menú principal                                                                                  volver al programa

 

Actas del XI Coloquio Internacional de Geocrítica

LA PLANIFICACIÓN TERRITORIAL Y EL URBANISMO DESDE EL DIÁLOGO Y LA PARTICIPACIÓN

Buenos Aires, 2 - 7 de mayo de 2010
Universidad de Buenos Aires

 

 

REALIDADE E PERSPECTIVAS PARA AS FRICHES INDUSTRIELLES (VAZIOS INDUSTRIAIS) DA CIDADE DO RIO GRANDE - RS.

 

Solismar Fraga Martins

Instituto de Ciências Humanas e da Informação (FURG)

solismarfm@terra.com.br


Realidade e perspectivas para as friches industrielles (vazios industriais) da cidade do Rio -Grande - RS (Resumo)

O conceito de friches industrielles vem sendo cada vez mais utilizado como forma de analisar os espaços industriais produtivos outrora e que hoje não mais desempenham tal atividade representando "vazios industriais". Isso significa para as cidades fabris do passado ou que não mais dispõem de fábricas na sua área urbana de ocupação intensiva, uma quantidade de grandes estruturas industriais abandonadas ou com uma funcionalidade diferente daquela para o qual foi concebida. Rio Grande como cidade industrial desde o final do século XIX e com uma história econômica marcada por avanços e retrocessos em sua economia fabril, representa um espaço significativo de análise para a existência das friches industrielles.

Palavras chave: Espaço urbano, friches industrielles, vazios industriais, declínio industrial, planejamento urbano.


Reality and perspectives for friche industrielles (empty industrial) in Rio Grande - RS (Abstract)

The concept of friches industrielles has been used each time more as a way to analyse the old industrial productive spaces that today do not perform such activity anymore representing some industrial emptiness. This means either a great number of large abandoned industrial plants or structures which are being used for a different purpose than the one they were planned for, in old manufacturing cities or towns that do not have factories in their urban area of intensive occupation. Rio Grande, as an industrial city since the end of the nineteenth century and with an economical history marked by advancement and retrogression in its manufacturing economy, represents a significant space for analysis about the existence of friches industrielles.

Key words: Urban space, Industrial abandoned space.


Introdução

 

A expressão francesa friche industrial tem como sinônimo na língua portuguesa ruínas, vazios industriais que provocam um tom depreciativo e que nem sempre denota a realidade concreta dessas espacialidades. O conceito "friches socialles" foi introduzido pelo geógrafo francês Jean Labasse, em 1966, associado aos conceitos de "ciclos industriais" e "descentralização industrial". As friches correspondem a um recurso e a uma responsabilidade - recurso porque há uma infra-estrutura que pode ser reaproveitada; e responsabilidade devido aos problemas ambientais (tanto para o meio físico como o social) que essa pode acarretar.

 

Em países do mundo desenvolvido existem programas de reabilitação, com ênfase nos EUA e Europa, sendo neste continente a presença das friches ser mais antiga que na América como um todo, principalmente nos "velhos" países industrializados como o Reino Unido, França, Alemanha e Bélgica, por exemplo. Muitas cidades européias apresentam friches como conseqüência da mudança da estrutura econômica e do declínio das indústrias tradicionais. Esses são ambientes fortemente marcados pela indústria pesada e que necessitam de reestruturações econômicas e estratégias de reconversão. Os pólos de reconversão industrial estão muito ligados ao meio ambiente e a qualidade de vida. Estes velhos edifícios industriais carecem de políticas ambientais e de conversão desses espaços como possibilidade de reverter a situação de abandono e decadência que usualmente se encontram.

 

Os objetivos de requalificação destes locais são políticos, econômicos, ambientais e sociais, diferindo de caso para caso e de país para país, no que diz respeito às estratégias utilizadas. Cada país se utiliza de uma definição para esses vazios, até mesmo porque cada lugar possui suas particularidades. Em todo o mundo existem áreas (vazios), antigas fábricas, portos, estradas de ferro, minas, locais militares, e propriedades cujo planejamento de reuso é complexo por serem obras com elevados custos.

