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Actas del XI Coloquio Internacional de Geocrítica

LA PLANIFICACIÓN TERRITORIAL Y EL URBANISMO DESDE EL DIÁLOGO Y LA PARTICIPACIÓN

Buenos Aires, 2 - 7 de mayo de 2010
Universidad de Buenos Aires

 

A URBANIZAÇÃO E A CIDADE CORPORATIVAS: MUDANÇAS NOS PADRÕES DE GERÊNCIA DAS CIDADES BRASILEIRAS

 

Márcio José Catelan

Universidade Estadual Paulista - UNESP.

mjcatelan@yahoo.com.br

 


 

A urbanização e a cidade corporativas: mudanças nos padrões de gerência das cidades brasileiras (Resumo)

 

A urbanização contemporânea passa por transformações em seus conteúdos, cujo movimento tem gerado novos padrões de territorialização dos agentes, expressos em cada cidade, por meio do processo que Milton Santos chamou de corporativização da urbanização, das cidades e dos territórios (Santos, 2001; 2008). No âmbito deste novo padrão, buscaremos perceber em que medida este processo, articulado a outros elementos como a ideia de Harvey (2005) sobre a perspectiva do empreendedorismo urbano, pode ser pensado no âmbito da urbanização e, também das cidades, onde se expressa com intensidade a passagem do padrão administrativista da gestão pública para o padrão empreendedor.

 

Palavras-chaves: Urbanização corporativa, Cidade corporativa, Empreendedorismo Urbano, Gestão Urbana. 

 


 

Urbanization in the corporative cities: changes in management patterns of brasilian cities (Abstract)

 

The contemporary urbanization goes through changes in its contents whose movement has generated new patterns of the agent's territorialisation. Each city expresses these patterns through the corporatization of urbanization, cities and territories, according to  Milton Santos (2001, 2008). Concerning this pattern and connecting it to other elements like Harvey's idea of the urban entrepreneurship (2005), we will seek to discover how this process can be understood in terms of urbanisation and cities, as to the passage from the administrative pattern of public management to the entrepreneurial one.

 

Key words: Corporative urbanisation, Corporative city, Urban entrepreneurship, Urban Management.

 


 

Introdução

 

O processo de urbanização articulado, sobretudo, à produção capitalista do espaço - indutora das ações de natureza econômico-financeira e técnica dos agentes que promovem essa produção -, tem transformado a natureza das dinâmicas e das lógicas que o regem. A estruturação dos espaços urbanos, caracterizada pela perspectiva econômica, revela e valoriza um processo que Milton Santos (2008), na obra "Urbanização Brasileira", denominou de urbanização corporativa . [1]

 

Diante disso, nos propomos a apontar questões que permeiam a urbanização, a partir do predomínio de interesses do capital monopolista, sobrepondo-se às determinantes do capitalismo concorrencial e do competitivo (Santos, 2008). Sob tais lógicas, temos reflexos marcantes e profundos na forma como se administram e produzem as cidades, por isso trataremos de discutir alguns reflexos destas relações no que tange às transformações nas lógicas, perspectivas e expectativas encontradas na gerência das cidades. Trata-se de observar que, se nos dois padrões anteriores, mesmo com a produção, a distribuição e o consumo desigual recorrentes nos espaços urbanos, a administração pública urbana detinha maior poder para decidir seus procedimentos, sobretudo, no que se refere aos interesses econômicos e políticos locais. O mesmo, entretanto, não ocorre no período comandado pelo capital monopolista, tendo em vista que este pressupõe a articulação dos governos urbanos ao capital corporativo. É neste ponto que centraremos nosso eixo para o debate, tendo em vista que se trata de observarmos, mais do que concluirmos, como a urbanização corporativa tem avançado perante as transformações que ocorreram tanto no modo pelo qual o capitalismo se espacializa, como pela estreita relação deste com o destino da produção espacial e da gerência urbana.

 

Diante de tal proposta, temos como pretensão expressar quais os conteúdos que nos levam a pensar a urbanização pelo viés da perspectiva da corporativização, não somente de algumas cidades, mas do processo de urbanização que, ao se espacializar, promove territórios cujas características principais de produção e arranjos espaciais expressam-se a partir de lógicas advindas das decisões estratégicas das empresas. Para versar sobre este tema, o leitor encontrará neste debate, conteúdos que, para nós, são elementos que auxiliam na compreensão desta proposta como: (i) ressaltar os conteúdos da urbanização enquanto um processo maior que extrapola a dimensão do econômico, ainda que não adentremos numa discussão mais aprofundada em outras dimensões como a social, a política e a ideológica; (ii) a importância em compreendermos a urbanização contemporânea valorizando as escalas geográficas; (iii) o papel que a chegada do empreendedorismo urbano tem na confirmação da idéia de urbanização corporativa; e outros debates que, conjuntamente, qualificam a perspectiva de que a urbanização e as cidades são, cada vez mais, corporativas.

