais privilegiados podem ter a garantia de uma suposta homogeneidade social.

Nas entrevistas realizadas, a segurança oferecida pelos loteamentos fechados em questão, foi muito valorizada, como nos depoimentos a seguir.

"Do jeito que as coisas estão hoje em dia, com a violência crescendo sempre mais, nós preferimos um rancho em um condomínio fechado justamente para temos mais segurança. Para que o rancho não se tornasse mais um motivo de preocupação pra gente. No nosso dia-a-dia, estamos sempre alerta, prestando atenção nas pessoas, nos lugares que a gente vai. Imagina se a gente fosse ficar a semana inteira preocupado se as coisas estariam correndo bem aqui no rancho, se ninguém teria invadido, roubado. Então, o fato de que aqui a gente tem o oferecimento da segurança é muito importante sim" (48 anos, empresária, residente na cidade de São José do Rio Preto, proprietária de casa no loteamento Orla Um).

 

"Quando a gente chega aqui no condomínio parece que a gente vira outras pessoas. Porque aqui não é um ambiente de tensão, de desconfiança como na cidade. Aqui a gente tem a certeza de que podemos nos sentir em todos espaços, como se fosse estivéssemos protegidos, separados do perigo. É como se todos os problemas ficassem lá fora. Aqui dentro a gente está menos vulnerável. É muito mais seguro. Pena que a gente não pode conviver sempre em espaços que nos dão essa sensação" (49 anos, empresária, residente na cidade de Andradina, proprietária de casa no loteamento Jardim Itaparica).

 

Assim, na concepção dos entrevistados, os loteamentos fechados ribeirinhos são, devido ao controle do acesso e dos sistemas de vigilância, espaços seguros, capazes de oferecer tranqüilidade e a sensação de que estão menos vulneráveis do que na cidade aberta. Mas será que esses espaços são mesmo capazes de oferecer toda essa segurança pretendida?

A partir da análise das formas de apropriação dos loteamentos fechados ribeirinhos e pela análise das informações coletadas, comparando-as às respostas formuladas, pode-se constatar que essa segurança oferecida e tida como "total", é relativa.

Verificou-se, por exemplo, que a ronda nos loteamentos ribeirinhos é feita, geralmente, por apenas dois guardas, número considerado insuficiente diante das extensas áreas que compõem esses empreendimentos, deixando assim, diversos "pontos cegos" que hipoteticamente poderiam ser alvo de algum delito. Além disso, na maior parte dos casos, as rondas são feitas somente no período noturno, sobretudo nos dias de semana, em que os loteamentos fechados ribeirinhos ficam praticamente vazios. Esse fato pode nos oferecer indícios para que consideremos os aspectos simbólicos e simulacionais presentes no oferecimento de segurança pelos loteamentos fechados ribeirinhos, ao passo que, justamente nos períodos em que a vigilância seria mais necessária, visto que as casas ficam vazias durante a semana, são os períodos em que as rondas são menos freqüentes.

Outro aspecto que revela a necessidade de relativizar a segurança oferecida pelos loteamentos fechados ribeirinhos em questão, é o fato de que as pessoas equipam suas casas com sistemas adicionais de segurança, dentro desses empreendimentos. Por exemplo, várias casas dentro desses empreendimentos, apresentavam portões altos, muros, cadeados nos portões, grades nas janelas, alarmes e até câmeras de segurança. Essa busca de uma segurança suplementar é por si só indicadora de que, apesar do discurso de confiança na segurança oferecida pelos loteamentos, os proprietários não estão tão satisfeitos ou seguros assim. As respostas a seguir exemplificam essa questão.

"Bom, com segurança não se pode brincar. O condomínio é seguro, a gente confia. Mas a gente investiu dinheiro nessa casa, ela é completa, tem todos os eletrodomésticos, os móveis, tem tudo. Então, a gente não pode se dar ao luxo de não tomar cuidado. Os guardas podem falhar, não é possível vigiar o condomínio inteiro ao mesmo tempo. Nunca é demais estar prevenido, é por isso que a gente fez os muros e colocou as câmeras, para ter mais segurança, caso alguma coisa aconteça, já estamos preparados" (41 anos, empresária, residente no município de Penápolis, proprietária de casa no loteamento Belvedere).

 

"Atualmente, para podermos ficar seguros, temos que fazer tudo que está ao nosso alcance. Nós sabemos que o condomínio aqui é bem seguro, tem os guardas, não pode entrar qualquer pessoa, é afastado da cidade. Essas coisas dificultam a ação dos ladrões. Mas a gente tem a necessidade de complementar essa segurança. Porque cada vez mais, os bandidos encontram meios de burlar a segurança. Nós também temos que fazer nossa parte, dificultar a ação deles, não confiar somente nas atitudes do condomínio" (56 anos, médico, residente no município de São José do Rio Preto, proprietário de casa no loteamento Marina).