 

No Brasil há friches industrielles em muitas cidades, principalmente naquelas que tiveram um passado industrial pujante e foram sucedidas por crises econômicas ou pelo deslocamento dos espaços industriais para outras áreas fora da zona urbana de ocupação mais intensiva, como é o caso dos Distritos Industriais, tão usualmente utilizados pelas políticas de planejamento no Brasil na segunda metade do século XX.

 

No caso da cidade de São Paulo/Brasil, Sanches (2001, p.31-32) explica que a indústria desenvolveu-se inicialmente no centro e no bairro do Brás, no começo do século XX, espalhando-se antes dos anos de 1930 para os bairros da Mooca e Barra Funda, ao longo dos eixos ferroviários, para mais tarde avançar em outras direções. Muitas dessas indústrias não mais existem, no qual foram fechadas e os edifícios foram demolidos ou reutilizados.

 

Em outras partes do Brasil encontramos iniciativas de reconversão desses espaços, trazendo uma revitalização urbana, tão em voga nos discursos tecnocráticos do presente e buscando novos usos para aquelas espacialidades. É o caso da Antiga Fábrica da Brahma de Porto Alegre, convertida num Shopping Center na última década.

 

A formação de friches no Brasil apresentam algumas causas que predominaram para o seu surgimento, sendo que Vasques (2005, p.24-25) destaca algumas como a desconcentração industrial, globalização e reestruturação fabril, declínio dos ciclos econômicos e a transferências das atividades industriais. A Desconcentração Industrial - fenômeno marcante, caracterizado pela transferência das unidades produtivas entre diferentes regiões, deixa de herança friches oriundas do fechamento de indústrias.  Outra causa recai sobre o processo de Globalização e Reestruturação Industrial - com a abertura econômica dos mercados, a competição entre países acirrou-se. Desta forma, muitas áreas industriais não conseguiram reestruturar sua base produtiva, nem acompanhar as mudanças tecnológicas, entrando em declínio. No pólo têxtil da cidade de Americana (SP/Brasil), por exemplo, a competição com os tecidos asiáticos, na década de 1990, fez com que muitas unidades fabris encerrassem suas atividades. Outros casos podem ser listados como: o da cana-de-açúcar (Nordeste), do algodão (Maranhão), da mineração (Minas Gerais), do café (eixo Rio de Janeiro - São Paulo), assim como restaram áreas e estruturas obsoletas (estradas de ferro, portos, etc.). Sendo assim fica claro que há muitos espaços vazios a serem estudados com potenciais inexplorados e com grande valia, tanto para os municípios como para a população que poderá ter resgatada sua cultura e sua história cotidiana pregressa.

 

De maneira mais dispersa a "migração" das atividades industriais contribuiu para o surgimento de muitas friches. Com o crescimento das cidades (urban sprawl), muitas indústrias passaram a se localizar longe dos centros urbanos, por motivos de ruído, poluição, intenso tráfego, etc. Formaram-se então os distritos industriais nas áreas periféricas e as indústrias foram deixando as áreas centrais, onde ainda permanecem como friches, isoladas e fragmentando o tecido urbano central.

 

A necessidade de estudos sobre friches no Brasil é fundamental para que diferentes experiências sejam conhecidas; tais como estratégias de planejamento, ferramentas para identificação e tratamento de áreas contaminadas, políticas públicas e ações coordenadas público-privado. Dessa forma é possível ampliar as possibilidades de reconversão, a fim de criar uma visão mais integrada e comprometida com a reinserção dessas áreas.

 

"Impossível considerar a hipótese da reconstrução da cidade antiga; possível apenas encarar a construção de uma nova cidade, sobre novas bases, numa outra escala, em outras condições, numa outra sociedade. Nem retorno (para a cidade tradicional), nem fuga para frente, para aglomeração colossal e informe - esta é a prescrição. O passado, o presente, o possível não se separam. É um objeto virtual que o pensamento estuda. O que exige novas demarches." (Lefèbvre, 2001, p.105).

