menú principal                                                                                       volver al programa


Actas del XI Coloquio Internacional de Geocrítica

LA PLANIFICACIÓN TERRITORIAL Y EL URBANISMO DESDE EL DIÁLOGO Y LA PARTICIPACIÓN

Buenos Aires, 2 - 7 de mayo de 2010
Universidad de Buenos Aires

 

 

AS REDES SOCIAIS E A COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

 

Luciana Ziglio

Doutoranda em Geografia Humana - Universidade de São Paulo, Brasil.

Grupo de Pesquisa em Geografia Política e Meio Ambiente - Universidade de São Paulo, Brasil.

lziglio@usp.br

 


As redes sociais e a cooperação internacional (Resumo)

 

Ao longo dos últimos anos surgiram redes sociais de caráter transnacional que se dedicam aos mais variados temas, dentro dos quais, a questão ambiental. O envolvimento destas redes sociais, compreendidas como redes de organizações não-governamentais (ONGs), na política internacional nos coloca diante de questões sobre cooperação internacional, geopolítica internacional, o espaço abstrato das redes em interação com o espaço concreto dos territórios. Estas redes sociais muitas vezes se dedicam a intervenção de temas relacionados à questão ambiental interagindo com a realidade das identidades locais e ao mesmo tempo com as ideologias mundiais. Estudar estas redes sociais de ONGs através da metodologia voltada para a análise de dados secundários advindos de fontes eletrônicas e de estudos de casos desses atores será o objetivo deste artigo.

 

Palavras chaves: redes, organizações não governamentais transnacionais, cooperação internacional, escalas, GARSD.


Non-state players and international cooperation (Abstract)

 

The world has seen the rise of non-state players of a transnational character engaged in many different tasks, one of which is the environmental issue. The deepening involvement by these non-state players, known as non-governmental organizations - NGOs - in international politics places before us a series of questions about the dynamics and concepts regarding the geopolitical scenario as well as theories on international relations. Regarding environmental issues, and especially concerning solid wastes, we have witnessed cooperation by non-state players on an international level.

We will emphasize the importance of a discussion regarding the network society and the flow of information, power and shared resources. We will comment on the organization and stance in the context of management for solid wastes. Finally, we will point to the possibility of thinking environmental relations with respect to solid wastes through networking.

 

Key words: Waste, Network, NGOs, international cooperation, scales.


 

Introdução

 

As profundas transformações associadas ao processo de globalização penetraram nos territórios e sociedades durante as últimas décadas gerando novos cenários, de dinamização econômica, social e territorial (Santos, 1996; Haesbaert, 2002).

 

As novas tecnologias advindas deste processo de globalização provocaram nas sociedades uma importante movimentação de dados, de conhecimentos entre os territórios que ocasionaram na formação de redes de informações muito complexas que permitiram por conseqüência formar uma nova forma de sociedade, a sociedade em rede (Castells, 1996). Deste modo, temos as redes informacionais como ferramentas de organização e articulação territorial para a geração do espaço com fluxos que se convertem em formas espaciais concretas de articulação de poder. (Barroso, 2009; Manzanal, 2007; Bianchi, 2000).

 

Mas as redes não foram utilizadas somente como novas formas de apropriação advindas da tecnologia. Dentro da questão ambiental estas facilidades de comunicação foram absorvidas pelas organizações não-governamentais para proliferação de seus discursos. Assim surgem as redes socioambientais de organizações não governamentais discutindo suas perspectivas neste cenário da globalização com Estados Nacionais, organismos governamentais, setor privado, comunidade epistêmica e sociedade civil. Estas redes de ONGs atuam funcionando como forma de protesto dos movimentos sociais visando solucionar problemas ambientais.

 

Hoje temos as redes de ONGs inseridas nas escalas nacionais e internacionais como apoio às necessidades de constituição de uma cidadania para diminuição da desigualdade econômica, busca aos diretos sociais, a diminuição do impacto da degradação da vida e do meio ambiente e para a busca de colocação em prática da sonhada sustentabilidade. Com suas formas de articulação geram poder em suas praticas e conseguem com suas iniciativas sensibilizar sociedades para os temas relacionados à crise ambiental.