 

A partir dessas falas, pode-se perceber que, mesmo considerando os loteamentos fechados ribeirinhos como espaços seguros, por terem o acesso controlado por meio das portarias e pela presença dos guardas, a preocupação com a segurança é tão grande que, até dentro desses espaços, as pessoas sentem a necessidade de uma complementação que possa garantir uma segurança maior, total.

Uma hipótese que pode explicar essa busca suplementar por segurança nos loteamentos fechados ribeirinhos está ligada ao fato de que, apesar do discurso e de toda a construção ideológica para identificar os loteamentos fechados ribeirinhos como seguros, as pessoas não se sentem realmente seguras dentro de seus muros. Seus níveis de confiança nos sistemas oferecidos não são tão altos como querem deixar transparecer em suas falas. Nesse sentido, os entrevistados enaltecem a segurança desses espaços, muitas vezes desconsiderando alguns eventos ocorridos dentro dos muros, encarando-os como eventualidades, que não constituem a realidade rotineira dos loteamentos, mas que acabam influenciando, mesmo que inconscientemente, na formação da percepção que possuem acerca desses espaços, culminando em práticas como a busca de equipamentos e ações suplementares de segurança. Dessa maneira, esses depoimentos contraditórios demonstram um descolamento entre as condições objetivas de segurança oferecidas por esses espaços, o discurso da confiança na existência de uma segurança eficaz nesses empreendimentos e o sentimento de insegurança que sentem, mesmo dentro desses espaços fechados e de acesso controlado.

Nesse sentido, pode-se observar que as práticas socioespaciais urbanas vêm sendo tão impregnadas pela sensação de insegurança que as pessoas acabam perdendo a capacidade de reconhecer espaços efetivamente seguros, em detrimento daqueles que podem oferecer um nível maior de vulnerabilidade, deflagrando um processo de busca incessante por segurança, que tende a ser constantemente frustrado, visto que nunca atingirão a situação ideal em que poderão se sentir plenamente seguros. Esse sentimento de frustração, de nunca ver satisfeita, de forma plena, sua necessidade de segurança, advém do fato de que as pessoas não estão, nesse caso, em busca da segurança real, oriunda de situações materiais de insegurança. Elas estão estruturando suas necessidades a partir de um processo de transposição, generalização e manipulação do sentimento de insegurança, que faz com que as pessoas se sintam inseguras em todos os espaços urbanos, mesmo naqueles em que não há evidências concretas da presença de número considerável de ocorrências de atos tidos como violentos. Assim, abre-se um vasto mercado para a venda de equipamentos, serviços de segurança e novos habitats, que se alimenta da reprodução e da amplificação constante do sentimento de insegurança, veiculado por diferentes agentes. 

Sendo assim, a análise da produção/apropriação desses espaços deve considerar a busca pela segurança também em sua dimensão subjetiva, visto que nesses empreendimentos verifica-se que os elementos ligados à diminuição da insegurança, como os muros, as guaritas nas entradas, as câmeras de vigilância, as cercas elétricas, as rondas, o controle do acesso, entre outros, são percebidos como diferenciadores desses empreendimentos, capazes de oferecer status, estilo de vida e distinção social, suplantando, muitas vezes, o objetivo inicial de manter seus proprietários seguros. Nesse ponto, cabe acrescentar a análise da busca dos segmentos de maior poder aquisitivo por espaços socialmente homogêneos, que deixam de fora os diferentes, negando a alteridade e os possíveis conflitos dela advindos, fazendo com que as práticas cotidianas sejam cada vez mais segmentadas.

Mesmo que não apareçam nos materiais de publicidade como valores a serem vendidos a priori, como elementos ideológicos que justifiquem a produção/apropriação dos loteamentos fechados ribeirinhos, a busca pela identificação social e o desejo de constituição de "comunidades de iguais" pôde ser verificado nos discursos dos entrevistados. Subjetivamente, os proprietários de casas nos empreendimentos estudados estabelecem uma separação qualitativa entre os "de dentro" e "os de fora" dos muros dos loteamentos, mostrando a percepção de uma esfera purificada, onde as relações de sociabilidade podem ocorrer de forma despreocupada, visto que as pessoas foram previamente selecionadas e não oferecem perigo, como se verifica nos depoimentos a seguir.

"As pessoas aqui são boas, são de confiança. Eu nunca soube de nenhum problema que alguém daqui tenha causado. Para você ver, todos os desentendimentos, os problemas que às vezes acontecem aqui dentro são causados por gente de fora, gente pra quem o rancho foi emprestado, ou algum convidado que não conhece as regras do loteamento. Mas do resto, todo mundo se dá bem, então eu considero que as pessoas daqui são todas gente de bem" (45 anos, bancário, proprietário de uma casa no loteamento Belvedere em Penápolis).