 

A questão das friches é de importância nacional, particular, e até mesmo, mundial no que tange ao crescimento econômico e ao desenvolvimento dos estados e cidades. A despeito das barreiras para a reconversão destas áreas abandonadas, podem-se conhecer exemplos bem sucedidos no reuso dos espaços das friches, no Brasil e no mundo. Sendo que este assunto requer abordagem de estudo mais ampla. No presente trabalho a intenção é mostrar a ausência funcional que culmina na privação social do uso desses espaços atrelado à finalidade de concretizar a revitalização dos mesmos. Focando o estudo na cidade do Rio Grande-RS- Brasil, essa possui vários vazios deixados pelo processo de declínio das indústrias instaladas até a década de 60.  Não obstante, contribui para que seja possível desvelar novos cenários a partir do reuso destes espaços, buscando a revalorização de tais áreas nos níveis social e econômica, trazendo consigo o resgate do cotidiano da cidade de tempos passados e expressando sua cultura e sua identidade.

 

Processo de formação das Friches industrielles na cidade do Rio Grande

 

A cidade do Rio Grande apresenta vastas áreas ociosas urbanas centrais e periféricas, em que foram analisadas somente aquelas oriundas da desativação de indústrias que atuaram no período de 1873 até a década de 1980. Nesse recorte temporal percebeu-se que a matriz produtiva da cidade foi alterada, passando por uma fase diversificada e que contou com setor de alimentos, charutos, chapéus, tecidos e etc, até a década de 1930. Até este período pode-se dizer que Rio Grande um dos melhores momentos industriais de sua história, materializada na cidade pelas obras arquitetônicas que ainda não foram consumidas pelo tempo e merecem maiores cuidados. No período até a década de 1930 a indústria nacional encontrava-se num momento em que autores como Tavares (1981) definem como industrialização nacional dispersa, onde as indústrias operavam numa espécie de ilhas produtivas, ou seja, as vias de circulação eram precárias e não ligavam os grandes centros produtores às regiões interioranas. Tais ilhas abasteciam o comercio local e regional, sem sofrerem a concorrência de fora de sua área de abrangência. Contudo, foi a partir 1930 que se iniciou o período de substituição das importações ou industrialização nacional restringida (Cano, 1985: Tavares, 1989). Este originou-se de iniciativa estatal que investiu fortemente na consolidação de um pólo industrial a partir do Estado de São Paulo. Tal política econômica era altamente polarizada, concentrando a malha viária nacional e fazendo com que seus produtos passassem a substituir as "ilhas produtivas", até então existentes e, em muitos casos, forçando o fechamento de indústrias. Esse processo consolidou-se por completo na década de 1960. Neste momento Rio Grande teve de procurar uma alternativa para continuar produzindo sem competir com os produtos da metrópole. A alternativa encontrada foi a produção de fertilizantes dentro de um outro contexto econômico do Estado do Rio Grande do Sul, sob o regime militar brasileiro. O setor pesqueiro recebeu fortes incentivos da Superintendência de Desenvolvimento da Pesca (SUDEPE), órgão estatal que o contemplou com isenções fiscais, perdurando tais inversões até a metade da década de 1980, em que as isenções foram suspensas e o setor pesqueiro verificou seu declínio. Destaca-se que a indústria pesqueira continua em atividade na cidade, embora muito aquém do que representou para a economia citadina e ocupando prédios, que não estão em ruínas, através de um rodízio de utilização dos antigos espaços industrias que se alteram em períodos muito curtos de tempo, poucos anos, e que acabam dando uma idéia de ocupação daqueles espaços pouco representativo do ponto de vista econômico e dos empregos criados. Pode-se perceber que a cidade do Rio Grande atravessou distintos ciclos econômicos e estes geraram uma resultante espacial diversa, como um mosaico arquitetônico e espacial de diferentes períodos econômicos. (Martins, 2006).