 

A urbanização e seus conteúdos

 

O processo de urbanização nos oferece elementos e conteúdos à compreensão da produção do espaço como um movimento amplo, em que todas as escalas geográficas devem ser consideradas, desviando-nos de perspectivas que nos levem a visões fragmentadas da natureza deste processo. Adotaremos como perspectiva analítica a ideia de que a urbanização deve ser compreendida como um processo fomentado (e também que fomenta) a reprodução do capital e do espaço, sobretudo do capital financeiro, atualmente, disseminado para territórios que extrapolam as metrópoles.

 

A urbanização, conceito-chave e unificador das ideias deste debate, é um fenômeno, cujas características essenciais, deixam marcas no espaço, imprimindo diferentes conteúdos, basta observar o modo diferenciado pelo qual o espaço é produzido. Diante disto, é possível definir, ao observarmos este processo, que muitas destas marcas são frutos, primeiramente, da capacidade que o modo de produção possui de se disseminar pelos territórios a partir de suas dinâmicas mais importantes, antes a industrialização, depois a globalização e a financeirização das relações econômicas construindo, no dizer de Santos (2001, 2008) uma urbanização corporativa, fruto da territorialização e das articulações em múltiplas escalas das empresas no mundo.

 

Além das transformações que são impressas no espaço e, por isso, são facilmente visíveis e identificáveis, Carlos (2008, p. 184) afirma que 

 

"[...] a urbanização da sociedade é também uma possibilidade aberta pelo processo de urbanização que, ao se desenvolver, tende a se expandir espacial e socialmente pelo planeta, produzindo um espaço que lhe é próprio e um modo de vida marcado por relações que tendem a superpor-se às relações tradicionais ora transformando-as radicalmente, ora permitindo que se mantenham como fundamento de novas interações". 

 

Assim, a urbanização pode ser compreendida como um processo, expresso pelas realidades de cada espaço urbano que dela resulta, bem como, pode também, redefinir as dinâmicas que regem a vida nestes espaços. Isto é, a urbanização é um movimento cujas características são encontradas em sua expressão, a cidade, sendo esta, tomada a partir de seus elementos e conteúdos resultantes de práticas atinentes ao modo capitalista de produção, sejam eles históricos ou atuais, ou ainda um acúmulo e interação entre estes.

 

A urbanização, ao longo da história de reprodução do espaço social, tomou importância em nossa vida e no destino que o mundo tem e terá. Ela passou a ter importância "para o desenvolvimento político, cultural e industrial do século XIX" (Harvey, 2005, p. 166), ampliou-se sem precedentes no decorrer do século XX e, nos dias atuais, passou a ser o processo no âmbito do qual se disseminam as transformações, com vinculação e velocidade articuladas à reprodução do capitalismo, ainda que não se expresse com a mesma intensidade em todos os territórios. Isto, aliás, nos leva a pensar que há diferenciações socioespaciais resultantes deste processo e que atribui adjetivos ao conceito "urbanização".

 

Harvey (2005, p. 166) trouxe-nos uma afirmação relevante para observarmos como já fomos capazes de desvincular a urbanização de processos importantes que poderiam, sem prejuízos, nos mostrar muitos elementos explicativos das realidades analisadas. Segundo o autor, com freqüência

 

"O estudo da urbanização se separa do estudo da mudança social e do desenvolvimento econômico, como se o estudo da urbanização pudesse, de algum modo, ser considerado um assunto secundário ou produto secundário passivo em relação a mudanças sociais mais importantes e fundamentais". 

 

Nesse contexto, podemos afirmar que a urbanização, se separada de ideias e conceitos como a mudança social, o desenvolvimento econômico, as formas de representação urbanas (as cidades e seus elementos constitutivos - físicos e sociais), das transformações do mundo rural, da cultura, das interações espaciais e econômicas, das escalas geográficas ou dos interesses de reprodução do capital, pode construir uma gama de ideias e interpretações esvaziada do conteúdo articulador e amplo que é característica deste processo. O fortalecimento desta articulação pode ser encontrado na observação urbanização-cidades como forma de buscar perceber os predicados que os colocam como expressões de força maior na sociedade contemporânea.

 

Um dos elementos e conteúdos que foram atribuídos à urbanização refere-se à articulação da reprodução deste processo com a reprodução do capital empresarial. Esta associação entre a territorialização das empresas via processo de espacialização da urbanização complexificou a natureza do par urbanização-cidades, gerando entre eles ora maior aproximação, ora a necessidade de se distinguir as especificidades que cada um possui. Isto, obviamente, não quer dizer que devemos tomá-los separadamente, ou então, que um pode ser compreendido exterior ao outro.