 

"Eu não vejo problemas com as pessoas aqui de dentro não. Acho que a maior dificuldade é manter a privacidade, porque estamos tomos compartilhando os mesmos espaços. Mas isso é feito de uma forma tranqüila, sem muitos problemas. A gente aqui pode se considerar como privilegiados de podermos ter um lugar como esses. Não vou dizer que todos aqui se amem, mas nós temos as bases para uma convivência tranqüila. Às vezes, acontece alguma coisa que nos desagrada, mas são fatos passageiros, pequenos mesmo, que na maior parte das vezes não é culpa dos proprietários e sim dos visitantes. Os proprietários já conhecem as regras aqui e sabem respeitá-las para que a gente continue se dando bem" (56 anos, médico, residente na cidade São José do Rio Preto, proprietário de casa no loteamento Marina Bonita).

 

Observou-se também, que os entrevistados, além de identificar que os proprietários de casas nos loteamentos ribeirinhos compartilham valores e características consideradas como fundamentais para a boa convivência, associaram a maior parte dos problemas ocorridos nos loteamentos ribeirinhos com os visitantes, com as pessoas que deveriam ficar fora dos muros. Assim, valorizam estar entre pessoas em quem podem confiar, considerando que a suposta homogeneidade entre eles permite uma segurança nos relacionamentos, que não seria possível na cidade aberta, onde a heterogeneidade é predominante e os relacionamentos são marcados pela imprevisibilidade.

As "comunidades de iguais" estabelecidas nos loteamentos fechados estudados, não são entendidas como um círculo aconchegante, em que há um entendimento compartilhado e natural e sim, de acordo com Bauman (2003, p. 9/17), como comunidades buscadas, construídas, marcadas pela intencionalidade, com a unidade sendo dada a partir de acordos pré-estabelecidos. Nesse sentido, verificou-se que a existência da identificação social entre os proprietários de casas nos loteamentos ribeirinhos e a valorização do estar entre iguais, não garante a consolidação efetiva da sociabilidade. Os entrevistados admitem que, apesar de sentirem confiança nos outros proprietários, não estabelecem contatos estreitos e permanentes com eles, sendo que grande parte das relações entre eles se resume apenas, a atos de cordialidade. Assim, esses espaços oferecem a proximidade, mas não garantem a convivência.

 Portanto, os loteamentos fechados ribeirinhos constituem um lugar para que as pessoas possam consumir elementos simbólica e/ou materialmente escassos na sociedade e nas cidades atuais, como a Natureza e a segurança. O consumo dessas raridades implica em uma demarcação dos estilos de vida e dos símbolos escolhidos pelos segmentos mais privilegiados no intuito de se diferenciarem dos segmentos de menor poder aquisitivo e de menor status, produzindo laços de identificação social, não necessariamente ratificados com o estabelecimento de uma sociabilidade. Considera-se, desse modo, que o consumo desses empreendimentos e dos símbolos associados a eles, escondem intenções de segregação em relação a grupos diferentes sócio-culturalmente, reforçando a segmentação e apontando para um processo de fragmentação das relações socioespaciais. 

Considerações finais

 

O estudo dos loteamentos fechados ribeirinhos demonstra que analisar exclusivamente os aspectos materiais e objetivos não é suficiente para a compreensão dos processos concernentes a sua produção/apropriação. Considerar o imaginário social é imprescindível para que haja uma contextualização desses empreendimentos no processo mais geral da urbanização e para que se possa identificar as produções simbólicas realizadas com a intenção de diferenciar esses empreendimentos e seus proprietários.

Dessa maneira, o espaço geográfico não é produzido apenas a partir de níveis de determinação pautados na materialidade. As percepções, os pontos de vista, os símbolos, ou seja, a subjetividade também influencia nas escolhas socioespaciais responsáveis por engendrar os processos de produção do espaço. Sendo assim, o imaginário não é considerado apenas como reflexo da dimensão material, visto que ele próprio transforma a materialidade, ao mesmo tempo em que é transformado por ela. Portanto, materialidade e subjetividade são aspectos complementares e indissociáveis, que devem ser analisados conjuntamente.

 

Bibliografía

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BOURDIEU, Pierre. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1974.

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OLIVEIRA, Maria Angélica de. Espaços de simulação: aspectos materiais e simbólicos da produção/apropriação dos loteamentos fechados ribeirinhos em Buritama, Zacarias e Penápolis, SP. Presidente Prudente: dissertação de mestrado em Geografia. Universidade Estadual Paulista -  UNESP, 2009.

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Referencia bibliográfica

OLIVEIRA, Maria Angélica de. Produção/apropriação de loteamentos fechados: uma leitura a partir dos imaginários urbanos. La planificación territorial y el urbanismo desde el diálogo y la participación. Actas del XI Coloquio Internacional de Geocrítica, Universidad de Buenos Aires, 2-7 de mayo de 2010.
<http://www.filo.uba.ar/contenidos/investigacion/institutos/geo/geocritica2010/292.htm>

 

 

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