 

As unidades fabris desativadas estão localizadas em áreas centrais ou próximas à centralidade, dispondo de infra-estrutura urbana básica, tornando-se, dessa forma, locais propícios à inserção de novas funções como equipamentos urbanos e moradia. Propomos uma segmentação na tabela apresentada quanto a ter ou não alguma atividade ainda nestes espaços, já que nem todas essas estruturas industriais encontram-se complemente desativadas, embora aquelas com alguma atividade em funcionamento, registra-se uma potencialidade produtiva muito aquém da planta industrial instalada, nos períodos em que ela mantém alguma atividade produtiva. Pensa-se, neste projeto, que o mais adequado seria a escolha de funções as quais ultrapassassem o simples valor de troca do mercado, avançando para a articulação da comunidade com essas áreas. A utilização de  estruturas prediais que já geraram emprego e rendas poderiam ter uma finalidade social, ou seja, que visasse amenizar as problemáticas urbanas enfrentadas pelo local. Com a reutilização de espaços que já dispõe de infra-estrutura, boa localização, acessibilidade e etc., poder-se-ia evitar processos de expansão urbana irregular e desordenada.

 

Cada friche tem uma peculiaridade que encontramos através de seu passado, dessa forma pôde-se avaliar suas potencialidades por meio de um registro histórico real dos momentos em que a cidade passou, materializado através de suas construções. É relevante considerar a preservação da memória social a qual proporciona legibilidade à cidade e resgata sua cultura e identidade. 

 

A área total estimada das indústrias desativadas presentes na cidade do Rio Grande, o que inclui em alguns casos espaços com alguma atividade fabril, é de 441.193,62 m². Este é um considerável espaço passível de reutilização, no entanto carece de cuidados especiais, já que algumas antigas indústrias não são tombadas como patrimônio histórico, estando em processo de degradação e com elas grande parte da memória social que essas contém. Muitas dessas fábricas representaram/representam ícones que contribuíram para o sentimento de pertencimento da sua população à cidade.  As 18 friches apontadas hoje na cidade do Rio Grande foram identificadas através do programa Autocad, contando com o auxílio de saídas de campo in loco e identificação por imagens geradas pelo satélite quickbird.

 

A quadro 01 mostra a área total e discrimina em 441.193,62 m² as indústrias desativadas e aquelas que ainda detém alguma atividade fabril e presentes em Rio Grande - RS  para o ano de 2010. Justifica-se a identificação do ano já que trata-se de um intercâmbio muito grande de atividades para alguns desses prédios, oscilando entre verdadeiras friches em um determinado ano, mas que no ano posterior pode apresentar já alguma atividade - inclusive fabril, embora sempre em pequena escala.  Para a elaboração da mesma, saídas de campo, visita ao acervo de mapas da prefeitura municipal e ao centro de indústrias do Rio Grande foram necessárias, bem como a revisão bibliográfica de autores como Martins (2006) e Damasceno (2006). Contando ainda com imagem orbital analisada através do software autodeskmap 5 para extrair feições do terreno e realizar a mensuração de áreas. 

 

Quadro 1

 

Friches industrielles

Área( m² )

Atividade

F.R. Amaral e Cia Ltda.

9.574,93

        Em ruína

Promar

4.479,87

         Em atividade

Ind. e Com. Figueiredo S/A

22.307,96

Em ruína, parte do prédio é ocupado por uma Igreja Evangélica

Furtado/Siqueira e Cia

21.541,15

Atividade parcial - parte do prédio para alugar

Frigorífico Anselmi

53.338,53

Usos múltiplos do antigo espaço industrial (prédios, terreno baldio, algumas ruínas)

Manoel Pereira de Almeida S/A

10.421,12

Em atividade

Ind. Reunidas Leal Santos S/A

18.599,28

Vários usos - parte do prédio vazio

Albano de Oliveira e Irmãos e Cia Ltda

3.163,96

Desativada em 2009

Joqueira s/a

7.478,61

Sem atividade pesqueira

Moinho do sul 

4.714,56

Desativada

Ind. de peixe Pescal

12.962,33

Com alguma atividade

Frigorífico Anselmi

4.440,95

Área segmentada

Vários usos

Torquato Pontes Pescados

10.573

Em atividade

Torquato Pontes S/A Com. E Ind

3.739,99

Em atividade

Shell / Atlantic

62.688,73

Vazio - será construído um conjunto popular de casas

Esso

36.129,44

Vazio - será construído um conjunto popular de casas.