 

Assumido seu caráter corporativo, onde as empresas buscam, mais e mais, novos espaços para reprodução de seu capital, extrapolando as metrópoles, pois estas instituições alcançam outros mercados consumidores, ou seja, quantias significativas de pessoas aglomeradas em cidades que se expressam por conteúdos diferentes daqueles da metrópole, a saber: principalmente uma vida cujas distâncias territoriais, fluxos de pessoas e automóveis, valorização do mercado imobiliário, em geral a produção da cidade, dão-se a partir de novos conteúdos. Principalmente aglomerações urbanas que vêm sendo chamadas de cidades médias, que vêm promovendo mudanças nos padrões de urbanização em alguns estados brasileiros, sobretudo no Estado de São Paulo, onde estas cidades já possuem forte articulação com outras redes, além de uma consolidada força econômica com fortes articulações entre as escalas geográficas.

 

São redes sociais, financeiras, empresariais, técnicas, etc., que se interrelacionam de um modo bastante interativo, a partir de diferentes escalas geográficas. Todas advêm do caráter articulador do capital num momento da história onde a mundialização das relações, sobretudo, política e econômica, e que ao mesmo tempo, promovem as transformações pelas quais o mundo vem passando, tais como as mudanças no modo pelo qual o arranjo espacial vem sendo estruturado, variando conforme se ampliam as densidades e a importância destas redes no mundo

 

Sendo assim, a urbanização, enquanto conceito e realidade espacial, toma maior sentido no mundo contemporâneo, a partir dos predicados a ela atribuídos. A corporativização, que iremos tratar mais especificamente a seguir, além de ser um desses adjetivos, passa a ser um conteúdo em que todos os elementos que lhe atribuem sentido, articulam o processo aqui apresentado - a urbanização corporativa.

 

Os predicados da urbanização corporativa

 

Os predicados da urbanização que a caracterizam como uma urbanização corporativa, no dizer de Santos e Silveira (2001, p. 291) refere-se a um processo em que ocorre a corporativização do espaço, via privatização do território, e transferência dos interesses do capital corporativo ao destino da urbanização. Este processo se dá por meio da fluidez do território, onde se articula os usos de recursos públicos com o projeto das corporações privadas - daí a privatização do território (Santos; Silveira, 2001, 291). Segundo os autores:

 

"Na medida em que essas grandes empresas arrastam, na sua lógica, outras empresas, industriais, agrícolas e de serviços, e também influenciam fortemente o comportamento do poder público, na União, nos Estados e nos municípios, indicando-lhes formas de ação subordinadas, não será exagero dizer que estamos diante de um verdadeiro comando da vida econômica e social e da dinâmica territorial por um número limitado de empresas. Assim o território pode ser adjetivado como um território corporativo, do mesmo modo que as cidades também podem ser chamadas de cidades corporativas, já que dentro delas idênticos processos se verificam".

 

Atualmente, a constatação dos autores ganha força, pois a urbanização, bem como as cidades, sejam elas metrópoles, grandes, médias ou até mesmo as locais, são espaços aonde atuam o capital corporativo, advindos de empresas das mais variadas naturezas. Elas, juntamente com outros agentes, públicos e privados, produzem cidades cujos conteúdos expressam a natureza da urbanização contemporânea, ou seja, uma urbanização cujo motor advém da fluidez do capital e do arranjo espacial favorável à reprodução desse. Daqui, também, surge nossa proposição que articula o momento em que se estende pelos territórios a corporativização, fortalecendo outro processo - o empreededorismo urbano - que iremos expor a frente, tanto da urbanização, como das cidades brasileiras.

 

Alguns elementos saltam aos olhos quando falamos da corporativização da urbanização e das cidades, como se desenha este quadro e com quais elementos ele se articula, e estes podem ser proposições metodológicas para se chegar a considerações sobre perspectivas que buscam verificar tais mudanças, como: (i) Em que medida a ideia de desenvolvimento econômico e urbano aparecem como um dos principais elementos neste processo? (ii) Quais os elementos explicativos e o papel do processo de globalização diante de tais transformações? (iii) Como a lógica territorial das empresas pode responder às transformações recorrentes? (iv) e Como as escalas geográficas tomam outros sentidos diante disso? Estes são pontos que, a nosso ver, articulam um arcabouço explicativo para compreendermos a urbanização corporativa que recai sobre as cidades e territórios, e na vida urbana. São, neste momento, caminho para se chegar a um repensar do que seja a corporativização no mundo contemporâneo, pois se trata de um conteúdo que se expressa em múltiplas escalas. Na busca por elucidar a proposição do presente texto propomos que todos os elementos citados acima possam ser considerados para compreendermos a corporativização da urbanização, das cidades e dos territórios.