 

A questão ambiental e as ONGs

 

As questões ambientais assumiram o interesse global como temática de discussão de agendas dos Estados Nacionais e também das ONGs. Em escala planetária, a desigualdade, a insegurança e o conflito crescem a níveis alarmantes e podemos levantar a possibilidade destas situações diante de uma possível restrição de acesso aos recursos naturais (Roche, 2004).

 

As ONGs ganharam espaços e aceitação pública a partir do momento em que a visão clássica da abundância dos recursos naturais foi abandonada e vista como ultrapassada. Nesta perspectiva tinham-se os recursos naturais como bens livres, inesgotáveis, a margem do sistema produtivo e, portanto sem valoração econômica e abundante. Também, nesta visão, percebia-se a não incorporação dos recursos naturais ao território.

 

A incorporação do capital natural (Brundtland, 1989) vem no momento em que se percebe, numa perspectiva global, a possibilidade do esgotamento dos recursos naturais. Simultaneamente e como conseqüência desta escassez tem-se a vinculação destes recursos ao território, onde se evidencia a teoria de que territórios com abundancia de recursos ambientais possuem, portanto, vantagens ambientais (Ribeiro, 2001). As ONGs surgem como canais de conscientização ou como voz de protesto diante da ordem ambiental vigente.

 

Deste modo, controlar o espaço, para aprisionar nele os recursos naturais, pode tornar-se interessante a reprodução social, manutenção da vida. Uma das maneiras que auxiliam neste controle pode ser conquistado quando surgem as redes de organizações não-governamentais instruindo a população para atividades de preservação ambiental.

 

Como parte desta ação anterior incorpora-se não somente os recursos naturais do território, mas também o capital humano (Gorz, 2005). A comunidade instruída permite uma dinâmica intelectual e também um desenvolvimento maior desta sociedade. Ao mesmo tempo este capital humano nas mãos de redes sociais de ONGs podem estimular a sociedade atos de desenvolvimento de questões que preconizam a proteção ambiental (Triglia, 2003).

 

Atuando em defesa de inúmeras causas relacionadas à questão ambiental, as ONGs acumulam inserções interessantes em inúmeras agendas ambientais e pode-se elencar as que estão em defesa dos animais, flora, recursos genéticos, e resíduos.

 

WWF, Greenpeace e Nature Conservancy

 

Em 1961, quando foi fundados, a WWF (World Wildlife Fund) com o objetivo principal de apoio mundial a natureza. No entanto, com o crescimento da organização ao redor do planeta nas décadas seguintes, a atuação da instituição mudou de foco e as letras passaram a simbolizar o trabalho de conservação da organização de maneira mais ampla. Com isso, a sigla ganhou sua segunda tradução: "World Wide Fund For Nature" ou "Fundo Mundial para a Natureza".

 

Atualmente a sigla WWF tornou-se tão forte internacionalmente que, para evitar confusão ou mensagens equivocadas, não se faz mais tradução para qualquer significado literal. Ou seja, agora a organização é conhecida simplesmente como WWF, uma organização de conservação global.

 

O WWF nasceu da International Union for Conservation of Nature (IUCN) ou A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais organização internacional dedicada à conservação dos recursos naturais. Fundada em 1948, sua sede está localizada na Suíça. A IUCN reúne 84 nações, 112 agências de governo, 735 ONGs e milhares de especialistas e cientistas de 181 paises, estando entre as principais organizações ambientais do mundo[1].

 

Mas o WWF rapidamente enveredou por um caminho mais autônomo do que subordinado ao da IUCN, com projetos próprios que se expandiam mais rápido e eficazmente que naquela. Em seus primeiros três anos de vida WWF tinha bases em Inglaterra, Estados Unidos, Suíça, Holanda, Alemanha e Áustria, chegando ao período de dez anos a ter escritórios em vinte países. Entre 1983 e 1991, a renda do World Wildlife Found (WWF) cresceu de 9 milhões de dólares para 53 milhões de dólares e seus membros aumentaram de 94 mil para mais de 1 milhão. Hoje a WWF tem 4,7 milhões de filiados em todo o mundo e dispõe de um orçamento anual de 293 milhões de dólares[2].