Cia. União Fabril Rheingantz

143.000,00

Desativada, parte do prédio em ruínas

Cordoaria São Luiz

12.039,21

Sede social de uma empresa industrial

ÁREA TOTAL ( m² )

441.193,62

 

 

Elaborado por Perla Couto/Matheus Oliveira

 

A figura 01 mostra a localização das friches na cidade do Rio Grande, dando destaque aos quadriláteros hachurados em vermelho e que em sua maioria estão localizadas junto aos canais e sacos que margeiam o sistema lagunar estuarino que  margeia a área urbana.

 

 

Figura 01. Friches da cidade do Rio Grande

 

Fonte: Imagem orbital do Sensor QuickBird , Centro de Indústrias de Rio Grande, baseado em mapa de 1969 do acervo da prefeitura municipal, Damasceno (2006) e Martins (2004). Organizado por Matheus Rodrigues de Oliveira

 

Considerações finais

 

Processos de degradação do tecido urbano ocorrem como impactos causados pelos  "vazios industriais", devido a efeitos visuais como: a imagem de deterioração, de fracasso de um passado outrora pujante; efeitos espaciais, gerando repercussões econômicas como a desvalorização dos terrenos e imóveis; efeitos sociais, que seriam a insegurança gerada pelo vandalismo, invasões de foragidos, entre outros. Devem-se, também, salientar a ocorrência de eliminação de ícones, elementos que construíram a memória social e  faziam o indivíduo ter um sentimento de pertencimento, uma identidade com o espaço vivido.  E essa herança industrial, que está em processo de deterioração, pode ser reaproveitada, a partir de uma análise de seu potencial de reutilização.

 

Ao atravessar diferentes períodos históricos para a cidade, marcados por ciclos econômicos, avanços e retrocessos, seguindo a produção social de espaço contínuo e descontínuo, pode-se dizer que a resultante espacial para Rio Grande está materializada em estruturas prediais que apresentam uma variação no grau de conservação de suas estruturas, entre parcial ou totalmente arrasadas, sem ou com alguma atividade industrial e ou de serviços. Analisamos tais espaços a fim de constatar a possibilidade de reconvertê-los e reinseri-los nas atividades urbanas, em um processo que visa devolver vitalidade a herança industrial citadina.

 

Deveremos buscar propostas que possam ir além da simples relação de troca do mercado, pois com a alteração da função teremos um reflexo na  forma urbana, ou seja, a relação que os espaços atualmente improdutivos e em pleno estágio de decomposição estabelecem com as comunidades circunvizinhas.

 

"As operações de revitalização de antigas áreas industriais  precisam de elementos/símbolos de referência, reafirmando a memória coletiva dos lugares e simultaneamente projetando imagens de excelência.  Para se recriar as identidades deve-se ter flexibilidade de soluções ao nível das políticas, dos projetos, das ações, dos atores e até dos potenciais utilizadores." (Queiróz et. al. 2002)

 

Dessa forma considera-se relevante o aproveitamento de áreas que dispõem de boa localização e estruturas re-aproveitáveis, como parte do plano urbano, evitando o espraiamento que isola comunidades em partes desprovidas de qualquer recurso básico, como saneamento, escolas, hospitais, transportes e toda razão que force um maior deslocamento intra-urbano para satisfação de suas necessidades.. Modificando as friches, atribuindo-lhes características que possam ser utilizadas pela municipalidade, podemos iniciar um processo de reconfiguração de um espaço que está degradado e acarreta a desvalorização do solo urbano, partindo de uma escala local. Os efeitos positivos podem ser vistos explorando o potencial turístico da localidade que está próxima aos corpos hídricos com espaços de lazer e vias de circulação. Os espaços hoje ocupados pelas friches industrielles podem obter um novo papel dentro da cidade, embora não com atividade industrial, mas definitivamente deixando de ser um espaço sem aproveitamento, degradante e causador de impactos negativos ao desenvolvimento local e qualidade de vida dos moradores.  