 

Elementos que promovem e reforçam a corporativização

 

O desenvolvimento econômico/urbano

 

O desenvolvimento econômico e sua articulação com o que se compreende como desenvolvimento urbano vem sendo tratado no âmbito das agendas, sobretudo do poder público local, onde todas as decisões passam pela compreensão de que a urbanização e, consequentemente, as cidades, devem se expandir territorial e economicamente. Claramente uma primeira lógica se apresenta - a lógica da reprodução do capital. Por ora, podemos nos perguntar quais são os ganhos agregados na reprodução do espaço urbano quando este se articula com as lógicas que possuem naturezas direcionadas mais aos interesses econômicos do quê aos interesses sociais, ou seja, interesses que pudessem proporcionar um espaço menos excludente. Ao final deste texto podemos, se não responder, pelo menos contribuir com algumas idéias em torno deste questionamento.

 

No que se refere à relação da perspectiva do desenvolvimento econômico/urbano[2] como qualificativa da urbanização corporativa, algumas relações podem ampliar o rol de elementos para compreendermos como chegamos à consolidação deste processo. Dentre tantas relações estabelecidas a partir do desenvolvimento econômico, que contribuem para se pensar a urbanização e a reprodução das cidades, podemos ter: (i) a proximidade e a interrelação com o que compreendemos como desenvolvimento urbano; (ii) as ações do Estado e dos governos locais; (iii) a espacialização do capital, via processos de investimentos por meio de empresas e instituições públicas.

 

Já no que tange o desenvolvimento urbano, envolvendo cidades e rede de cidades, respectivamente, a associação com o desenvolvimento econômico está, prioritariamente, condicionada à filiação teórico-metodológica escolhida para adotar esse conceito. Para Souza (2007), o desenvolvimento econômico é um termo criado no século XX, quando aqueles que se ocupavam com as finanças públicas buscavam ampliar o poder econômico e também militar. Suas raízes, teórica e empírica, são encontradas nos momentos de crises econômicas do modo capitalista de produção. No entanto, os estudos dedicados ao debate do desenvolvimento econômico sempre estiveram associados aos estudos regionais e urbanos, embora o avanço da mundialização da economia tenha sido recorrente e crescente. Isto se deve a um fato explicativo que é a resistência do par heterogeneidade-homogeneidade, pois mesmo que a globalização tenha avançado no plano econômico, ou mesmo no espacial, isto não quer dizer a homogeinização do espaço produzido. Ao contrário, este processo fez ampliar a articulação do desenvolvimento econômico com o desenvolvimento urbano e regional, a ponto de nas décadas de 1950 e 1960 ocorrer uma transposição das correntes do desenvolvimento econômico ao debate do desenvolvimento urbano e regional, fortalecendo ainda mais a interrelação destes conceitos e práticas (Brandão, 2007, p. 63).

 

Outro aspecto que articula a ideia de desenvolvimento econômico à ideia de desenvolvimento urbano e regional é a capacidade de gerar processos de polarização, integração, hegemonia e autonomia, compondo um quadro onde há valorização do capital, sendo que este será o responsável pela criação de espaços de mercado, uns de maior, outros de menor importância ao capital. Este movimento é responsável por gerar regiões e cidades compreendidas pelo viés hierárquico, sendo as interações entre as escalas geográficas um ponto de grande relevância para o debate da relação do desenvolvimento urbano e regional - leia-se desenvolvimento econômico.

 

Neste contexto, o conceito de desenvolvimento econômico deverá, também, ser diferenciado de outras duas ideias - crescimento e expansão -, pois muitos autores buscaram rever as faces de cada um frente ao processo de reprodução do capital e sua relação na produção do espaço, urbano e regional, mas também em outras escalas.

 

"A idéia é de que o crescimento econômico, distribuindo diretamente a renda entre os proprietários dos fatores de produção, engendra automaticamente a melhoria dos padrões de vida e o desenvolvimento econômico. Contudo, a experiência tem demonstrado que o desenvolvimento econômico não pode ser confundido com crescimento, porque os frutos dessa expansão nem sempre beneficiam a economia como um todo e o conjunto da população" (Souza, 2007, p. 05). 

 

Segundo o autor, outra interpretação compreende "o crescimento econômico como uma simples variação quantitativa do produto, enquanto o desenvolvimento envolve mudanças qualitativas no modo de vida das pessoas, das instituições e das estruturas produtivas" (Souza, 2007, p. 05). Nesse sentido, há um maior distanciamento entre crescimento e desenvolvimento, subjugando o desenvolvimento aos ditames do que se entende por crescimento, já que as mudanças qualitativas no modo de vida das pessoas, das instituições e das estruturas produtivas são tomadas, na maior parte das decisões político-econômicas, por meio de concepções quantitativas e excludentes. Estas concepções, sobretudo aquelas tomadas no âmbito do planejamento e da gestão urbanos são responsáveis pelo modo como o espaço é produzido, sobretudo porque, tanto um como outro, sofrem influências de agentes que detêm autonomia econômica, no que se refere às estratégias de lucro no processo de produção das cidades.