 

Até 1989 diferentes organizações nacionais da rede WWF (WWF-EUA, WWF - Reino Unido e WWF-Suécia) financiavam diretamente projetos desenvolvidos por instituições em outros escritórios da organização ou entidades dos países receptores dos projetos. Todavia, com a ampliação do suporte técnico-financeiro ao longo dos anos, consolidou-se a criação de mais escritórios regionais da organização. A Rede WWF tem hoje atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.[3]

 

O GREENPEACE, nascido em 1972, dedicou-se a preservação dos grandes mamíferos marinhos inicialmente, mas também, se voltou para outros tipos de atuação como os testes nucleares.  Um grupo local da cidade de Vancouver, em 1969, teve a idéia de que já havia sido posta em funcionamento por outros grupos. Tratava-se de navegar ate a zona das provas atômicas, situada nas Aleutas. O barco Phyllis Cormack, tinha em seu mastro as duas bandeiras: uma a da Organização das Nações Unidas (ONU) - para marcar o internacionalismo da tripulação - e outra que unia as palavras "green" e "peace" numa única idéia: a da defesa do meio ambiente e da paz a qualquer preço. O que os movia, mais do que a coragem era uma convicção: a destruição do planeta pelo ser humano havia chegado a ponto de ameaçar o presente e o futuro de todos os seres vivos. Era preciso fazer algo para impedir o teste nuclear - porque as ações falam mais alto do que as palavras. O barco não conseguiu chegar ao seu destino final por ter sido presa a tripulação pela guarda costeira nos EUA, mas em sua chegada a Vancouver foi surpreendido por milhares de pessoas que celebravam sua chegada.

 

Assim nascia o GREENPEACE como organização não governamental também internacional para atuar na defesa do meio ambiente inspirando as pessoas a mudarem suas atitudes e comportamentos. Seu modo de atuação é através da denuncia expondo os crimes ambientais do qual toma conhecimento. A entidade diferentemente do WWF e da  Nature Conservancy (TNC) não recebe recursos financeiros de empresas, partidos políticos e governos, pois, em seu discurso alega que o recebimento de dinheiro, destes grupos, pode subentender que suas atividades sejam tendenciosas aos desejos de seus mantenedores. Deste modo o GREENPEACE mantém seu fôlego enquanto entidade não-governamental internacional através das doações de seus colaboradores individuais da sociedade como um todo. No período entre 1985 e 1990, o GREENPEACE aumentou seu número de membros de 1,4 milhões para 6,75 milhões, e os rendimentos aumentaram de 24 milhões para 100 milhões de dólares. Em 1992 o GREENPEACE tinha escritórios em 24 países e hoje conta com 42 escritórios em funcionamento e conta com a colaboração de aproximadamente 3 milhões de pessoas mantenedoras economicamente e na militância.[4]

 

A Nature Conservancy (TNC) abriu suas portas em 1951 com um punhado de funcionários trabalhando num escritório fora de Washington compartilhado com outro grupo ambientalista. No início a TNC comprou terras com o propósito de busca da preservação dos recursos naturais e este seu discurso ganhou tanta força que na década de 1980 sua renda era de 222 milhões de dólares e sua equipe de 933 empregados.[5] (Alier, 2007:23).

 

A Foundation Ford, MacArthur, Gordon e Betty Moore , assim como o World Bank , U.S, Agency for International Development (USAID), bancos multilaterais e bilaterais foram doadores de recursos financeiros para a TNC. Durante os anos de 1990 somente a USAID disponibilizou quase US$ 300 milhões para o movimento internacional de conservação, que considerava um sócio vital para prosperidade econômica. (Diegues, 2008:117). Hoje sua renda oscila em 1,8 milhão de dólares e recebe o apoio de  aproximadamente 1.900 empresas (Diegues, 2008: 72).

 

Ao se observar rapidamente a trajetória das organizações não-governamentais como a TNC, GREENPEACE e WWF levantam-se dois caminhos de analise para os trabalhos destas entidades que podem servir aos que necessitam efetivamente de ajuda ou aos que transformam as tragédias sociais e os grandes problemas ambientais mundiais em indústria lucrativa (Prado, 2007:43; Oliveira 2003:23).