 

Tais áreas podem abrigar áreas residenciais, áreas que alojem outros equipamentos urbanos ligados ao lazer assim como espaços verdes e que sirvam como receptáculo para eventos culturais. Não necessariamente cada friche deva ser cambiada para um shopping center como ocorre em outras cidades com dinâmicas urbanas mais céleres, até porque deve estar sempre presente na concepção de uma nova função para uma friche industrielle o envolvimento das populações vizinhas.

 

 

Bibliografia

 

BRAVERMAN, Harry. Trabalho e capital monopolista: a degradação do trabalho no Século XX. 3. ed. Rio de Janeiro. LTC, 1987.

CANO, Wilson. Desequilíbrios regionais e concentração industrial no Brasil (1930-1970). São Paulo. Globo, 1985.

CARLOS, Ana Fani Alessandro. A (re) produção do espaço urbano. São Paulo. Editora da Universidade de São Paulo, 1994.

_____. O espaço urbano: novos escritos sobre a cidade. São Paulo. Contexto, 2004.

COPSTEIN, M. R. Evolução urbana de Rio Grande. Revista do instituto histórico e geográfico do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 1982. 

DAMASCENO, Jenes J. O conceito de Friche Industrielle aplicado ao complexo industrial  pesqueiro do município do Rio Grande/RS. Monografia apresentada ao Curso de Graduação em Geografia. Rio Grande: FURG, 2006.

GOTTDIENER, Mark. A produção do espaço urbano. São Paulo. Edusp, 1984.

HARVEY, David. A justiça social e a cidade. São Paulo. Hucitec,1980.

LABASSE, Jean. L'organisation de L'espace. Éléments de Géographie Voluntaire. p 457, 458. Paris. Hermann, 1966.

LEFÈBVRE, Henri. La production de l'espace. Paris. Antrophos, 1974.

_____. A revolução urbana. Belo horizonte. Humanitas. 2002.

_____. O direito a cidade. São Paulo.centauro. 2004.

LIPIETZ, Alain. O capital e seu espaço. São Paulo. Nobel, 1987.

MARTINS, Solismar Fraga; PIMENTA, Margareth Afeche. A constituição espacial de uma cidade portuária através dos ciclos produtivos industriais. O Caso do Município do Rio Grande (1874/1970). In: Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais. v. 6. m.1. 2004.

_____. Cidade do Rio Grande: industrialização e urbanidade (1873-1990). Rio Grande. FURG, 2006.

MENDONÇA, A.M. Vazios e ruínas industriais. Ensaio sobre friches urbaines.     www.revistavitruvius.htm ; <adalton@globo.com>.  Acesso emabr. 2005

OLIVEIRA, Francisco. A economia da dependência imperfeita.   5. ed. Rio de Janeiro. Graal, 1989.

QUEIROZ, M.; HENRIQUES, B.E.; GOMES, H.; SOARES, P. Desinvestimento e seus impactos territoriais. Lisboa, 2002  

SANCHEZ, L.E. Desengenharia - O Passivo Ambiental na Desativação de Empreendimentos Industriais. São Paulo. Edusp/Fapesp, 2001.

TAVARES, Maria da Conceição. Da substituição de importações ao capitalismo financeiro. Rio de Janeiro. Zahar, 1981.

VASQUES, RAMALHO.  As considerações de estudos de caso sobre bronwfields: exemplos no Brasil e no mundo. Biblio 3 w, revista bibliográfica de geografia y ciências sociales, universidad de Barcelona, vol XI, n° 648, 30 de abril de 2006. <www. ub. es/geocrit/ b3w - 648. htm>.

_____ .Refuncionalização de brownfields: estudos de caso da zona leste de São Paulo - SP. Dissertação de mestrado, UNESP, campus Rio claro, 2005.

 

Referencia bibliográfica

FRAGA MARTINS, Solismar.  Realidade e perspectivas para as friches industrielles (vazios industriais) da cidade do Rio -Grande - RS. La planificación territorial y el urbanismo desde el diálogo y la participación. Actas del XI Coloquio Internacional de Geocrítica, Universidad de Buenos Aires, 2-7 de mayo de 2010.

  <http://www.filo.uba.ar/contenidos/investigacion/institutos/geo/geocritica2010/213.htm>

volver al programa

logogeocritica