 

Outro ponto que valoriza o conceito de desenvolvimento econômico neste debate refere-se à associação do modo como se articula o arranjo espacial intra e interurbano, por meio das interações espaciais, tendo em vista que a ideia de desenvolvimento econômico, subjugada à dinâmica do modo capitalista de produção possui forte capacidade de se espacializar caracterizada, seja pela concentração, seja pela dispersão de capital, sendo que estes processos tendem a produzir territórios diferenciados em sua composição técnica, econômica e política.

 

A valorização do conceito de desenvolvimento econômico, bem como a interrelação dele com as práticas de desenvolvimento urbano foram intensificadas quanto mais se aprofundou o processo de uso corporativo do território. Este uso, por conta da presença de empresas cuja origem e expansão advêm ora de escalas locais/regionais, ora de escalas nacionais ou internacionais, fazem com que as noções de desenvolvimento econômico e urbano sejam pensadas perante as transformações ditadas por estas instituições, cujas agendas recaem na produção do espaço gerando processos de concentração, desconcentração e dispersão do capital.

 

Sendo assim, não se trata aqui de nos dedicarmos profundamente à história de formação do conceito de desenvolvimento econômico, mas sim oferecer um elemento que é intrínseco ao processo de constituição da corporativização da urbanização, das cidades e dos territórios. E isto se amplia quanto mais a mundialização é tomada como um processo que envolve todas as dimensões da vida.

 

A mundialização das relações

 

O urbano e as cidades entraram numa nova era, em que a produção do espaço e da vida foram envolvidas por um movimento disseminado em direções vetoriais de todos os sentidos, que se cruzam e intercruzam, construindo por meio de uma perspectiva econômica e global, noções de que tudo no mundo contemporâneo dever-se-ia constituir imbricado nesta perspectiva. Este processo denominado mundialização ou globalização, ao mesmo tempo, envolveu outras dimensões como a social, a política e a cultural, com ganhos e perdas, sobretudo no que se refere aos reflexos deste processo para cada porção do espaço onde a vida, pouco a pouco, absorve elementos como as determinações advindas das escalas supranacionais.

 

O processo de mundialização, além de transformações na dimensão material da vida, disseminou a produção de uma dimensão imaterial, em que o tempo rápido passou a ser parte do cotidiano, por meio de acontecimentos proporcionados pela lógica global como a regulação do sistema financeiro por meio das bolsas de valores e câmbios financeiros. Este movimento trouxe uma nova interpretação do tempo, com articulação das escalas e sobreposição das lógicas das escalas macro às realidades regionais e locais. Como ressaltou Ianni, (1996, p. 167):

 

"desde que se acelerou o processo de globalização do mundo, modificaram-se as noções de espaço e tempo. A crescente agilização das comunicações, mercados, fluxos de capitais e tecnologias, intercâmbios de idéias e imagens, modifica os parâmetros herdados sobre a realidade social, o modo de ser das coisas, o andamento do devir".

 

Ao nos debruçarmos sobre a produção das desigualdades em múltiplas escalas (países, regiões, cidades etc), é possível observar que as transformações no urbano e na forma como se produzem espaços, articulam-se a este processo de reprodução ampliada do capital e, depois, passam a refletir as condições impostas pela globalização que traz para o debate urbano as lógicas do mercado, das negociações e das estratégias, antes, características do debate dedicado à economia-mundo, como ressaltou Ianni (1996).

 

"Além disso, nos últimos vinte anos, os governos latinoamericanos têm estimulado uma maior integração na economia global por meio de importantes medidas como a privatização de empresas do setor público, a atração de inversão estrangeira, os apoios a empresas nacionais para buscar mercados de exportação, além de fazer mais competitivas as exportações". (Sanfeliu, 2009, p. 24, tradução nossa)

 

Estas transformações fazem com que as ações locais busquem elementos para se adaptar ao comportamento global da economia. Este esforço tem como resultado, sobretudo na forma de se gerir as cidades, principalmente as grandes e médias, onde as lógicas e determinações - equilíbrios e desequilíbrios - promovem na produção dos espaços urbanos mudanças significativas, advindas da interação espacial e econômica em múltiplas escalas. São: (i) articulação entre lógicas de gestão e de planejamento do setor público e privado; (ii) abertura da agenda pública às intenções empresariais; (iii) construção de um cenário urbano/local voltado às decisões advindas de escalas nacionais e internacionais; (iv) a constatação de que as cidades tornam-se cada vez territórios onde as lógicas empresariais se reproduzem; (v) aumento no aparato técnico e tecnológico, da competitividade tanto entre as empresas, como entre os governos urbanos, sobretudo, metrópole-metrópole, ou entre cidades médias, cujos papeis na rede urbana são conteúdos de mesma natureza; (vi) e produção de cidades e de um ideário urbano, cujo conteúdo expressa a corporativização tanto dos espaços urbanos, como da urbanização.