 

Atentar para que estas organizações não-governamentais possam efetivamente gerar um campo de luta, mobilizar pessoas, recursos e instituições em defesa de uma determinada causa deve ser a atitude da sociedade atual. Não se pode negar que através do trabalho gradual e intenso milhares de organizações não-governamentais vêm com respostas mesmo que superficiais ou pouco adequadas à crise ambiental atual (Khagram, 2002).

 

As redes sociais de ONGs em cooperação internacional

 

Assim se territorializar significa também hoje construir e/ou controlar fluxos e redes e criar referenciais simbólicos num espaço em movimento, no e pelo movimento (Haesbaert, 2004: 201). Porque não pensar que a organização em redes de ONGs como uma possibilidade de controle de fluxos das informações, pessoas, e por fim apreensão maior do território. Um dos pontos positivos do movimento ambientalista é a definição de networking internacional nos diversos níveis de ação ambientalista (Viola 1998: 141).

 

Um caminho interessante para apreender essa diferenciação é aquele que permite analisar a rede enquanto fortalecedora de determinados territórios ou, em outras palavras, como um elemento do território (Raffestin, 1998: 44). Assim dependendo da escala geográfica e a corrente da geografia da qual estamos trabalhando, estaremos ora percebendo mais os territórios, ora as redes que os conectam, ora a dimensão econômica, ora a dimensão política (Haesbaert, 2004: 124). As organizações não governamentais constroem redes, produzem e veiculam informações e realizam interlocução entre as dimensões podendo contribuir para os problemas ambientais e sociais que se apresentam na sociedade em escalas globais ou não.

 

Este fluxo intenso de informações permissível com a sociedade em rede provocou não somente a consolidação das redes como também a formação de redes cada vez mais complexas e sofisticadas neste processo de globalização. Esta sofisticação e complexidade podem ser bem observadas como vemos redes de organizações não governamentais articulando projetos nacionais e ao mesmo tempo projetos em cooperação internacional. Grupos de ONGs formam redes de informação, de atividades que em escala de cooperação internacional.

 

Não podemos afirmar a existência de redes entre ONGs se seus objetivos e valores não tenham pontos em comum e que os mesmos não possam ser compartilhados entre seus membros (Touraine 1992: 119). A sofisticação das redes torna-se tão presente que a cooperação internacional destes grupos cresce constantemente. Esta cooperação internacional reflete em formas espaciais de articulação de poder, na escala dos territórios e na escala internacional quando estão com objetivos de cooperação internacional. Seguindo os princípios aqui mencionados a cooperação torna-se inerente a este fenômeno.

 

Associadas as estas redes de informação tem-se muitas vezes ONGs produzindo estes fluxos e disseminando nas comunidades locais este processo (Jepson, 2005: 515-524; Henderson, 2002: 99-116). Neste caso, muitas vezes, as informações ambientais geradas nestes espaços de fluxos se convertem em novas formas de articulação de poder para estas ONGs nos grupos que atuam desenvolvendo seus projetos (Diegues, 2008; Gudynas, 2001).

 

As redes de ONGs em cooperação internacional: GARSD

 

Global Alliance for Sustaintable and Development (GARSD) é uma organização não-governamental mundial resultado da união de organizações não-governamentais nacionais preocupadas com a busca da gestão dos resíduos sólidos urbanos na escala nacional e mundial. Traduz-se em uma organização não governamental internacional propondo respostas e pesquisas para a realidade de gestão de resíduos sólidos urbanos em países periféricos, ou ainda, países do Eixo Sul.

 

A GARSD, nascida em novembro de 2007, tem por visão ser suporte para a promoção da coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos domiciliares buscando com esta perspectiva a mudança de atitude da sociedade global diante dos resíduos. (Alió:2008)

 

Tem por premissas a colaboração entre comunidades, autoridades públicas, indústrias e formadores de opinião para que as propostas e técnicas de gestão de resíduos sejam absorvidas e internalizadas; plataformas de conhecimentos sejam compartilhadas entre os membros da rede e outras organizações interessadas em advogar nesta questão; atuar em favor de que as leis nacionais sejam compatíveis para o estabelecimento de relações de diagnósticos, informações e comércio fluam entre as organizações não governamentais envolvidas.