 

Diante disto, verificamos, então, articulações que, por vezes, anulam interesses e vontades de agentes locais, embora muitas vezes, há ganhos por parte de alguns dentre eles, quando são capazes de transpor seus territórios de atuação e se aliar aos interesses gerados em macroescalas. Como ressaltou Ianni (1996, p. 33), no urbano, este cenário, "é um pouco real e um pouco imaginário, obviamente é também um cenário de confluências e tensões, acomodações e contradições", em grande parte em função de serem esses os espaços da financeirização do capital e de apoio às trocas por meio da rede informacional. Segundo o autor, "intensificou-se e generalizou-se o processo de dispersão geográfica da produção, ou das forças produtivas, compreendendo o capital, a tecnologia, a força de trabalho, a divisão do trabalho social, o planejamento e o mercado" (Ianni, 1996, p. 47).

 

Mesmo assim, quanto mais a globalização torna-se um processo recorrente na realidade do mundo, mais há "prevalência dos interesses corporativos sobre os interesses públicos, quanto à evolução do território, da economia e das sociedades locais" (Santos, 2001, p. 107). Um importante resultado fora identificado por Santos (2001, p. 107) frente a esse quadro exposto, pois como lembra o autor:

 

"[...] a política das empresas - isto é, sua policy - aspira e consegue, mediante uma governance, tornar-se política; na verdade, uma política cega, pois deixa a construção do destino de uma área entregue aos interesses privatísticos de uma empresa que não tem compromissos com a sociedade local". 

 

O processo de globalização pode ser tomado como fator de mudança nas relações econômicas e espaciais, dos mais variados, criando novos conteúdos espaciais, ampliando as interações entre os agentes, como ressalta Ianni:

 

"No âmbito da globalização, revelam-se às vezes transparentes e inexoráveis os processos de concentração e centralização do capital, articulando empresas e mercados, forças produtivas e centros decisórios, alianças estratégicas e planejadores de corporações, tecendo províncias, nações e continentes, ilhas arquipélagos, mares e oceanos (Ianni, 1996, p. 19)".

 

Com o avanço deste processo, as heranças históricas de arranjos espaciais - distritos, cidades, regiões, nações - são, ora sobrepostas, ora articuladas, pela nova ordem econômica mundial transposta em outras dimensões como já observado, expondo elementos que despertam novos olhares, em virtude do modo como as cidades, por exemplo, passam a se articular com outras escalas, gerando novos elementos por meio das interações espaciais e econômicas que sugerem uma nova arquitetura das relações entre estes arranjos espaciais, e os agentes que produzem os espaços e redesenham a urbanização e as cidades contemporâneas. Assim a ideia aqui debatida, mesmo sendo ainda um processo em construção, já é possível afirmar que tem gerado novos conteúdos e, portanto, a produção de cidades com diferentes elementos.

 

Os reflexos da corporativização na gerência urbana

 

Deste modo, atinente à proposição analítica do presente texto, que toma a ideia de caracterização da urbanização como um processo que vem se expressando no âmbito das lógicas promovidas pela reprodução do capital empresarial - as grandes corporações, que hoje se localizam nos mais diversos territórios - nas metrópoles e regiões metropolitanas, nas cidades médias e locais (com destaque nestas últimas para a reprodução do agronegócio) -, é que se torna possível verificar uma mudança no conteúdo da gestão e do planejamento urbanos, já que a atuação dos agentes econômicos, não somente no âmbito da urbanização, bem como nos espaços urbanos, tem modificado o modo pelo qual se gerenciam as cidades.

 

Um reflexo impactante neste processo é a transferência do que se compreende por empreendedorismo. Este conceito ganhou força na pesquisa urbana quando a ele foi articulado os conteúdos da urbanização, somado aos atributos que o tomavam como uma prática advinda do pensamento empresarial. Diante disso, as perspectivas que conduzem a gestão/administração das empresas, passaram a fazer parte das agendas da gestão pública, quanto mais se expande pelo território as demandas do capital empresarial. Entretanto, é preciso distinguir com cuidado esta relação, pois, mesmo o poder público local tendo assumido este paradigma, não se trata de declarar o fim do caráter social da gestão pública, mas sim buscar perceber sob quais critérios este novo paradigma pode ser lido. Assim, em nova roupagem, o empreendedorismo urbano, passa a ser um conceito corriqueiro no debate e no cotidiano da gerência urbana.