 

Tornam-se seus objetivos a diminuição da existência de disposição final em aterros sanitários, o aumento das taxas de reciclagem em níveis nacionais, das organizações não governamentais que compõe a GARSD e os níveis na escala mundial e a garantia de benefícios sociais e segurança dos trabalhadores envolvidos com a coleta seletiva e com a cadeia da reciclagem.

 

O nascimento da GARSD conta com a concretização de seu primeiro evento, ocorrido no Brasil em novembro de 2007. Neste encontro as  ONGs da Venezuela , Uruguai, Tailândia, Brasil e México[6] assumiram a importância do trabalho em rede para a questão da consolidação da temática resíduos sólidos na escala internacional e assumiram também o compromisso de avançar fortalecendo a GARSD. Neste sentido o primeiro biênio da GARSD, que teve como liderança dos trabalhos o Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE - Brasil) preocupou-se em não somente consolidar o hábito do trabalho em rede deste grupo, como também concretizar através de materiais e projetos diversificados.

 

Este primeiro evento da GARSD contou com dois dias de atividades e discussões que culminaram no compromisso de trabalho coletivo em busca de avanços na gestão dos resíduos sólidos urbanos para países pobres.

 

 

Figura 1- Nascimento da GARSD, Brasil em 2007

Fonte: Compromisso Empresarial para Reciclagem , CEMPRE Brasil, 2008

 

O primeiro biênio (2008-2010) da GARSD contou com muitos resultados. O primeiro deles foi à manutenção da sinergia de troca de informações, experiências entre seus membros. O segundo resultado deste biênio é a construção da identidade da rede através da consolidação de sua marca, a sigla GARSD e a simbologia correspondente. Vide abaixo a identidade visual da rede:

 

 

Figura 2-Identidade visual da GARSD

Fonte: Compromisso Empresarial para Reciclagem , CEMPRE Brasil, 2008

 

Outro item a ser considerado é a construção do high ligths da GARSD demonstrado o significado da existência da rede e uma breve informação de cada organização não-governamental fundadora.

 

 

 

Figura 3-GARSD High Lights, 2008

Fonte: Compromisso Empresarial para Reciclagem, CEMPRE Brasil, 2008

 

A confecção do Kit to set Waste Picker Cooperatives também foi mais uma das ações do primeiro biênio da GARSD. O material, utilizado por  especialistas atuantes com a gestão dos resíduos sólidos urbanos domiciliares, serve como ferramenta para a consolidação em escala mundial do modelo brasileiro de introdução de cooperativas de catadores de materiais recicláveis na gestão dos resíduos sólidos urbanos domiciliares.

 

 

Figura 4- Kit to set waste picker cooperatives[7]

Fonte: Compromisso Empresarial para Reciclagem , CEMPRE Brasil, 2008

 

Como atividades de inserção da GARSD tem-se, na recepção do Secretariado da rede (no Brasil) a visita de delegações de autarquias públicas, organizações não - governamentais, comunidade epistêmica, organismos internacionais e demais atores envolvidos com a gestão dos resíduos sólidos urbanos no cenário mundial. O propósito destes encontros é compartilhar informações e experiências em rede que permitam o avanço de trabalhos com a questão dos resíduos nesta esfera mundial. Já foram compartilhadas experiências com países como Marrocos, Paraguai e China.

 

Este cenário fértil de avanços culminou para a efetiva organização do segundo evento da rede, na Tailândia em 2009, com a entidade chefe para a recepção do evento, a TIMPSE, também integrante da GARSD.

 

O segundo encontro da GARSD Contou com a presença de aproximadamente 60 pessoas, de empresas, organizações internacionais como a United Nations Environment Programme (UNEP)[8], CARE International[9], setor empresarial asiático reciclador, imprensa e por fim as organizações não governamentais componentes da GARSD.  Em três dias de reuniões mais do que compartilhar as experiências de suas realidades nacionais de gestão de resíduos, a rede também comentou sobre seus avanços nestes seus dois anos de atividades.

 

 

Figura 5- Segundo Evento da GARSD, Tailândia, 2009.