 

A gerência urbana assume o discurso empreendedor quanto mais se aproxima e se amplia as relações com as empresas, sejam de capitais locais ou em outras escalas, considerando que aquelas empresas que fazem parte de grandes grupos empresariais tendem a promover maior comoção por parte do poder público local, tendo em vista que o discurso do desenvolvimento econômico/urbano é tomado a partir da implantação destas empresas nos municípios, a maior parte delas nos espaços urbanos, porém aquelas empresas associadas ao agronegócio instalam-se no campo, fator que complexifica a relação cidade-campo.

 

É a partir da articulação entre a gerência urbana e os interesses empresariais que esta temática força, e que pode ser vista enquanto paradigma no que se refere à gerência urbana. Apoiamos-nos na constatação de Harvey (2005) quando o autor apresenta que houve uma transformação no âmbito da urbanização, promovendo na gerência dos espaços urbanos a passagem da abordagem administrativista, característica da década de 1960, para uma abordagem de tipo empreendedora, principalmente a partir das décadas de 1970 e 1980, na forma de se gerenciar as cidades em países como a Inglaterra e os Estados Unidos da América. Segundo o autor, a abordagem empreendedora foi priorizada na administração dos espaços urbanos visando um maior ganho ao desenvolvimento econômico (Harvey, 2005), discurso apresentado, recentemente, pelos governos urbanos locais de algumas cidades médias brasileiras com intenções e ações que incentivam a promoção destes espaços ao capital corporativo.

 

A gestão e o planejamento destas cidades buscam características da forma de organização da gestão empresarial, sobretudo, nas perspectivas de investimentos dos recursos. Temos observado que os investimentos, tanto de verbas públicas, que advém das instâncias estaduais e federais, e principalmente aquelas que são oriundas do setor privado, são destinadas a projetos cujos conteúdos buscam construir uma cidade dotadas de espaços onde identificamos claramente a territorialização das relações corporativas urbanas, o que contribui para a produção de cidades onde se reforça a segmentação e produção de espaços com carência de meios de consumo coletivo.

 

As lógicas que caracterizam a perspectiva empreendedora no que se refere à gestão dos espaços urbanos, aqui articuladas ao movimento do processo de urbanização de caráter corporativo, afetam, segundo Harvey (2005, p. 230) o desenvolvimento urbano, pois para ele, o empreendedorismo urbano é

"o padrão de conduta na governança urbana que combina poderes estatais (local, metropolitano, regional, nacional ou supranacional), diversas formas organizacionais da sociedade civil (câmaras de comércio, sindicatos, igrejas, instituições educacionais e de pesquisa, grupos comunitários, ONGs etc) e interesses privados (empresariais e individuais), formando coalizações para fomentar ou administrar o desenvolvimento urbano/regional de um tipo ou de outro".

 

Todos os agentes citados por Harvey, reunidos, são capazes de construir um ambiente urbano moldado segundo à perspectiva que Milton Santos chamou anteriormente de urbanização e cidades corporativas, pois, trata-se de um processo que extrapola os espaços urbanos, tornando a gerência destes territórios uma prática que não pode ser observada apenas no âmbito das cidades.

 

A abordagem da urbanização corporativa e do empreendedorismo urbano recai na forma de atuação dos governos urbanos das cidades brasileiras, em ações de competitividade que, se antes fora uma lógica exclusiva do capital corporativo, neste processo foi transferida para as cidades, deixando de haver predominantemente uma disputa entre as empresas pelo território para ocorrer essa concorrência, também, entre os governos urbanos. Uma transmutação das lógicas de gestão empresarial/corporativa para a gestão/administração pública nas cidades, sobretudo, nas grandes e médias cidades, onde o capital corporativo promove o aprofundamento da produção desigual do espaço.

 

Diante disto, é possível observar que o empreendedorismo urbano apresenta um conjunto de características articuladas ao processo de urbanização, cujo predomínio nas gestões passa por perspectivas e dinâmicas pautadas em: (i) articulações político-econômicas; (ii) aumento da importância dos interesses empresariais na gestão das cidades; (iii) estratégias que perpassam por (re) organização do espaço em territórios da produção e do consumo; (iv) ações de controle pelo mercado e pela inserção de novos espaços da produção e do consumo; (v) e lógicas concorrenciais, nos âmbitos regional, nacional e internacional, ampliando o grau, a importância e a interação espacial e econômica entre as cidades. A partir desses pontos podemos considerar que o empreendedorismo é fruto da urbanização de caráter corporativo, um reflexo deste processo maior, um processo regente das lógicas que recaem sobre as cidades de forma diferente -, diferenciando-as enquanto espaços de atração e concentração do capital financeiro advindos de múltiplas escalas.

 

Considerações Finais

 

Um dos aspectos mais relevantes que se refere à contribuição com o conteúdo deste texto, a nosso ver, parte principalmente da proposta de retomada da ideia de urbanização corporativa, que nesta primeira década do século XXI, faz todo sentido, já que se torna cada vez mais prevalente na espacialização da urbanização, a (re) produção do espaço sob a intencionalidade das empresas, tanto aquelas que formam grandes grupos corporativos - as multinacionais -, como aquelas que nascem e atuam nas escalas local e regional.