Fonte: Luciana Ziglio, 2009

 

Os três dias de evento também consolidaram o trabalho em rede e estabeleceram diretrizes para o próximo biênio da GARSD (2010-2012). Como medidas de execução para este período estão a construção da página eletrônica da GARSD na rede mundial de computadores, estimular a construção de um estudo técnico dos modelos de gestão de resíduos sólidos nos países integrantes da GARSD bem como as novas tecnologias presentes nestes locais, manutenção da rede de informações já existente na GARSD e alimentar esta com novos atores e por fim a confirmação do terceiro evento da GARSD para 2011.

 

Após as reuniões realizadas e as decisões afirmadas anteriormente a conferência contou com visitas em locais de inserção de parceiras da TIMPSE sendo uma delas com a gestão pública municipal e a segunda com a cooperativa de salengs[10].

 

 

Figura 4- Cooperativa de Salengs, Tailândia, 2009.

Fonte: Luciana Ziglio, 2009

 

A GARSD formada a partir de organizações não governamentais nacionais tem como objetivo nos seus primeiros anos de vida, compreendido, 2008-2010, divulgar suas atividades e bem como trocar informações sobre as realidades de gerenciamento dos resíduos dos países que a compõe. O estabelecimento desta rede, da troca de informações, deve ser vista como um suporte nacional, de dimensões internacionais para a gestão domiciliar dos resíduos urbanos domiciliares. Utilizar este poder de comunicação, como ferramenta de educação/conscientização das populações locais, que a GARSD possui é fundamental para a sua continuidade e consolidação.

 

 

Notas



[1]  <www.iucn.org> Acesso em 21.02.2010.

 

[2]  < http://www.wwf.org/> Acesso em 21.02.2010.

 

[3]  <http://www.wwf.org.br/wwf_brasil/wwf_brasil/index.cfm>Acesso 23.09.2009.

 

[4] < http://www.greenpeace.org/international/about/worldwide> Acesso 23.09.2009.

 

[5] <http://www.nature.org> Acesso 23.09.2009.

 

[6] CEMPRE -Colômbia<http://www.cempre.org.co/P1.asp?IdPagina=1> Acesso 20.03.2010; CEMPRE- Brasil <www.cempre.org.br> Acesso 23.03.2010; SUSTENTA< www.sustenta.org.mx> Acesso em 20.03.2010; CEMPRE- Uruguai < http://www.cempre.org.uy> Acesso em 20.03.2010; TIMPSE <http://www.tipmse.or.th> Acesso em 23.03.2010.

 

[7] O kit Cooperar Reciclando - Reciclar Cooperando (em português) baseia-se no principio da economia solidária onde costumamo-nos definir como economia solidária como um modo de produção que se caracteriza pela igualdade. Pela igualdade de direitos, os meios de produção são de posse coletiva dos que trabalham com eles - essa se traduz na característica central. E a autogestão, ou seja, os empreendimentos de economia solidária são geridos pelos próprios trabalhadores coletivamente de forma inteiramente democrática, quer dizer, cada sócio, cada membro do empreendimento tem direito a um voto. IN: Economia solidária, Paul Singer, entrevista Revista de Estudos Avançados da USP, número 62, janeiro/abril 2008, pg. 289-314. 377pg.

 

[8] < http://www.unep.org/> Acesso em 21.02.2010.

 

[9] < http://www.care.org/index.asp> Acesso em 21.02.2010.

 

[10] Catadores de materiais recicláveis em tailandês.

 

 

Bibliografia

 

ALIÓ, Maria Àngels. La difícl transición hacia la prevención: una visión desde el análisis de las políticas sobre el reciclaje de residuos urbanos. X Coloquio Internacional de Geocrítica. Barcelona: Universidade de Barcelona, 26 - 30 de mayo de 2008, < http://www.ub.es/geocrit/-xcol/75.htm>

 

BARROSO, Inmaculada. Las redes de colaboración como base del desarrollo territorial. Scripta Nova, Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales. Barcelona: Universidade de Barcelona, 1 de Mayo de 2009, vol. XIII nº 289, <http://www.ub.es/geocrit/sn/sn-289.htm>

 

MILLER, Lee. Innovación, acción colectiva y crecimiento endógeno: un ensayo sobre las instituciones y el cambio estructural. En BOSCHERINI, F. y POMA L., Territorio, conocimiento y competitividad de las empresas, Miño y Dávila Editores, Buenos Aires, 2000, p. 77-98.

 

BRUNDTLAND,Gro.Halem. et al. Nuestro futuro común, Madrid: Alianza, 1988, 460 p.

 

DIEGUES, Antonio. A ecologia política das grandes ONGs transnacionais conservacionistas. NUPAB, São Paulo: Universidade de São Paulo, 2008, 193 p.

 

GUDYNAS, Eduardo. Actores Sociales y ambitos de construccion de politicas ambientales. Ambiente & Sociedade. São Paulo: Campinas, Ano IV, N° 8, Primeiro Semestre de 2001.

 

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e Terra, 2003, vol. 1, 617 p.

 

GIDDENS, Anthony. As conseqüências da modernidade. São Paulo: UNESP, 1991, 177 p.

 

GOHN, Maria da Gloria. Os sem-terra: ONGs e cidadania, São Paulo: Cortez, 2003, 172 p.

 

GORZ, Andre. O imaterial: conhecimento, valor e capital. São Paulo: Annablume, 2005, 106 p.

 

HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do fim dos territórios a multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004, 395 p.

 

HAESBAERT, Rogério. Territórios alternativos. Rio de Janeiro: Contexto/Universidade Federal Fluminense, 2002, 186 p.

 

HENDERSON, Keith. Alternative service delivery in developing countries: NGOs and other non-profit in urban áreas. A Global Journal. Netherlands, 2002, vol.2, p. 99-116.

 

JEPSON, Paul. Governance and accountability of environmental NGOS. Environmental Science & Policy, Oxford, 2005, vol.8, p. 515-524.

 

JORDAN, Lisa. Political Responsibility in transnational NGO advocacy. In: World Development, Great Britain, 2000, vol. 28, no12, p. 2051-2065.

 

KEOHANE, Robert. e NYE, Joseph. Power and interdependence. New York: Longman, 2001, 334 p.

 

MANZANAL, Mabel. Territorio, Poder e Instituciones. Una perspectiva crítica sobre la producción del territorio. En MANZANAL M., ARZENO, M. y NUSSBAUMER, B. (comp.), Territorios en construcción. Actores, tramas y gobiernos, entre la cooperación y el conflicto. Buenos Aires: CICCUS, 2007, p.15-50.

 

RAFFESTIN, Claude. Pour une geographie du pouvoir . Paris: Lite, 1988, 247 p.

 

RIBEIRO, Wagner Costa.  A ordem ambiental internacional. São Paulo: Contexto, 2001, 176 p.

 

ROCHE, Chris. Avaliação e impacto dos trabalhos de ONGs: aprendendo a valorizar as mudanças. São Paulo: Cortez, 2002, 348 p.

 

SANTOS, Milton. A natureza do espaço, técnica e tempo - razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996, 307 p.

 

TRIGLIA, Carlo. Capital social y desarrollo local. En BAGNASCO, A. ET AL El capital social. Instrucciones de uso, Buenos Aires-México: Fondo de Cultura Económica, 2003, p. 123-155.

 

TOURAINE, Alain. Two interpretations of contemporary social change. In: HAFERKAMP, Hans e SMELSER, Neil. (ed). Social change and Modernity. California: University of Califórnia Press, 1992, p. 55-77.

 

VIOLA, Eduardo. et.al. Meio Ambiente , Desenvolvimento e Cidadania - desafio para as ciências sociais. São Paulo: Cortez, 1998, 220 p.

 

 

Referencia bibliográfica

 

ZIGLIO, Luciana. As redes sociais e a cooperação internacional. La planificación territorial y el urbanismo desde el diálogo y la participación. Actas del XI Coloquio Internacional de Geocrítica, Universidad de Buenos Aires, 2-7 de mayo de 2010
<http://www.filo.uba.ar/contenidos/investigacion/institutos/geo/geocritica2010/193.htm>

 

volver al programa

logogeocritica