 

As cidades, lócus da interação dos agentes que a produzem, são espaços onde esta ideia toma força. Assim, é possível afirmar que a urbanização corporativa é um processo que expressa e determina a transformação dos espaços urbanos, de modo que podemos denominar algumas cidades de corporativas, o que, de fato, demonstra a intrínseca relação do processo de urbanização e seu rebatimento na produção espacial. Diante disto, as lógicas vão e vêm de uma dimensão a outra, mas não sem causar mudanças na constituição de novas lógicas capazes de promoverem transformações significativas e explicativas da natureza dos espaços urbanos e na forma como estes são gerenciados.

 

Perante os muitos elementos que, ao longo deste texto, identificamos como qualificativos do processo de corporativização da urbanização, das cidades e dos territórios, podemos identificar que os conteúdos que dão sentido ao processo de urbanização têm passado por mudanças profundas, que não possuem características de uma revolução, mas por outro lado, possuem elementos capazes de promover transformações no âmbito das relações de sociais, econômicas e políticas. Neste contexto, a urbanização corporativa é fruto, e ao mesmo tempo sustenta, um outro processo que vem se redesenhando no mundo - a globalização -, que ampliou as interações espaciais, intensificando e complexificando as relações escalares na geografia do mundo.

 

A urbanização corporativa, tal como pensamos, é um processo já consolidado, responsável por muitas das transformações ocorridas no mundo contemporâneo, já que é a partir das ações das empresas e, sobretudo dos grandes grupos empresariais, que a reprodução do espaço sob a perspectiva financeira vai tornando-se realidade. A dimensão econômica é a que mais privilegiamos neste texto, é a que mais se destaca nas relações do mundo atual, regendo, inclusive, a forma como pensamos as dimensões sociais, política e ideológica. É um mundo onde as dinâmicas, as lógicas e os prazeres se constituem a partir da realização da produção e do consumo. Onde a espacialização de processos como a urbanização, o papel e a função de cada cidade para cada escala geográfica, acontecerão mediante a realização do capital corporativo. Talvez pareça demasiado exagero apresentar esta afirmação, tamanha a complexidade com que o mundo se desenha e acontece em nossas vidas, entretanto, o aumento das relações multiescalares, das interações espaciais e econômicas urbanas, apontam para esta afirmação.

 

É um movimento que altera padrões já consolidados e cria novos conteúdos, foi por isso que durante todo o texto fizemos questão de demonstrar as transformações advindas da corporativização no arranjo das instâncias do poder público, alterando a perspectiva e a agenda propositiva deste, esvaziando seu papel social, e articulando seu papel político ao capital corporativo. Este processo é crescente no mundo, e promove a vida, sobretudo nas grandes e médias cidades, em escala menor, também se expressa nas cidades locais, principalmente por meio do agronegócio, aqui transformando mais as relações no campo que na cidade no que tange à territorialização das empresas.

 

Por fim, cabe ressaltar que a agenda que nos levará a melhor compreender o processo de corporativização é a do debate em torno dos conteúdos da urbanização expressos em cada cidade, nelas e entre elas. A urbanização, e também as cidades, ainda responderão com outros predicados e adjetivos o avanço deste processo. Os recursos político-administrativos de gerência urbana serão, cada vez mais, articulados às vontades e proposições empresariais, e se há alguma proposição a ser considerada, devemos pensar aquelas formas de articulação deste processo, no âmbito da vida urbana, que não pode ser gerenciada apenas por tal perspectiva. Se o processo de urbanização, a gerência das cidades e da vida urbana têm se dado por meio das intenções e vontades do capital corporativo, e por isso cabe dizer que vivemos num mundo corporativo, mesmo assim, devemos considerar que esta perspectiva não pode sobrepor-se, muito menos anular, as dimensões, social, política, e principalmente ideológica da vida e do urbano.

 

 

Notas



[1] A presente temática advém da pesquisa que vimos desenvolvendo no âmbito de doutoramento, que versa sobre as interações espaciais e econômicas urbanas. A pesquisa vem sendo desenvolvida com o apoio da Fundação de Ámparo à Pesquisa de Estado de São Paulo - FAPESP.

 

[2] A partir de agora, toda vez que nos referirmos ao conceito de "desenvolvimento econômico e urbano", escrevemos sempre "desenvolvimento econômico/urbano", pois como explicamos, a interpretação dada ao primeiro, tem com frequência, dado sentido ao segundo. Nenhum dos dois aparecerá neste texto com uma análise aprofundada. Apenas foram tomados, porque, a nosso ver, são um dos elementos explicativos das lógicas que permeiam a ideia de urbanização contemporânea.

 

 

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